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Medo do escuro ou da luz?


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"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro. A tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz". (Platão)

O dicionário define a palavra escuridão como "falta de luz, trevas e cegueira completa". No entanto, desde tempos imemoriais, o homem convive com o temor do escuro, ou seja, com a ausência da luz que provoca-lhe medo e torna fértil a sua imaginação.

Na história da humanidade, muitas estratégias de batalhas, atos de traição, juras de amor e obras de arte foram realizadas na calada da noite, tendo a escuridão como um manto negro que encobria as verdadeiras intenções de seus autores.

A escuridão nos envolve numa aura de mistério e medo porque nos primórdios da humanidade estávamos longe do topo da cadeia alimentar. Nossos ancestrais rapidamente aprenderam que muitos predadores preferiam se esconder à noite para caçar, e essa associação foi fortalecida no nosso subconsciente, que advertia: fique longe da escuridão, é nela que está o perigo.

Com o passar do tempo, a luz do conhecimento começou a penetrar na área do desconhecido, a iluminar o que antes era treva da ignorância e a tornar a convivência humana mais visível e menos misteriosa.

Desta forma, o planeta Terra foi desbravado pelo progresso oriundo das descobertas e do avanço científico e tecnológico, tornando-se um mundo mais conhecido e habitável, apesar da pobreza, do preconceito racial e do ódio étnico que ainda existe em algumas regiões do planeta.

Contudo, apesar da evolução, o medo do escuro permanece latente, camuflado pelo conjunto de crenças e valores de sociedades cujo consumismo é a "alma do negócio". Evoluímos, mas o avanço conquistado continua refém de um estado de coisas que prioriza o ego, o prazer e o imediatismo como moedas de troca de um sistema que tem como um de seus principais lemas o "teste de São Tomé": precisamos ver para crer.

Essa associação de fatores, de certa forma, impede que o processo evolutivo flua como deveria fluir, à medida que condiciona a crença à imagem materializada, ou seja, ver com os olhos aquilo que se apresenta concreto e palpável aos nossos sentidos, para depois acreditar.

Premissa que limita a percepção humana aos cinco sentidos (sensorialidade comum) e que mantém o conhecimento conquistado nos últimos séculos, atrelado à definição clássica da palavra escuridão: "trevas, mistério, ausência de luz, cegueira completa".

Medo do escuro revela em seus bastidores ser uma questão individual ou coletiva. Porém, unida por um significado de larga abrangência: o desconhecimento de si mesmo inserido numa realidade de visão unilateral da natureza humana. Constatação que limita, mas não impede o homem de buscar o saber e o autoconhecimento pelo caminho da transcendência.

Neste sentido, com muita sensibilidade, Carl Gustav Jung registrou para a posteridade: "Uma psicologia que satisfaz somente o intelecto, por si só nunca será capaz de abranger a totalidade da alma. Quer queiramos ou não, mais cedo ou mais tarde, o fator cosmovisão terá que ser levado em conta, porque a alma está em busca de sua totalidade".

Além da filosofia de Platão e da psicologia de Jung, podemos encontrar os significados da vida numa frase do poeta Samuel Ranner: "Aquele que possui uma visão unilateral da vida, não está preparado para compreendê-la como um todo". E nos escritos de Clarice Lispector: "Andar na escuridão à procura de nós mesmos é o que fazemos".

Portanto, ao mesmo tempo que provoca temor, a escuridão desafia o homem a iluminar-se através do saber e do conhecimento de si próprio inserido em um contexto existencial e universal. A expandir a sua consciência muito além de uma visão "acomodada" da vida.

Nos dias atuais, não padecemos mais de cegueira existencial completa porque a luz do conhecimento começa a iluminar áreas da inconsciência humana, trazendo informações relevantes e inéditas a respeito de nossa natureza interdimensional. Caminho iniciado pelos sábios da antiguidade e percorrido atualmente pelos buscadores da verdade que desafiam as trevas do desconhecido como faziam os nossos ancestrais com o seu ambiente natural.

O medo do escuro é atávico e ainda representa para muitos a insegurança que a ausência de luz provoca. No entanto, aos poucos, estamos evoluindo no sentido de dominar e superar a sensação de fragilidade e impotência diante do desconhecido. Hoje, a escuridão não incute mais pavor porque superamos a "infância" de nossas crenças, adquirindo uma visão abrangente de nossa natureza, que nos traz segurança e confiança nas próprias possibilidades. Aprendemos que a vida não é uma tragédia e que não devemos ter medo da Luz.

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Conteúdo desenvolvido por: Flávio Bastos   
Flavio Bastos é criador intuitivo da Psicoterapia Interdimensional (PI) e psicanalista clínico. Outros cursos: Terapia Regressiva Evolutiva (TRE), Psicoterapia Reencarnacionista e Terapia de Regressão, Capacitação em Dependência Química, Hipnose e Auto-hipnose, e Dimensão Espiritual na Psicologia e Psicoterapia.
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