Vender a alma para o desejo dos outros é o nosso escudo para não encarar a falta que nos constitui.
Autor Raphael Mello
Assunto PsicologiaAtualizado em 7/14/2026 5:30:57 PM

A gente gasta um tempo irremediável tentando adivinhar o que o Outro quer de nós. Passa os dias respondendo a exigências que não são nossas, alimentando o sintoma dos outros ou tentando arrancar do próprio nome o peso das projeções que a família e os parceiros jogam no nosso colo.
Nessa pressa de ser amado, a gente constrói um personagem sob medida. Abre mão do que sente para caber na aprovação alheia. O paradoxo clínico é que, no fim dessa conta, o outro não nos reconhece mais como um sujeito de verdade, mas apenas como o objeto que ele usa para tampar o próprio vazio. A gente se anula para virar o tampão do Outro.
Na psicanálise, adoecer é perder o próprio desejo de vista.
É aí que a neurose opera o seu truque mais sofisticado. A gente passa a vida reclamando do cansaço, do excesso de cobranças e de como o mundo nos sufoca. Mas a verdade é que o neurótico adora ter um problema para resolver. A queixa é o álibi perfeito: enquanto a gente estiver ocupado demais atendendo às demandas alheias e tentando salvar todo mundo, não sobra tempo para dar um passo em direção ao desamparo de bancar a nossa própria história.
Vender a alma para o desejo dos outros é o nosso escudo para não encarar a falta que nos constitui. A gente prefere carregar o peso de um sofrimento conhecido ao susto de descobrir quem somos quando ninguém está nos cobrando nada. Como dizia Lacan, a gente é onde não pensa. E sustentar esse lugar, onde a razão não controla nada, dá um medo danado.
Raphael Mello | Psicólogo
CRP 06/122146
@psicologo.raphaelmello
Raphael Mello | Psicólogo
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Autor Raphael Mello Olá, sou Raphael Mello, Sócio do Espaço Cântaros, Psicólogo & Psicanalista. Atuo em clínica desde 2015 e trabalho a partir do inconsciente e suas singularidades. E-mail: [email protected] | Mais artigos. Saiba mais sobre você! Descubra sobre Psicologia clicando aqui. |








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