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Quando Comecei a Escutar Mais a Natureza que o Mundo

Quando Comecei a Escutar Mais a Natureza que o Mundo

por Paulo Roberto Savaris
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Primeiros sinais de conversão interior

Uma reflexão sobre o instante em que o ruído externo perde autoridade e a criação passa a orientar o coração.
 
Houve um tempo em que eu escutava tudo.
As notícias, os alertas, as disputas, as urgências inventadas.
O mundo falava alto — e eu obedecia.

Mas a alma permanecia cansada.

Foi então que, quase sem perceber, comecei a escutar outra coisa.
Não veio em forma de argumento.
Nem de livro.
Nem de sermão.

Veio em forma de presença.

O rangido suave de uma árvore ao vento.
O silêncio entre um canto de pássaro e outro.
O som da terra sendo revolvida pelas mãos pequenas de uma criança.
O olhar atento de um animal que não julga, apenas acompanha.

Enquanto o mundo exigia opinião,
a natureza oferecia pertencimento.

Jesus conhecia bem esse caminho.

Ele não se formou nos centros de poder.
Não se revelou nos palácios.
Sua linguagem nasceu do campo, da água, da semente, do pão, do peixe, do vento.

Jesus escutava a criação —
porque sabia que ela também é Palavra.

Foi ali que comecei a compreender:
talvez minha conversão não estivesse em aprender mais,
mas em escutar melhor.

Escutar sem pressa.
Escutar sem responder.
Escutar sem transformar tudo em utilidade.

A natureza não explica — ela revela. Se desejares aprofundar: Irmã Terra Não Grita: Ela Sussurra https://www.caminhandocomfrancisco.com/post/irm%C3%A3-terra-n%C3%A3o-grita-ela-sussurra

E quanto mais eu me afastava do excesso de telas, discursos e urgências,
mais algo em mim se reorganizava.

O coração desacelerava.
A ansiedade perdia força.
O medo já não ocupava tanto espaço.

Não era fuga do mundo.
Era cura da relação com ele.

Francisco de Assis chamava isso de fraternidade universal.
Irmã árvore.
Irmão sol.
Irmã água.

Não como poesia romântica,
mas como consciência espiritual.

Quando comecei a escutar mais a natureza que o mundo,
percebi que ela não me pedia desempenho,
apenas presença.

Ela não me cobrava resultados,
apenas cuidado.

Ela não me oferecia controle,
mas confiança.

Ali, os primeiros sinais de conversão interior se tornaram claros:
menos necessidade de ter razão,
mais desejo de estar inteiro.

Menos barulho,
mais sentido.

Menos pressa para chegar,
mais disposição para habitar.

Talvez seja isso que Jesus nos ensinou ao caminhar:
o Reino não grita,
não disputa,
não corre.

Ele cresce — como cresce uma árvore.

Em silêncio.
Em profundidade.
Em fidelidade ao tempo certo.

E desde então, sempre que o mundo volta a gritar,
eu retorno à terra.

Porque foi ali que reaprendi a escutar Deus. Leia também:  Jesus e o Deus que Mora Fora dos Templos https://www.caminhandocomfrancisco.com/post/sil%C3%AAncio-e-presen%C3%A7a#google_vignette

 Um Sonhador, Caminhando com Francisco - Paulo Roberto Savaris – Autor dos eBooks Série, Descubra Caminhando com Francisco e O Eremita Digital – Silêncio no Caos Moderno. Reflexões sobre espiritualidade, fé, natureza e simplicidade. https://www.caminhandocomfrancisco.com/

Texto Revisado


Autor: Paulo Roberto Savaris
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Atualizado em 1/10/2026


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