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Por que adotar um filho (a)?


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Eis aqui um novo trabalho discutido em sala de aula sugerido na cadeira de Psicologia Jurídica. Como me trouxe um enriquecimento pessoal significativo, resolvi partilhar com quem se interessa pelo tema e queira, inclusive, trocar alguma experiência conosco.  As referências foram utilizadas como provocador da discussão. Vale a pena verificar.

NEWMAN, J. O filme: Foster (O Menino de Ouro). Reino Unido/ Inglaterra, 2011. Comédia dramática, 90 min. SC Films.

LEVINZON,G.K. (2006) A adoção na clínica psicanalítica: o trabalho com os pais adotivos. Mudanças - Psicologia da saúde, 14(1), jan-jun 2006, 24- 31 p. São Paulo

Este trabalho se inicia a partir da observação da demanda de adoção encontrada no filme proposto que traz a temática da busca pela adoção de uma criança por um casal que, após sofrer a morte trágica do único filho de 4 anos por atropelamento, desestrutura-se, tanto na vida conjugal, como também individualmente. São tentativas frustradas de uma nova gestação até que decidem se submeter à seleção de casais para adoção. A criança chega de surpresa à casa da família, confirmando estar legalmente assegurada. Daí, então, ocorre um processo de restabelecimento de vínculos entre o casal, compartilhando e enfrentando a dor da perda do filho, resgatando outros sentidos para estarem juntos.

Os filhos, comumente, representam a perpetuação do sentimento que une um casal, a possibilidade de “eternidade” dos pais através das gerações futuras. Levinzon (2006) cita Freud (1914) quando aborda que a psicanálise traz o sentido narcísico dos pais em relação a seus filhos, porém, na ausência deste significado, outras direções precisam ser apontadas, outro caminho estimulado. Pois a espera de um filho envolve um novo olhar para si mesmo e conseqüentemente para o mundo. Quando há uma perda precoce dessa construção, isso envolverá sem dúvida a deteriorização de sonhos, expectativas frustradas, desesperança e sofrimento.

O texto nos oferece um caso clínico visto pela perspectiva psicanalítica e com a funcionalidade psicológica voltada para atendimento e acompanhamento dos pais após a adoção da criança. Ressalta a importância do psicólogo na área jurídica como aquele que é capaz de perceber os fatores circunstanciais que envolvem o desejo de se adotar, as implicações subjetivas, porém, não menos importantes que se acercam do estabelecimento dos vínculos afetivos entre os pais e a criança. Ele é o profissional com a escuta clínica necessária para promover reflexões sobre sentimentos, pensamentos, comportamentos advindos da motivação que levou estes sujeitos a optarem pela adoção.

Sendo assim, a autora chama a atenção que a infertilidade é um dos principais motivos que provocam a busca dos meios adotivos. Levinzon (2006) apud Diniz (1993) quando diz: “a esterilidade sem remédio é acompanhada de alterações do sentimento de identidade e demanda a renúncia definitiva de um projeto pessoal de vida e, portanto, do Ideal do Ego”. Nesta circunstância, sentimentos de frustração, raiva e luto surgem, até que gradativamente possa-se alcançar a superação e conseqüente aceitação de si ou do parceiro “responsável” pelo limite da maternidade ou paternidade natural. Diante de um processo adotivo, o psicólogo e toda a equipe multidisciplinar envolvida devem estar atentos à elaboração desses conteúdos. Por isso, também, a autora sugere o atendimento profilático, ou seja, aquele que vai prevenir futuros arrependimentos ou o desencadear de conflitos familiares que envolvam o desenvolvimento da criança e os laços afetivos decorrentes de escolhas precipitadas e mal contextualizadas.

Tomando o caso clínico, narrado como exemplo, pode-se observar a fragilidade emocional do casal desde a transferência da responsabilidade (“culpa”) para a figura feminina em relação à impossibilidade de gestar seus filhos, mesmo quando a esterilidade provém do marido e, por questões de preconceito e insegurança resolvem omitir, até a dificuldade de dizer pra criança sobre sua adoção e a verdade sobre sua família biológica. São analisados aspectos relacionados à exigência de um comportamento ideal pela criança, à tentativa de evitar o reconhecimento de sua individualidade e heranças genéticas, medo de perder seu amor e interesse e com isso omitir sua história de nascimento.

Vimos, até aqui que todos estes pontos ressaltados e outros ainda que surjam durante o desenrolar de um acompanhamento psicoterapêutico, formam subsídios de real importância para que seja indispensável o trabalho do profissional da psicologia também neste contexto. Este poderá, em sua competência e saber consciente, servir de instrumento de aproximações entre famílias que buscam ser felizes e que muitas vezes não encontram o caminho.

Na contemporaneidade, houve grandes modificações nas estruturas familiares e parentais. A adoção em diversos aspectos vem se consolidando como alternativa de vários casais e até de pessoas que, mesmo sem o casamento constituído, optam por este modo de atender à necessidade pessoal de realização. Poucos atendem puramente a ação de altruísmo social, na grande maioria, a adoção envolve a perspectiva pessoal e uma demanda de apresentar à sociedade o modelo normativo de núcleo familiar, mesmo que implique agregar uma criança não gerada biologicamente dentro da família. E assim, faz parte também do papel do psicólogo jurídico estar contribuindo para que crianças sob casos de adoção recebam amor, compreensão e um lar com uma base mais verdadeira.

Em outro momento, poderemos ampliar a reflexão do tema que favoreça a quebra de tabus, entendendo que não só crianças, mas também adolescentes que não tiveram a oportunidade de crescer dentro de um ambiente familiar adequado, muitas vezes suscetíveis à deliquência e segregação, necessitam de uma nova chance à vida digna, recebendo carinho e respeito para contribuir com seu desenvolvimento e, consequentemente, transformar o nosso meio social em um lugar melhor pra se viver. 

Texto revisado
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Conteúdo desenvolvido por: Anna Karina de Pontes Leite   
Terapeuta Floral.
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