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Memória extra-cerebral?

Publicado por Silvia Malamud em Psicologia

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Crianças por volta de dois anos de idade até mais ou menos sete anos muitas vezes revelam histórias incríveis sobre o que poderíamos chamar de outras vidas. Relatos é o que não faltam e se as tais lembranças acontecem nos lugares onde crenças sobre reencarnação imperam, as histórias tornam-se mais verossímeis e de acordo com moradores locais, com evidências.

Conta-se, por exemplo, sobre uma criança que reencarna na mesma família em que foi um pescador morto por afogamento. Todos têm a certeza de que a criança seria o pai de sua mãe atual. Nos relatos sobre as evidências contam que na vida anterior, o pescador havia dado um relógio à filha avisando-a que na próxima encarnação viria buscá-lo comprovando a existência da reencarnação. O fato foi que a filha, agora mãe do menino de 2 anos havia guardado o relógio há anos e de acordo com a mesma, esquecido do trato. Conta que num determinado dia resolveu olhar suas relíquias e que o menino, que estava por perto olhou fixamente para o relógio reconhecendo-o. Este saltou de imediato para pegá-lo e foi logo dizendo: ah... você guardou o meu relógio! Como junção de evidências, o pai que era pescador havia morrido afogado e que o menino logo após ter nascido esteve com graves problemas respiratórios e que tinha muito medo de entrar no mar. Com o tempo, seus pulmões ficaram bons e seu medo de entrar no mar se esvaiu sendo que muito precocemente se mostrou um dos melhores pescadores locais, com uma habilidade indescritível para lidar com nós de embarcações, justamente como seu avo um dia havia sido. Reconheceu também nomes e lugares nunca antes ido por ele com tão pouca idade.

Existe um estudo que se chama memória extra-cerebral e neste as pessoas recordam de episódios sem conexão com a rede de lembranças como a conhecemos. Existem inúmeros casos de memórias não correlacionadas com a linha de tempo de historia pessoal conhecida pela própria pessoa. Quem já teve a conhecida sensação de "Deja vu" sabe o que isso significa.

A pergunta que fica é o que de fato seriam essas supostas lembranças, seriam apenas imaginação? Memórias de vidas passadas? Acesso a outras realidades? Fantasias? Loucura? Sonho acordado? Devaneios?
Einstein postula que "toda imaginação é um acesso a outra realidade".

Dentro do trabalho que desenvolvo em EMDR, de momento concluo que tudo é percepção e que tudo o que aparece num reprocessamento pode ser uma forma de realidade, se estiver a serviço eficiente de cura emocional de situações que nos perturbam.

Contarei dois relatos e gostaria que tirassem suas próprias conclusões. São dois processos sobre o mesmo tema, medo de altura, onde percursos totalmente particulares e diferentes promoveram a resolução de conflitos. Vejam e reflitam:

Paciente X, 27 anos, veio ao consultório com a queixa de que aos 23 anos teve uma crise de pânico quando se viu sozinho, em pleno vôo. Conta que sempre teve medo de altura e que a consciência de que estava no alto e suspenso no ar foi o evento disparador para entrar em desespero. A partir daí, foge de qualquer situação de risco emocional nesta ordem, ou seja, evita estar em locais altos. Viagens de avião, nem pensar. Conta que a última versão deste medo deu-se quando estava com a namorada numa varanda e que, por segundos, teve a nítida sensação de que ela iria se desequilibrar e cair da sacada do terceiro andar. Após este episódio, decidiu buscar ajuda terapêutica através do EMDR.

Durante o período do reprocessamento, várias cenas inusitadas foram surgindo e gradativamente foram dando um sentido maior sobre o seu medo de altura. Mas o reprocessamento ainda não estava concluído, as sensações de mal-estar, angústia e pânico persistiam ate que, num dado momento, sua mente trouxe uma lembrança reveladora. X recordou-se de um episódio esquecido no tempo. Recordou-se aos 3 anos de idade, na varanda do seu apartamento, com o avô que havia ficado em casa justamente para tomar conta dele enquanto seus pais tinham saído. Seu avô o chama para comprar sorvete. Ocorre que no caminho, já em plena rua, seu avô tem um mal estar e cai no chão desmaiado. X sente o pânico de não saber o que estava acontecendo e mais, sente o desespero de nem saber naquela idade como poderia votar ao apartamento. Na sua mente de criança e em seu trauma, a varanda e a altura, o mal-estar do seu avô e o pânico do desamparo uniram-se num bloco único e hermético. E em sua vida adulta o que disparava todo aquele desconforto emocional mal resolvido era sempre o símbolo de alguma altura, a varanda onde seu avô pegou em sua mão para descer. X lembrou-se naquele momento, com se estivesse num caleidoscópio perceptivo congelado, da paisagem que viu da varanda, do momento em que deu a mão para o avô, da descida de elevador, do avô, "alto" caindo na rua desmaiado e de seu pânico e medo somados ao momento em que perguntavam referências sobre seu avô e sobre ele mesmo. Naquele momento do EMDR, destravou tudo e depois disso pôde libertar-se de um tempo difícil que havia ficado sem compreensão para uma criança de apenas 3 anos de idade. Ao longo de sua vida, outras situações vivenciadas foram se associando e reforçando essa perturbação traumática.

"Às vezes as associações e vivências curam, às vezes reforçam o trauma, até que chega um momento em que vemos necessidade emergente de resolução".

Como conseqüência do reprocessamento, X foi se habilitando a perceber que altura não tinha mais a referência naquele tipo de desespero e gradativamente começou a fazer viagens de avião com tranquilidade. Outras áreas de sua vida também mudaram a partir disso.Paciente "Y": Também chega ao consultório com a queixa de medo de altura. Esta passando por uma situação de divórcio, final de um ciclo de vida e decide nesta ocasião dar um salto de pára-quedas. Ocorre que entra em pânico e não consegue dar o salto. Conta também sobre sua hesitação de voar de avião porque sempre foi tomado por medo avassalador.
"Y" Tem 40 anos de idade e decide resolver de vez esse medo de altura e principalmente de voar.
Após cumprirmos o protocolo inicial de EMDR e começarmos o reprocessamento propriamente dito, Y conta que se vê pilotando um avião pequeno. Aos poucos começa a ser atravessado por uma sensação de muito medo de morrer. Chora compulsivamente. Durante seu processo de ab-reação, Y conta uma história interessante sobre a segunda guerra mundial, sobre quando estava pilotando um avião e do momento em que este é abatido em pleno vôo ocasionando a sua suposta morte. Conta também sobre detalhes do que viu ao redor e sobre o momento em que o avião começou a pegar fogo caindo em alta velocidade. "Relembra-se" do que pensou nos instantes finais de sua vida.
"Re" - vive o pânico da queda e o medo da morte.
Ainda durante o reprocessamento entende que o divórcio representa também uma morte e uma queda de ideais construídos e vai fazendo as conexões de modo espontâneo.
Y ainda faz várias sessões e pouco a pouco vai juntando e reprocessando inúmeros outros pontos importantes de sua vida, aos poucos se fortalecendo nessa "nova vida" e, por fim, conseguindo alçar suas novas e desconhecidas empreitadas, inclusive, dando conta de fazer seu salto de pára-quedas. Iniciando-se em novos vôos...

Teriamos aqui um caso de Memória extra-cerebral? Vidas passadas? Imaginação? Simbolismos dos sonhos? Cenários da vida atual?

- Pouco importa o caminho, o que vale é como nosso cérebro inteligentemente soluciona nossos conflitos e perturbações quando o auxilio que temos é eficiente.

Ser feliz é o que importa, o que vale.


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Sobre o autor
silvia
Silvia Malamud é colaboradora do Site desde 2000. Psicóloga Clínica, Terapias Breves, Terapeuta Certificada em EMDR pelo EMDR Institute/EUA e Terapeuta em Brainspotting - David Grand PhD/EUA.
Terapia de Abordagem direta a memórias do inconsciente.
Tel. (11) 99938.3142 - deixar recado.
Autora dos Livros: Sequestradores de almas - Guia de Sobrevivência e Projeto Secreto Universos

Email: [email protected]
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