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Vida natural, vida saudável



A história do homem moderno está marcada por fatos ou situações que o colocam em sintonia quase que permanentemente ora com o passado, ora com o futuro. O presente está sendo necligenciado diante do verdadeiro teatro de operações em que resultou a vida em sociedade nos grandes centros urbanos. O sentir-se "aqui" como ponto de partida para investimento em qualidade de vida, ficou em segundo plano, sufocado pela neurótica necessidade em investir-se visando o futuro. Estamos esquecendo, portanto, de vivermos o presente em sua natural relação com o futuro...

Os povos indígenas, embora cultivassem a memória de seus antepassados e valorizassem os anciãos, viviam o presente com natural sabedoria. A eles não interessavam o passado ou o futuro, mas sim, o "estar aqui", tal era o universo simbiótico que os unia à natureza primitiva.

Hoje, ao desfrutarmos do conforto que o mundo moderno oferece, rotineiramente, costumamos nos queixar dos "azares" que a vida apronta. E aí surgem a dor de cabeça que não passa, a enxaqueca, a tristeza, a depressão... e um rol de somatizações resultantes de nossas próprias insatisfações internas.

Em muitos casos as queixas viram dependência química (hipocondria) para o resto da vida, comprometendo, seriamente, a qualidade de vida do indivíduo.

Observa-se pessoas que perderam o rumo e a qualidade de suas vidas. Outras que jamais tiveram um nível satisfatório de qualidade porque estiveram, durante todo este tempo, sintonizadas em fatos marcantes do passado, negligenciando, desta forma, o presente.

A vida existe para ser vivida como se fossemos estudantes sendo testados em um laboratório de aprendizagens onde as experiências devem ser consideradas, refletidas e assimiladas em nosso benefício. Porque se hoje nos queixamos da vida, imaginemos aqueles que, desesperadamente, lutam pela sobrevivência, ou ainda, em tempos idos, aqueles povos indígenas que nas condições mais adversas conseguiam sobreviver.

Em outros casos, o desespero atrai a idéia de suicídio que fica "martelando" em nossas cabeças como se fosse um escape emergencial e mágico na solução de nossos problemas. No entanto, hoje sabe-se que a concretização desta idéia somente aumenta o rol de problemas e atrasa o processo de evolução do próprio espírito.

Em face desta situação em parte caótica do homem moderno, tendência revelada à medida que distancia-se da mãe natureza, observemos, na outra ponta do "iceberg", à título de comparação para que possamos traçar um perfil do homem urbano, como viviam no sul da "tierra del fuego", os Onas, últimas populações indígenas encontradas pelos primeiros colonizadores europeus que chegaram, em fins do século XIX, à região conhecida como "fim do mundo" no extremo sul do continente americano.

Carlos Gallardo foi um cientista argentino que esteve a serviço do governo daquele país, na Terra do Fogo, para resolver uma questão que envolvia índios e colonizadores europeus daquela longínqua região. Acabou envolvendo-se com os Onas e acompanhando-os em seus constantes deslocamentos. Deste convívio, surgiu uma narrativa que transformou-se em um livro ou uma peça de coleção, dado o seu inestimável valor histórico. Em seu livro "Los Onas - una visión de princípios del siglo XX", Gallardo aborda importantes aspectos da cultura e do modus vivendi do povo Ona, ou seja, o dia-a-dia da luta pela sobrevivência em uma região cuja temperatura no inverno baixava até os 30 graus negativos.

Os Onas, geralmente, eram de estatura alta, com quatro fatores preponderantes para isso: a alimentação balanceada em nutrientes - carne vermelha, carne branca, ovos de pássaros, frutas do campo e raízes de plantas; as excelentes condições higiênicas em que viviam; o exercício natural, regular e constante; abstenção absoluta de bebidas alcoólicas, do tabaco, narcóticos ou outras substâncias químicas do gênero alucinógeno.

A respeito da atividade física entre os Onas, eram nômades e caçadores natos, principalmente do guanaco que lhes fornecia cerca de 80% do que precisavam para a alimentação, abrigo, vestuário e confecção de utensílios domésticos e armas de caça. Permaneciam, no máximo, uma semana acampados no mesmo lugar. Diziam que, ao adotarem este sistema, preveniam-se da possibilidade do surgimento de enfermidades.

À propósito, com relação a doenças, desconheciam ou não faziam idéia do significado do suicídio e, apesar de viverem em condições climáticas extremas no inverno, usavam como abrigo apenas uma capa e um calçado feitos de couro sovado do guanaco ou do lobo marinho que usavam com a parte da lã para fora "porque era assim que os animais usavam, por isso tinha uma razão de ser". Desconheciam também a existência da pneumonia ou demais doenças das vias respiratórias, assim como as patologias mentais surgidas no decorrer da vida. No entanto, a criança que nascia com alguma deformidade ou incapacidade permanente, era costume sacrificá-la.

Para os Onas, a vida era para ser vivida numa constante luta pela sobrevivência, pois a natureza da região exigia deles o estímulo psicológico necessário para a motivação e o prazer em viverem desta maneira. Uma idéia desta afirmação está na forma como o ancião encarava a velhice, pois sabia que, apesar de ser considerado e respeitado pelos jovens, um dia, não podendo mais acompanhar o deslocamento do grupo, seria deixado em uma choça com uma ração de água e comida para alguns dias.

Consta, conforme testemunho do próprio Gallardo, que um ancião deixado para trás dois anos antes, fora encontrado por acaso dois anos depois quase só pele e osso, mas ainda lutando bravamente pela vida.

Nos dias atuais da sociedade moderna, virou moda a ironia em relação a fazer-se "programa de índio". No entanto, não é deste tipo de programa junto à natureza de que estamos cada vez mais precisando? Uma caminhada no parque ou mesmo na praça junto a gramados, flores e árvores. Um passeio no jardim botânico ou um piquenique à beira de um rio ou lago. Exercícios físicos e mentais que terapeuticamente nos beneficiem, propiciando este contato direto com a mãe natureza...

Os índios primitivos - e os Onas em questão - adaptando-se às condições que a vida lhes ofereceu, nos deixaram um magnífico exemplo de como viver com motivação e prazer, pois é através do sentido da luta pela sobrevivência que assimilaremos ou não, as lições que o laboratório da vida tem a nos oferecer.

Psicanalista Clínico de Orientação Reencarnacionista.
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Texto revisado por Cris
Publicado dia 25/2/2007

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Autor: Flávio Bastos   
Flavio Bastos é criador intuitivo da Psicoterapia Interdimensional (PI) e psicanalista clínico. Outros cursos: Terapia Regressiva Evolutiva, Psicoterapia Reencarnacionista, Terapia Floral, Psicoterapia Holística, Parapsicologia, Capacitação em Dependência Química, Hipnose e Auto-hipnose e Dimensão Espiritual na Psicologia e Psicoterapia.
E-mail: flavio01bastos@gmail.com | Mais artigos.

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