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Sem medo de ser feliz - Caso Clínico

por Cleide Neuza Fernandes Maia

Publicado dia 20/6/2008 em Vidas Passadas

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Dolores é uma mulher de trinta e oito anos, solteira, sem filhos. Filha de um casal de médicos, família participativa e tradicional da cidade. Mora sózinha. Ela é morena, alta, cabelos lisos na altura dos ombros, magra, esbelta e veste-se elegantemente. Economista bem sucedida, situação financeira bem estruturada. É uma pessoa de personalidade jovem, decidida e corajosa, dona de si, mas perdida no emaranhado de suas emoções.

Dolores, quando veio fazer o tratamento, mostrou-se carente e insegura nas suas relações afetivas. Sentia que havia algo interno - na sua mente - que a atrapalhava, bloqueando suas buscas e interações com as outras pessoas, especialmente no sentido amoroso (conjugal). Relatou que, constantemente, sem nenhum motivo aparente, era tomada por uma tristeza intensa, devastadora. Esta não só causava prejuízos na sua vida pessoal, mas muitas vezes também profissionalmente. Disse que sentia muito medo de solidão, que desejava gostar de alguém, mas o medo de gostar e perder ou ser traída por ela era maior.

Dolores já teve algumas pessoas em sua vida com as quais namorou, se relacionou de forma mais íntima, porém, como dizia ela, "da porta para fora”, nada fez parte de sua "casa interior". Isto é, internamente nunca conseguiu se envolver. Seus relacionamentos eram superficiais e passageiros. Sentia-se infeliz e diferente diante das outras pessoas.

Esta mulher procurou o tratamento na tentativa de descobrir fatos que justificassem a presença dessas dificuldades de relacionamento, dessas barreiras que por tanto tempo a impediram de envolver-se afetivamente de forma mais profunda e, então, tratá-las. Dolores queria ser livre e aberta para fazer escolhas e vivê-las intensamente, ter uma vida mais amorosa, com maior envolvimento e entrega. Buscamos, então, a causa desse "transtorno afetivo". Numa regressão, Dolores revive uma jovem de 17 anos, bonita, alegre e solta, andando livre pelas ruas. Naquela revivência era filha única de uma família afetuosa, bem formada, boa condição econômica, mas sem grandes poderes. Naquele momento o poder era muito importante, mandava e determinava situações.

Aos dezoito anos, caminhando numa rua, surgem dois homens que a agarram e prendem-na a mando de um outro homem. Este poderoso e temido queria se casar com ela. Como ela já havia recusado seu pedido, resolveu prendê-la para que ali na prisão "pensasse melhor" e decidisse se unir a ele. Mas foi firme e continuou recusando. Preferiu morrer. Ali passou vinte anos, numa prisão de pedras, fria, escura e úmida. Sozinha, suas roupas eram farrapos imundos, o corpo sendo "comido" por uma doença que contraiu ali. Vai morrendo aos poucos... Braços e pernas antes acorrentados já não existiam mais, só o tronco. O odor do próprio corpo era horrível. E assim, morre só, inflexível, sem se deixar ser envolvida pelo outro.

Dolores entende o medo da solidão e o medo de se envolver com alguém que a ame. Isso, até então, significava “perder a vida e morrer de solidão”. Sem as marcas profundas do passado se sente livre para retomar sua vida sem medo de ser feliz.

Texto revisado por Cris

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Sobre o Autor: Cleide Neuza Fernandes Maia   
Psicóloga, atua numa aboradagem psicanalítica e utiliza técnicas de hipnose e regressão.
E-mail: [email protected]
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