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O PRAZER DE EVOLUIR

O PRAZER DE EVOLUIR

por João Carvalho Neto
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Tenho pensado muito nos últimos tempos sobre a questão do sofrimento para o desenvolvimento espiritual, e não posso deixar de reconhecer que, no fundo, minha insegurança de avançar em assumir novas posturas, pelo menos publicamente, se dá pela tendência, meio consciente, meio inconsciente, de temer as responsabilidades de estar influenciando pessoas e me comprometendo com a lei do carma. Ou seja, quero repensar a lei do carma mas ainda me sinto subjugado, em termos, ao conceito tradicional que dela criamos. Acho que meus exercícios reflexivos sobre o assunto são, na verdade, uma tentativa de libertação pessoal.
Mas neste texto, gostaria de estar enfocando especialmente a questão de nosso processo evolutivo ter que ser marcado necessariamente pelo sofrimento.

A Psicanalista e Psicopedagoga argentina, Alicia Fernandes, autora de diversas obras sobre educação, enfatiza que a pulsão para aprender pode ser fruto de um instinto básico, como os instintos de vida e morte apresentados na Teoria Psicanalítica de Freud. Não pretendo aqui aprofundar a questão se o ato de aprender provém de um instinto de aprender ou se é uma pulsão derivada do instinto freudiano de vida. São duas possibilidades reais a serem discutidas, apesar de eu, a princípio, ser mais simpático à segunda. Contudo, parece certo que a satisfação da pulsão de aprender, como a satisfação da pulsão de vida, tem como objetivo o alcance de um estado de prazer, o que também defende Alicia.

Ou seja, um indivíduo mentalmente saudável deveria encontrar prazer no ato de aprender. E isso não é difícil de ser constatado: basta observarmos uma criança nos primeiros meses e anos de sua vida, quando ainda não tenha possivelmente sido neurotisada com os medos e projeções de seus pais e professores, para vermos o prazer que ela sente em buscar compreender o mundo ao seu redor, tocando, mexendo, desmontado e remontando, construindo um processo de aprendizagem próprio sobre o que é a vida. E, mesmo sentindo dor em momentos de dificuldade, como machucados e repreensões, ela volta a retomar suas buscas por novas descobertas.
Esse prazer vai se perder, muitas vezes, pela falta de habilidade ou mesmo de saúde mental daqueles que dela cuidam, transformando o prazeroso ato de aprender em algo sofrido e imposto.

Parece-me que as religiões fizeram isso com o imaginário coletivo do ser humano quando formularam a lenda da expulsão de Adão e Eva do paraíso, sendo penalizados com a determinação de que teriam que “ganhar o pão com o suor de seus rostos”. Ora, aquilo que também deveria ser prazeroso, que é aprender novas formas de trabalho e de reconstrução do mundo ao seu redor, passou a ser visto como castigo. Aliás é comum pais que ameaçam seus filhos com o trabalho ou com a escola, como se isso fosse punição.
Não é de se estranhar que ao longo de nossa evolução tenhamos nos firmado na idéia de que o desenvolvimento pessoal, o ato de aprender para o amadurecimento da individualidade, tenha que ser realizado à custa de sofrimento.

Contudo, também não podemos negar o fato de que a vida neste planeta, com o nível de evolução em que ela se apresenta, tenha sido e ainda continuará sendo permeada por dores. Cabe então uma reflexão sobre o diferencial entre dor e sofrimento.
Podemos entender dor como uma sensação pessoal, por isso subjetiva, resultante de um estímulo externo (físico ou afetivo) que é sentido como desagradável. Já o sofrimento é o sentimento que se constrói a partir de uma dor pelas conseqüências que ela nos causa, como a perda de outras oportunidades de prazer. Você sente uma dor ao quebrar a perna, mas você pode viver a recuperação de forma produtiva e operosa ou se acomodar em lamentações por não poder estar fazendo outras coisas que gostaria. Dessa forma a dor é inevitável mas o sofrimento é opcional.

A dor como instrumento de evolução é importante porque ela limita a hegemonia de nosso egocentrismo, nos fazendo reconhecer nossos próprios limites e legitimar a existência de outros seres que muitas vezes se impõem sobre nossa vontade. Isso é a essência do processo de amadurecimento psicológico e espiritual que a vida nos propõe nos conduzindo no rumo do altruísmo.
Ora, a compreensão e consciência desse fato tende a nos levar para um outro nível de interpretação da dor. Apesar do estímulo desagradável, ela tem uma finalidade útil que trará resultados gratificantes, como a maior liberdade dos padrões de comportamento da imaturidade psicológica, como o acesso às percepções mais sutis dos prazeres da alma, menos irritantes e adstringentes.

Como a criança que se diverte aprendendo com seus erros e suas conquistas, evoluir espiritualmente não deveria ser visto como uma vivência penalizante e desagradável, mas prazerosa na medida em que vai nos descortinando novas compreensões da vida e de nós próprios.
Quero dizer com isso que mesmo em situações em que o indivíduo esteja sentindo uma dor, física ou emocional, ele não precisa necessariamente estar sofrendo e infeliz. É possível, pelo avanço na compreensão das leis e circunstâncias que regem a vida e nosso processo de evolução, que se permaneça feliz diante de uma oportunidade de aprendizado, mesmo que ela envolva uma dor.

Isso não deve ser entendido como um ato masoquista, de alguém que busca se martirizar, mas como um estado de lucidez de quem valoriza as lições que o levarão a níveis mais elevados de maturidade psicológica e espiritual.

João Carvalho Neto
Psicanalista, autor dos livros
“Psicanálise da alma” e “Casos de um divã transpessoal”
www.joaocarvalho.com.br
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Atualizado em 19/05/2011

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