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Você já Andou pela Estrada de Tijolos Amarelos?



Apenas para ficar mais poético, vou começar assim:

“Numa tarde chuvosa, dessas em que você recebe a visita daquele senhor chamado pelo nome de “tédio”, conhecido por muitos, tocou a campainha aqui de casa... oh, quero dizer, bateu-me à porta - essas figuras não tocam campainhas – e, apesar de disfarçado, descobri que era ele. Foi facilmente identificado pois quando olhei pelo olho mágico, senti sono, certo enjôo de coisas e pessoas. Daí mandei que dissesse a senha – aqui em casa só se pode entrar dizendo a senha correta; assim, corri ao computador para pedir ajuda. Ela estava lá em forma de um e-mail enviado por uma amiga que começava assim: “Somewhere over the rainbow..."

Recebi a mensagem. Ganhei um presente altamente significativo no Dia das Mães – um quadro com Dorothy, O Espantalho, o Homem de Lata e o Leão, fotografia na mesma cor do início do filme. É dele mesmo que falo – O Mágico de Oz. Peguei o filme, que também me foi dado pelo meu filho e mergulhei! Aí vai:

Dorothy após o tornado vai parar em um lugar chamado Munchkinland tendo um encontro com o próprio Self – bem, para ficar mais democrático posso substituir a palavra Self por “Eu Superior” ou “Sua Mais Pura Essência”; bem, vocês entenderam, né? Pois é, ela encontrou com a Fada Glinda, toda de cor de rosa, que é a cor do chacra cardíaco e da harmonia. Glinda, após acabar com a Bruxa do Oeste, consegue pegar seus sapatos de rubi – cor do chacra básico, ou seja, da ação - e entrega para a menina a ferramenta mais preciosa dizendo que, acontecesse o que acontecesse, ela não deveria tirar aqueles sapatos, ou seja, não desistir da realidade e da ação. Sendo Dorothy a figura da Intuição, porém sem consciência, este seria o melhor presente, pois recebeu literalmente “os pés no chão” – ao que poderíamos já nos dar por satisfeitos, pois era o que faltava, pensaríamos. Às pessoas intuitivas normalmente falta o senso de realidade, ou seja, a sensação. Ela faz a caminhada com seu cãozinho Totó, que é o instinto e que sente o cheiro das coisas, aliás, bem próprio dos intuitivos.

Entretanto, para que um Ser Humano seja inteiro fica faltando o pensamento e o sentimento. Era o dia de sorte da menina. A Fada a instrui para que as coisas dêem certo para ela e finalmente consiga “voltar para casa”: deveria caminhar pela Estrada de Tijolos Amarelos – que aqui substituo para “Tijolos Dourados” pois este significa o Caminho do Meio que os orientais procuram (e alguns de nós também, né?). E assim é feito. Como era o caminho “dela”, durante o percurso encontram o Espantalho (Totó o encontra) que diz: “Se pelo menos eu tivesse um cérebro, poderia pensar, falar coisas importantes...” E ela sem entender muito bem, responde que ele está falando, portanto, pensa. Ele retruca dizendo que “Muitas pessoas falam, mas isto não quer dizer que elas tenham realmente um cérebro.” Assim sendo, Dorothy generosamente aceita quando ele pede para acompanhá-la em sua viagem pelo Caminho, já que o Mágico iria ajudá-la a “voltar pra casa” e também poderia conseguir um cérebro para ele.
O Espantalho sem cérebro a ajuda, inclusive, a conseguir se alimentar na estrada, enganando as macieiras que se recusavam a doar seus frutos a Dorothy, batendo na mão dela. Ele finge que não querem aquelas maçãs bichadas e num acesso de ira, elas mesmas (árvores) lançam seus frutos contra eles.

Continuam andando até que encontram algo metálico; entra em cena o “O Homem de Lata”. Ela e seu companheiro de jornada o ajudam a lubrificar-se e ele consegue falar: “Eu não estou inteiro, se ao menos eu tivesse um coração, poderia...”. Desta vez Dorothy não espera o pedido e o convida para acompanhá-los, pois se o Mágico vai ajudá-la a “voltar pra Casa” e conseguir um cérebro para o Espantalho, poderá muito bem providenciar um coração para ele.

Já temos aqui três funções psicológicas: a Intuição com o instinto na pessoa de Dorothy e Toto, o Pensamento na figura do Espantalho e o Sentimento representado pelo Homem de Lata. Porém, nenhum dos três está inteiro. Para isso seguem juntos, se apoiando mutuamente, pela única estrada possível: A Estrada de Tijolos Dourados, o caminho de Casa.

Entretanto, existem as pedras no caminho, quer dizer, as bruxas no caminho, já que a irmã da Bruxa do Oeste aparece para ameaçá-los. O Espantalho é obrigado a enfrentar seu maior medo, o fogo. A Bruxa lança uma bola de fogo contra ele, dizendo que vai fazer um colchão com sua palha. É ajudado pelo Homem de Lata que apaga as chamas que o alcançaram. E este, por sua vez, é ameaçado de virar casa de abelhas. Um ótimo exemplo de capitalizar a adversidade: transformaram o medo e uma possível raiva em vontade de seguir em frente com coragem e generosidade, pois declaram com determinação que verão Dorothy encontrar o Mágico de Oz, mesmo que eles não consigam seus intentos, cérebro e coração.

Ao avançar floresta adentro começam a sentir certa apreensão que realmente não é infundada. O medo se manifesta na figura de um leão que surge ameaçador. Entretanto, quando confrontado pela atitude da menina, revela-se mais medroso do que todos juntos. Um leão que não contava carneirinhos para ajudá-lo a se livrar da insônia porque tinha medo dos carneirinhos! Mas nem todos os obstáculos haviam sido superados. A Bruxa ataca mais uma vez enviando um encanto com aroma tão forte e doce, que os deixa inebriados; Dorothy e Toto caem no sono. São salvos pela percepção daquele que não tem cérebro. Identifica que é magia e não se deixa pegar, ajuda o Homem de Lata e ambos gritam por socorro. Mais uma vez Glinda aparece e joga uma espécie de cobertor de neve sobre eles, que acordam.

Agora encontramos as quatro funções psicológicas juntas, já que o Leão, como mostra o filme, representa a falta de consciência da realidade – Sensação.

Finalmente encontram o Mágico de Oz. Porém seus problemas estão longe de terminar. Este dá uma função para eles. Têm que conseguir a vassoura da Bruxa. Após muito sufoco, com direito ao seqüestro de Toto, fuga bem sucedida como instinto que representa, corre em busca dos três companheiros de Dorothy e os traz até à torre onde ela está presa. Deparam-se com suas sombras, em forma de três guardas do castelo da Bruxa, as vencem, e se segue a descoberta de um homem comum (nem tão comum assim) por detrás das cortinas, já no Palácio das Esmeraldas.

É este o Mágico de Oz que, usando de bom senso, condecora a cada um deles. O Homem de Lata recebe um diploma de PHD (em “Pensamentologia”), o Leão uma medalha por sua coragem, com um conselho: que deixasse de confundir coragem com sabedoria, o que precisava era organizar seus pensamentos. Por fim, o Espantalho, um relógio em formato de coração que faz tic-tac bem alto, com as seguintes palavras do suposto Mágico: “E lembre-se, meu amigo sentimental, um coração não é julgado por quanto amor ele é capaz de sentir, mas sim por quanto ele é capaz de ser amado pelos outros”. Estão inteiros e conscientes. Desce a cortina.

E eu, meus caros, digo que um filme não pode ser julgado apenas pelo seu roteiro ou atores, mas pela intenção que temos em apreender algo com ele. .

E agora é hora de eu voltar para a minha estrada de tijolos dourados. Até breve!

Publicado dia 18/5/2007
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Autor: Valeria Trigueiro   
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