Orgulho LGBT - Um ato de coragem
Autor Raphael Mello
Assunto PsicologiaAtualizado em 7/1/2026 10:00:39 AM

Dia 28/06 foi dia do Orgulho LGBT.
E, como todo ano, alguém vai repetir que "os LGBT estão destruindo a família".
Vamos olhar para o que de fato destrói?
Todos os anos, cerca de 160 mil crianças brasileiras nascem sem o nome do pai no registro.
Mas o que destrói a família são os LGBT.
No último ano, o Brasil registrou 1.470 feminicídios,
o maior número da série histórica. Na maior parte dos casos, as mulheres foram mortas por parceiros ou
ex-parceiros.
Mas o que destrói a família são os LGBT.
Entre 2011 e 2024, mais de 308 mil meninas e adolescentes sofreram violência sexual no Brasil.
Somente em 2024, as meninas negras (pardas e pretas) foram mais da metade das vítimas (52,3%) do total de 45.435 casos de violência sexual contra meninas.
Pais, mães, padrastos/madrastas e/ou irmãos aparecem de forma recorrente entre os autores da violência sexual contra meninas.
Mas o que destrói a família são os LGBT.
A família tradicional nunca correu perigo por causa do amor de ninguém. O que destrói as casas por dentro, e já faz tempo, é o abandono, o silêncio que violenta e essa mania de empurrar o desejo para baixo do tapete.
O ódio quase nunca é sobre o outro. A gente se irrita e agride onde esbarra naquilo que não consegue suportar na gente mesmo.
A hipocrisia é o sintoma mais barulhento do preconceito pois, enquanto as plataformas de pornografia e os aplicativos de encontros revelam recordes de homens buscando fetiches e relações com pessoas LGBT no sigilo, o discurso público dessas mesmas pessoas exige o silenciamento dessas identidades.
O desejo do outro incomoda porque escancara a fragilidade dessa moral que a gente inventa para tentar controlar o mundo. Tem quem não aguente ver alguém vivendo fora da culpa que aprendeu a chamar de virtude.
É muito mais fácil apontar o dedo e inventar um inimigo do que ter que mexer naquilo que já apodreceu na própria sala de estar.
No fim das contas, a briga nunca foi por moralidade. É puro pavor da falta, medo do desejo que escapa e esse desespero neurótico de fazer da regra um escudo
O orgulho de quem bota o bloco na rua é a recusa de viver de joelhos diante da vergonha que tentaram impor ao que se sente.
A violência não nasce da nossa diferença. Nasce dessa fantasia controladora de que existe um jeito "certo" de desejar e de que tudo o que foge disso precisa ser calado
O orgulho LGBT é a nossa insistência em viver. É a recusa de carregar a vergonha que tentaram impor ao que a gente sente, escolhendo o risco de bancar o próprio desejo em vez de adoecer para agradar o mundo. Afinal, a vida só ganha alguma cor quando a gente aceita que amar também é um ato de coragem.
Raphael Mello | Psicólogo
CRP 06/122146
@psicologo.raphaelmello
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Autor Raphael Mello Olá, sou Raphael Mello, Sócio do Espaço Cântaros, Psicólogo & Psicanalista. Atuo em clínica desde 2015 e trabalho a partir do inconsciente e suas singularidades. E-mail: [email protected] | Mais artigos. Saiba mais sobre você! Descubra sobre Psicologia clicando aqui. |









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