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Vácuo Existencial

por Regina Ramos
Vácuo Existencial

Publicado dia 26/9/2011 em Psicologia

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“Tenho 22 anos, um diploma universitário, um carro luxuoso, e sou financeiramente independente. Além disso, tenho mais sexo e mais prestígio à minha disposição do que sou capaz de consumir. E agora encontro-me diante da pergunta: Para que serve tudo isso?”
Este é um trecho da carta de um estudante americano enviada para o eminente médico psiquiatra Dr. Viktor Frankl (1905-1997) fundador da Logoterapia, conhecida como “a terceira escola vienense de psicoterapia”. Para a Logoterapia, a busca do sentido da vida é a principal força motivadora no ser humano.

Viktor Frankl, judeu, já era médico quando foi levado a campos de concentração, separado de seus pais, irmãos e esposa que foram levados para campos diferentes. Seus familiares e esposa morreram, mas Frankl sobreviveu apesar de ter enfrentado os horrores de campos como Auschwitz.
Em seu livro autobiográfico “Em Busca de Sentido”, o Dr. Frankl nos revela o que o levou a resistir a tanto sofrimento. Por que alguns prisioneiros buscaram o suicídio e por que ele e tantos outros sobreviveram às atrocidades dos campos de concentração? É exatamente o sentido da própria existência, o sentido da vida que dá ao indivíduo resistência para superar as mais cruéis situações. Citando Nietzsche ele afirma: "Quem tem por que viver pode suportar quase qualquer como". Para Viktor Frankl, “o ser humano, no fundo – e, portanto, essencialmente, ou pelo menos originalmente, - se move e é motivado por uma “vontade de sentido”. (Sede de Sentido). Podemos, então, identificar na carta do estudante americano o “vácuo existencial” como nos explica o Dr. Frankl, e que leva muitos indivíduos ainda jovens ao suicídio.

Em seu livro “Sede de Sentido” ele nos fala sobre a depressão (que muitas vezes leva ao suicídio), a agressão (cuja consequência pode ser a criminalidade), a adicção (dependência de drogas), a inflação da sexualidade (o instinto sexual hipertrofia-se facilmente, tendendo a ocupar o espaço deixado pelo vácuo existencial) e as diversões baratas – todos sendo caminhos de fuga para o vazio existencial. Sobre o sexo praticado indiscriminadamente, ele afirma: “Como todas as inflações, também a inflação sexual anda de braço dado com a desvalorização: hoje em dia, a sexualidade vai se desvalorizando na mesma medida em que vai se desumanizando, por isso não contribui para a felicidade e paz do indivíduo”.

O Dr. Frankl percebeu que os prisioneiros dos campos de concentração que tinham um ideal, uma tarefa a cumprir ou uma pessoa amada esperando por eles, lutavam pela vida, não se entregavam. Ele mesmo queria muito reencontrar a esposa e era a imagem dela que lhe dava força para sobreviver à fome, frio e trabalho penoso. “Afinal de contas, foi essa a lição que pude aprender pessoalmente – ou melhor, tive que aprender – em Auschwitz e em Dachau: isto é, que aqueles reclusos que se orientavam na direção de um futuro que de alguma forma esperava por eles, que tinha uma tarefa futura a realizar, eram os que apresentavam maiores possibilidades de sobrevivência.(...) A pessoa tão ligada nela mesma e tão ansiosa em contemplar e observar a si próprio, de representar a si próprio, não consegue encontrar - não um alvo, mas uma missão em sua vida, pois não encontrou um significado fora de si mesma. A autotranscendência nos faz olhar para fora, para servir a um ideal ou a alguém, então, encontramos um significado para vida”.

Segundo Viktor Frankl, o “vácuo existencial” que atinge os jovens origina-se de uma visão reducionista mecanicista do ser humano disseminada por muitos pensadores inclusive psiquiatras – os jovens são influenciados por uma educação reducionista “que “explica todos os fenômenos humanos num plano infra-humano” – (Sede de Sentido)
No livro “Em busca de Sentido” ele diz: “O que os jovens precisam é de ideais e desafios, tarefas pessoais e -em primeiro lugar- exemplos, exemplos pessoais, mas não dos covardes, as pessoas covardes que não os enfrentam em nada porque eles poderão ficar bravos”.

A leitura e estudo da obra de Viktor Frankl fazem-nos pensar sobre o modelo de sociedade contemporânea que não contribui para que os jovens busquem a autotranscendência, mas que ao contrário valoriza a busca da realização e sucesso material. Há que se pensar nos ensinamentos valorosos de um homem que sobreviveu às atrocidades dos campos de concentração justamente porque conseguiu manter o sentido da vida na prática da autotranscendência.

“Não canso de alertar meus alunos, tanto na Europa como nos Estados Unidos: "Não procurem o sucesso. Quanto mais o procurarem e o transformarem num alvo, mais vocês vão sofrer. Porque o sucesso, como a felicidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer, e só tem lugar como efeito colateral de um dedicação pessoal a uma causa maior que a pessoa, ou como subproduto da rendição pessoal a outro ser”. Viktor Frankl

Este texto teve como base o estudo das seguintes obras de Viktor Frankl:

Em Busca de Sentido: um psicólogo no campo de concentração;
Sede de Sentido;
Psicoterapia e Sentido da Vida;

Texto revisado


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Sobre o Autor: Regina Ramos   
Professora de Português, Francês, História da Educação e Filosofia da Educação. Orientadora Educacional e Consultora Pedagógica. Palestrante. Taróloga.
E-mail: [email protected]ail.com
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