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SONHANDO NO IMAGINÁRIO DA MATERNIDADE


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Mês de maio, mês das mães. Talvez o ideal da maternidade seja uma das marcas mais fortes da vida humana, quando seres se reproduzem permeados em sonhos, desejos, projeções.
Já afirma antigo ditado popular que “ser mãe é padecer no paraíso” e nada poderia designar com mais propriedade e simplicidade o desafio da maternidade.
Mulheres que são cantadas em prosa e verso, cantadas no silêncio da gratidão de seus filhos – filhos da carne, filhos-coração – pela devoção com que lhes geraram e dedicaram a própria vida.
Desde a infância que assistimos as meninas, em suas brincadeiras com bonecas, vivenciando a vontade de serem mães, fruto de uma pulsão biológica natural da fisiologia feminina, como também pelo anseio de igualar-se à própria mãe, invejando ser tão amada pelo seu pai.
Aliás, desde as idades mais remotas da vida até a fase adulta, a mulher adquire uma percepção de que ser mãe traz a ela uma realidade diferencial, que socialmente ela não possuía. Claro que os tempos são outros e as mulheres hoje começam a ser reconhecidas no seu valor; contudo, a herança da discriminação que sofreram ainda permanece, tanto na competição com os homens, quanto nas consequências psicológicas dela advindas.
A mulher discriminada, desrespeitada no seu valor pela sociedade, encontrava e encontra na maternidade uma significação que lhe era negada, investindo nesse momento tanta energia que para muitas talvez represente o principal objetivo da vida.
E, em cima disso, os pais, e mais especificamente a mulher, fazem tantas projeções sobre seus futuros filhos que na visão da Psicanálise eles já existem no imaginário desses pais, mesmo antes de serem gerados, como um protótipo engessador do que há de vir. Mais tarde, essas projeções se transformam em cobranças e exigências que acabam por cercear a liberdade do desenvolvimento pessoal dessas crianças.
Mas a mulher engravida e aquela barriguinha... como causa problemas! Umas se felicitam, outras rejeitam e outras ainda sonham tanto com ela que esquecem ser um estado passageiro e, quando acordam, têm um filho no colo e um vazio no coração: depressão pós-parto, o peso afetivo da perda do valor da gestação e a chegada da responsabilidade de ter que cuidar. “Antes eu era o alvo das atenções, agora elas estão voltadas para ele...”.
Mas isso tem cura e todas as mães que passam por essa experiência que procurem tratamento adequado, já que a vida continua e ser mãe certamente não é o único objetivo que uma mulher tem a buscar.
Agora eles estão mamando... quanto prazer! Então, os vínculos começam a crescer... o contato físico produz impressões indeléveis para a afetividade feminina.
É a partir desse momento que acontecem algumas diferenciações no trato com os filhos homens e as filhas mulheres. Por uma questão da sexualidade humana, a mãe tende a se ligar mais fortemente ao filho homem e este a ela, e o pai à filha mulher e esta a ele.
No caso das mães com seus filhos homens, a relação parece ainda mais intrínseca do que a do pai com a filha, justamente por esse contato físico inicial da amamentação. O futuro, muitos de vocês já conhecem: mães apaixonadas, filhos homens mimados, dificuldades de conciliar os critérios de educação com os maridos que querem ser, com razão, mais exigentes.
Muitas mães, possuidoras de conflitos que chamaremos de neuróticos, também vivem uma situação extremamente difícil nesse momento. As mulheres que foram muito ligadas na infância a seus pais, com um amor correspondido ou com carências pela falta de atenção, tendem a transferir esse amor para seus maridos. Quando seus filhos nascem, por repetirem a relação consanguínea com eles como a que tinham com os pais, acabam por esquecer de seus maridos, rebaixados agora, no imaginário feminino, a um ser invasor da relação psicológica que ela viveu com seu pai e que se reascende com o filho. E lá se vão casamentos que se perdem nessa distorção de emoções, em uma patologia que exige psicoterapia curativa.
Mas os problemas não param por aí. Vem também o ciúme da filha, por quem o pai se apaixona esquecendo da esposa com suas carências e necessidades.
Novos filhos vão chegando, o amor diferenciado por eles, muito natural, quase sempre em um superinvestimento sobre o caçula. Aliás, quando uma mãe no consultório me diz: “eu amo meus filhos todos igualmente” eu penso: “o problema é sério!”. As pessoas são diferentes, nossos filhos são diferentes e nós vamos amá-los de formas diferentes também. E é só isso, sem nenhum problema, sem nenhuma culpa; apenas humano.
Bem, acho que chega das dificuldades. Eu não falei de tantas outras, nem tão pouco estou aprofundando as de que cuidei ao traçar estas linhas. Apenas me propondo ajudar as mamães a refletirem sobre questões inevitáveis da vivência da maternidade.
Ser mãe é padecer no paraíso?
Penso que se as mulheres viverem o ideal da maternidade sem realizarem um processo de autoconhecimento, de compreensão das leis que regem os sentimentos e comportamentos humanos, podem realmente se verem presas em muitos conflitos psicológicos.
É claro que nossa humanidade vem, há milhares de anos, se reproduzindo, experienciando a maternidade e a paternidade de forma espontânea. Mas se hoje podemos compreender e viver melhor essas relações, por que não investir em nos qualificarmos para esse desiderato? Livros, cursos, palestras, possibilidades de terapias estão esperando por aqueles que queiram ser melhores pais e melhores mães, sendo dessa forma mais felizes e fazendo seus filhos mais felizes também.
Mas é dia das mães e que todas elas possam receber nosso carinho, o carinho de seus filhos. Mães de filhos da carne, mães de filhos alheios, mães de obras sociais, mães que acalentam os filhos combalidos da vida. Que vocês sejam muito felizes, mas que não se esqueçam: antes de serem mães vocês são pessoas, filhas de outras pessoas, e que a vida é um paradoxo de encontros e desencontros onde, acima de tudo, todos devemos buscar ser felizes, da forma como nos seja possível.
Feliz dia das mães!

João Carvalho Neto
Psicanalista, autor dos livros “Psicanálise da alma” e “Casos de um divã transpessoal”
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Texto revisado por Cris

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Conteúdo desenvolvido por: João Carvalho Neto   
Psicanalista, Psicopedagogo, Terapeuta Floral, Terapeuta Regressivo, Astrólogo, Mestre em Psicanálise, autor da tese “Fatores que influenciam a aprendizagem antes da concepção”, autor da tese “Estruturação palingenésica das neuroses”, do Modelo Teórico para Psicanálise Transpessoal, dos livros “Psicanálise da alma” e “Casos de um divã transpessoal"
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