Home >
Espiritualidade
Silêncio e Presença
por Paulo Roberto Savaris
O caminho interior que reconcilia o humano com a vida
Uma reflexão sobre como o silêncio vivido com presença pode transformar nossas escolhas, relações e modo de habitar o mundo.
Vivemos em um tempo em que tudo fala ao mesmo tempo.
Notificações, opiniões, urgências, ruídos — externos e internos.
Ainda assim, algo em nós continua buscando silêncio.
Não o silêncio vazio, mas aquele que
acolhe, orienta e devolve sentido.
Este texto não oferece respostas prontas.
Ele é um convite:
parar, respirar e escutar — como Jesus fez, como Francisco aprendeu, como a própria natureza ainda ensina.
O silêncio não é ausência: é presença amadurecida
Na tradição espiritual, o silêncio nunca foi fuga do mundo.
Sempre foi
preparação para habitá-lo melhor.
Jesus se retirava para lugares desertos não para escapar das pessoas,
mas para
reencontrar o centro antes de voltar a elas.
Francisco de Assis aprendeu algo semelhante:
quem escuta a si mesmo com honestidade, passa a escutar o outro com compaixão.
Quem silencia diante da criação, aprende a
pertencer, não a dominar.
O silêncio verdadeiro não cala a vida —
ele
retira o excesso para que o essencial possa falar.
A natureza como mestra do silêncio
Antes das palavras, a criação já praticava silêncio.
As árvores não disputam atenção.
Os rios não se apressam.
As montanhas não explicam sua grandeza.
A natureza nos ensina que presença não depende de ruído.
Ela simplesmente
é.
Por isso, ao longo do
Caminhando com Francisco, aprendemos que:
-
a Terra não grita — ela sussurra;
-
cada criatura tem um nome no coração de Deus;
-
caminhar descalço é um gesto de respeito;
-
o lobo interior precisa ser reconciliado;
-
a natureza não é cenário, é parente;
-
os pássaros ensinam a confiar;
-
o louvor nasce do chão.
Essas reflexões formam um mesmo fio:
não há presença sem escuta, nem escuta sem silêncio.
Esses textos podem ser encontrados no conjunto de reflexões disponíveis no
Blog Caminhando com Francisco
https://www.caminhandocomfrancisco.com/blog
Jesus no deserto: silêncio como lugar de decisão
O deserto, na experiência de Jesus, não foi punição nem prova cruel.
Foi
clareza.
No silêncio do deserto, as tentações aparecem não como monstros,
mas como
atalhos: poder, pressa, espetáculo.
O silêncio revela aquilo que o barulho esconde.
Por isso, ele é lugar de decisão.
Também hoje, quando nos permitimos silenciar,
descobrimos o que realmente nos move —
e o que apenas nos empurra.
O silêncio não elimina conflitos,
mas nos ensina a atravessá-los sem perder a alma.
Presença: o fruto maduro do silêncio
Silêncio não é o fim do caminho.
Presença é.
Presença é estar inteiro onde os pés estão.
É não correr quando o Reino caminha.
É confiar mesmo quando o mar se move.
É cuidar sem dominar.
É repartir sem
medo da escassez.
Jesus dormia no barco porque confiava.
Jesus caminhava porque sabia o tempo das coisas.
Jesus olhava os lírios porque compreendia a pedagogia da natureza.
A presença nasce quando o silêncio deixa de ser técnica
e se torna
postura diante da vida.
Um convite simples
Talvez o que nos falte não seja resposta,
mas
espaço interior.
Talvez o próximo passo não seja fazer mais,
mas
escutar melhor.
Que este texto não termine aqui,
mas continue no seu ritmo,
no seu corpo,
no seu cotidiano.
O silêncio não nos afasta do mundo.
Ele nos devolve a ele com mais humanidade.
Um Sonhador, Caminhando com Francisco - Paulo Roberto Savaris – Autor dos eBooks Série,
Descubra Caminhando com Francisco e
O Eremita Digital – Silêncio no Caos Moderno. Reflexões sobre espiritualidade, fé, natureza e simplicidade.
https://www.caminhandocomfrancisco.com/
Texto Revisado
Atualizado em 1/7/2026
© Copyright - Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução dos textos aqui contidos sem a prévia autorização dos autores.