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Autoconhecimento
Situações Típicas de quem está atolado na Matrix
por Dalton Campos Roque
Chamo de matrix o conjunto de condicionamentos mentais, emocionais e comportamentais que aprisionam a consciência numa rotina automática, reativa e pouco lúcida. Não se trata de teoria conspiratória cinematográfica, mas de um sistema social, cultural, econômico e psicológico que se alimenta da distração, da impulsividade e da ausência de discernimento.
O mundo contemporâneo, o comércio, os negócios, as redes sociais e até parte da
espiritualidade popular estão impregnados de malícia normalizada: clickbait, copywriting apelativo, drama fabricado, foco obsessivo no negativo, exploração do medo, algoritmos que emburrecem, religião e política hiperpolarizadas, fake news industrializadas, feminismo e machismo em versões tóxicas, misoginia muitas vezes reproduzida pelas próprias mulheres, entre outros sintomas.
A matrix tornou-se patológica porque deixou de ser apenas um ambiente e passou a moldar o funcionamento interno das pessoas. Emoções são sequestradas, a atenção é fragmentada e o senso crítico é corroído. Por isso, é indispensável vigilância consciencial constante para não ser arrastado pelos tsunamis emocionais coletivos, pelas armadilhas comerciais, pelas seduções fáceis e pelas corrupções sutis que hoje são socialmente aceitas, incentivadas e até premiadas.
Abaixo estão algumas situações corriqueiras que revelam esse aprisionamento. São
comportamentos aparentemente banais, mas que, vistos em conjunto, formam um padrão claro de inconsciência funcional.
• Guiar o carrinho de compras no supermercado bloqueando corredores, atravessando pessoas e ignorando completamente o entorno. Aqui não é distração inocente, é egocentrismo automático, a sensação de que o mundo gira em torno do próprio umbigo.
• Usar e consumir clickbait em redes sociais, portais de notícias e sites diversos. Títulos exagerados, sensacionalistas ou enganosos que manipulam emoção, curiosidade e medo, reduzindo o leitor a um reflexo condicionado.
• Ter curiosidade compulsiva por fofocas de celebridades artísticas. A vida alheia vira entretenimento anestésico que substitui reflexão, autocrítica e crescimento real.
• Repetir o mesmo padrão com celebridades esportivas, tratando jogadores, técnicos ou atletas como entidades quase míticas, projetando neles frustrações e desejos pessoais não resolvidos.
• Alimentar foco constante em notícias negativas, acidentes, crimes e violências, acreditando estar “bem informado”, quando na verdade está apenas intoxicando o campo emocional e reforçando uma visão distorcida da realidade.
• Responder com fúria a desconhecidos nas redes sociais, como se o outro fosse uma ameaça pessoal. Trata-se de descarga emocional descontrolada, não de diálogo.
• Corrigir pessoas publicamente por vaidade e sensação de superioridade moral ou intelectual, usando erros alheios como palco para inflar o próprio ego.
• Acreditar e repassar notícias falsas por preguiça cognitiva, desleixo intelectual ou adesão emocional ao conteúdo, sem checar fontes, contexto ou coerência mínima.
• Dirigir de forma competitiva no trânsito, disputando espaço como se estivesse em uma arena, imitando massas impensantes e abandonando qualquer postura preventiva, responsável e lúcida.
• Frequentar ambientes densos ou manter companhias claramente nocivas acreditando que “vai tirar algo bom disso”, quando na prática só reforça padrões de desgaste, conflito e contaminação emocional.
• Tentar tirar vantagem em situações improvisadas, explorando brechas, mentindo ou enganando pessoas, normalizando a malandragem como se fosse inteligência.
• Participar de esportes ou jogos entre amigos e não saber perder, apelando para gritos, agressividade ou trapaça, revelando infantilidade emocional travestida de competitividade.
• Atacar quem pensa diferente, especialmente quem sustenta posições antagônicas às próprias, tratando divergência como ameaça e não como oportunidade de reflexão.
• Polarizar na política de forma fanática, substituindo análise por slogans, repetição de palavras de ordem e idolatria de líderes ou ideologias.
• Repetir o mesmo fanatismo no campo religioso, defendendo crenças como se fossem identidades pessoais atacadas, incapaz de diálogo, nuance ou autocrítica.
• Não saber argumentar, pensar ou expor ideias de forma racional e respeitosa, recorrendo ao ataque pessoal, à ironia rasa ou à agressividade gratuita contra anônimos nas redes.
• Indignar-se superficialmente com crimes, acidentes ou tragédias sem qualquer aprofundamento, contexto ou compreensão das causas estruturais, emocionais e sociais envolvidas, limitando-se à reação automática.
Estar atolado na matrix não é uma condição rara nem restrita a “pessoas ignorantes”. É um risco permanente para qualquer consciência que relaxa o discernimento, terceiriza o pensamento e se deixa conduzir por impulsos coletivos. A saída não está em isolamento social nem em arrogância espiritual, mas em lucidez, autodomínio emocional, senso crítico e responsabilidade pessoal.
Romper com a matrix começa em gestos simples: observar reações, questionar impulsos, checar informações, escolher melhor ambientes, conteúdos e companhias. Não se trata de ser perfeito, mas de ser consciente. A matrix se sustenta na distração. A consciência, quando desperta, já é em si um ato de libertação.
Texto Revisado
Autor: Dalton Campos Roque
Médium, projetor astral consciente, sensitivo, escritor e editor consciencial, autor de dezenas de obras espiritualistas. Eng. Civil e Professor de Informática (aposentado), pós-graduado em Estudos da Consciência com ênfase em Parapsicologia, e em Educação em Valores Humanos (linha de Sathya Sai baba). @Consciencial YT: @DaltonRoque
E-mail: [email protected]
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Atualizado em 1/21/2026
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