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Espiritualidade
Chakras: um antigo mapa do corpo e uma descoberta intrigante
por Colégio dos Magos
Há muitos séculos, diferentes tradições indianas descrevem
centros no ser humano que não pertencem à anatomia que podemos observar
diretamente.
São os chakras - centros associados, dentro dessas
tradições, à circulação da energia vital, à percepção e a processos de
transformação interior.
Hoje, a imagem dos sete chakras tornou-se tão conhecida que
é fácil esquecer a pergunta mais interessante por trás dela:
o que levou
seres humanos, séculos atrás, a construir mapas tão detalhados de algo que
afirmavam perceber dentro de si mesmos?
Essa pergunta se torna ainda mais intrigante quando
encontramos a história da bioquímica Esther del Río.
Porque ela não estava procurando chakras.
Estava tentando descobrir o que eram certas partículas que
insistiam em aparecer em preparações de tecidos animais.
Tudo começou com uma aparente contaminação
Em 1968, depois de realizar estudos no exterior, Esther del
Río retornou ao México. Química-bióloga formada pelo Instituto Politécnico
Nacional e doutora em Ciências com especialidade em Bioquímica, passou a
trabalhar na preparação de cortes de tecidos animais para observação
microscópica.
Apesar dos cuidados adotados no laboratório, partículas
apareciam repetidamente nas amostras.
Pareciam contaminação.
O procedimento mais simples seria eliminá-las e continuar o
trabalho.
Esther fez algo diferente: decidiu descobrir o que eram.
Segundo o relato de sua pesquisa, ao analisar aquele
material encontrou compostos de ferro com propriedades magnéticas. A aparente
interferência tornou-se então uma nova pergunta:
de onde vinha aquele ferro?
A investigação tomou outro rumo.
Esther passou a propor que aquelas partículas não estariam
simplesmente espalhadas ao acaso pelo organismo. Elas fariam parte de uma rede
extracelular organizada, relacionada a processos de oxidação e redução e à
produção de fenômenos eletromagnéticos.
Ela chamou esse sistema de
ECOR - Cofator Extracelular de
Óxido-Redução, referindo-se também a ele como um corpo eletromagnético.
E aqui a história começa a ficar particularmente
interessante.
Uma geografia dentro do corpo
Na concepção desenvolvida por Esther, o ECOR não seria um
conjunto de pequenos fenômenos magnéticos independentes.
Existiria uma organização. Uma geografia espacial dentro
do organismo.
Ao utilizar um aparelho de raios X modificado com ímãs,
Esther relatou observar regiões nas quais essas concentrações magnéticas se
tornavam mais pronunciadas.
Foi então que encontrou uma correspondência que não estava
procurando.
Segundo sua interpretação, algumas dessas regiões coincidiam
com aquelas tradicionalmente relacionadas aos
chakras.
Esther descreveu ainda uma organização em forma de vórtice e
um fluxo percorrendo o organismo de baixo para cima, relacionando suas
observações às antigas descrições orientais.
Isso não significa que uma experiência de laboratório tenha
simplesmente "provado os chakras".
A história é interessante por uma razão mais sutil.
Uma pesquisadora que partiu de partículas encontradas em
tecidos terminou diante de um mapa que seres humanos já utilizavam, em outro
contexto e com outra linguagem, muitos séculos antes.
E isso nos devolve aos próprios chakras.
Os chakras nem sempre foram os sete círculos coloridos
Os antigos sistemas de chakras são mais diversos do que sua
representação contemporânea pode fazer parecer.
Diferentes tradições indianas desenvolveram diferentes mapas
do chamado corpo sutil. O número de centros, suas posições, representações e
funções não foram idênticos em todos os textos e linhagens.
Sistemas elaborados de chakras aparecem especialmente nas
tradições tântricas medievais e, posteriormente, em diferentes vertentes do
Yoga.
Um texto particularmente influente é o
Sat-cakra-nirupana,
composto por Purnananda no século XVI. Nele encontramos seis centros, além do
Sahasrara,
e a descrição da ascensão de
Kundalini pelo canal central.
Mas há algo mais importante do que simplesmente contar
quantos chakras aparecem em determinado texto.
Esses mapas foram concebidos para serem vividos, não
apenas estudados.
Dentro dessas tradições, os chakras estão relacionados à
circulação da energia vital e a processos de equilíbrio e transformação. Por
isso, conhecer seus nomes ou compreender intelectualmente sua localização nunca
foi exatamente a mesma coisa que trabalhar com eles.
É justamente aqui que uma antiga ideia se aproxima de uma
questão muito contemporânea.
Podemos acumular enormes quantidades de conhecimento sobre
nós mesmos sem que esse conhecimento necessariamente nos transforme.
Há uma diferença entre
saber alguma coisa e
desenvolver a capacidade de
percebê-la em nossa própria experiência.
Quando conhecimento se transforma em caminho
Essa diferença também está presente no Curso de Formação do
Colégio dos Magos.
Os chakras não aparecem como uma técnica independente ou
como uma curiosidade sobre o chamado corpo energético. Seu estudo faz parte de
uma progressão.
Antes deles, na Antecâmara, o estudante trabalha fundamentos
como atenção, concentração, respiração consciente, observação e percepção
interior.
Na Primeira Câmara, esse percurso se aprofunda com o estudo
do organismo bioenergético, da circulação da vitalidade e dos chakras,
acompanhado de práticas relacionadas a esses centros.
A ordem é importante.
Primeiro, aprender a observar. Depois, desenvolver condições
para perceber com maior clareza aquilo que acontece em nossa própria
experiência. E aquilo que é desenvolvido nessa etapa prepara, por sua vez, o
trabalho das etapas posteriores.
Talvez essa seja também uma maneira interessante de olhar
para os antigos mapas do ser humano.
Podemos perguntar se são símbolos. Podemos investigar sua
história. Podemos examinar relatos como o de Esther del Río e as
correspondências que ela acreditou encontrar.
Mas podemos fazer ainda outra pergunta:
por que tantas tradições consideraram insuficiente apenas
conhecer esses mapas - e insistiram que algumas coisas só podem ser realmente
compreendidas quando se tornam experiência?
Fontes e referências
DEL RÍO SERRANO, Esther. Ciencia: el agua de tu
Ser - Por las Venas Corre Luz. Material dedicado às pesquisas da autora
sobre partículas ferroso-férricas, o Sistema ECOR ou "corpo eletromagnético" e
as correspondências por ela propostas entre concentrações magnéticas no
organismo e os chakras.
PRATES, Luciana Cangussu. "Noções introdutórias sobre
os chakras no Hinduísmo".
Interações, v. 18, n. 1, 2023. Estudo
acadêmico sobre os chakras no contexto do Hinduísmo, das Yoga Upanishads e das
tradições tântricas.
PURNANANDA. Sat-cakra-nirupana ("Descrição dos
Seis Centros"), século XVI. Texto sânscrito dedicado aos centros sutis e à
ascensão de
Kundalini, posteriormente traduzido e comentado no Ocidente
por Sir John Woodroffe.
WOODROFFE, Sir John (Arthur Avalon). The Serpent
Power: Being the Sat-cakra-nirupana and Paduka-pañcaka: Two Works on Laya-Yoga.
Publicado originalmente em 1919. Obra que apresenta tradução e comentário do
Sat-cakra-nirupana
e que teve papel importante na difusão desse sistema de chakras no Ocidente.
Autor: Colégio dos Magos
Adriano Villas-Bôas integra a equipe do Colégio dos Magos, dedicando-se à investigação da consciência, da transformação interior, da filosofia e das tradições de conhecimento, com atenção ao diálogo entre experiência, interpretação e evidência. Visite nosso site: https://www.colegiodosmagos.com.br
E-mail: [email protected]
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Atualizado em 10/5/2026
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