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Como lidar com sentimentos perturbadores

Publicado dia 8/5/2020 12:01:52 AM em Psicologia

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Alguma vez você esteve em meio à sua família, parceiros e amigos, e ainda assim, sentiu-se totalmente só como se fosse estranho àquele local?

Solidão é o nome da soma de algumas sensações que inclui sentimentos de isolamento e desconexão. Reconhecidamente uma das sensações mais difíceis e complexas de se orquestrar.

São momentos como este, onde se é possuído pela sensação de afastamento de tudo e de todos, onde até mesmo o contato consigo mesmo fica difícil. O contato é apenas com a dor de um vazio insuportável. Nessas ocasiões, não existe lugar em que se possa ter paz e sossego emocional. Quem já passou ou está passando por essa situação, sabe que mesmo em tempos de confinamento, mesmo se estiver sozinho ou entre a várias pessoas, em espaço delimitado ou não, este tipo de sentimento parece que vai corroer a alma. Muitas vezes um perigoso momento de dor e de desespero que até pode gerar fuga da realidade rompendo-se com o tempo e com o espaço objetivos.

Independente de você já haver passado por isso antes ou se este tipo de sentimento é novo ou uma constante em você, a ideia é de que quando notar este mal-estar aumentando e antes da possibilidade de se perder na linha limite da insuportabilidade, que busque fazer uma regulação emocional a ffim de transcender com sabedoria tais episódios e também para que eles não ocupem tempo por demais o seu sistema biológico a ponto de enfraquecer os seus mecanismos de defesa.

Uma forma de tirar proveito desde tipo de crise é dar início a um processo reflexivo.
Você pode dar início ao processo reflexivo exercitando certo distanciamento do cenário existencial costumeiro passando alguns instantes apenas observando as imagens de sua vida ir se mostrando diante do seu olhar interior. Observe como se tudo fossem aspectos de um filme onde, até então, você estava inserido de modo hipnotizado, atado em sua própria tela. Na sequência, atente às pessoas que juntamente com você têm passado pela vida em estado de hipnose. Ao fazer isso, comece a observar as suas relações de modo mais distanciado e sem envolvimento emocional, apenas ativando o observador que existe em você. Veja o filme da história da sua vida, o sentido ou a falta de sentido da existência que vem levando e tenha a certeza de que este momento reflexivo é muito especial e único. Importante: não se envolva emocionalmente nas cenas.

A partir desta prática aparentemente simples, você poderá transcender diversos tipos de sentimentos que o levaram à desconexão e à percepção da solidão como dor, muitas vezes encaminhando-se para a prazerosa sensação de solitude e de paz interior, apreciando estar consigo mesmo, em seu castelo interior, ainda resgatando um novo você que saberá lidar melhor tanto com as situações internas, como externas.

São nesses delicados momentos que novos e inusitados cenários costumam se abrir em meio a possibilidades criativas para que vida possa acontecer em diferentes perspectivas. Basta ter paciência e arrumar um tempo para que de verdade fique consigo mesmo observando-se sem tentar fugir do que dói.
Você pode tentar e partir para mais essa aventura da consciência e se, ao final, ainda estiver com alguma dor emocional mesmo em meio a todo processo, faça mais vezes até conseguir a finalidade deste projeto de lucidez. Se ainda assim observar que restou algum desconforto e se estiver com alguma dor de angústia no meio do peito, sugiro que busque um auxílio psicológico, sendo que em alguns casos, a dor emocional também pode estar vinculada a um colapso orgânico maior que necessite de medicamentos como vitamina para que o cérebro possa se restabelecer.

Importante ter discernimento e entender que somos humanos e que dependendo do tempo de estresse, podemos entrar em colapso necessitando de ajuda profissional.
Muitas pessoas têm preconceitos em relação a estes tipos de auxílio, como se tivessem fracassado na apologia do existir bem e feliz, não notam, porém, que a parte do cérebro é física e que pode entrar em colapso assim como se pode ter uma úlcera, diabetes ou o que seja no corpo e que costumam ser tratados por meio medicamentos.

Acredito em neuroplasticidade, mas também acredito que em alguns momentos da vida e, para determinadas pessoas, que a neuroplasticidade pode acontecer se medicamentos curativos possam intervir como suporte de auxilio físico/neurológico.

Ter consciência do limite do estresse e do colapso emocional que pode se estar passando é um salto importante para que uma vida com qualidade possa acontecer.
Na brevidade da vida, não há tempo a perder com dogmas e preconceitos, o que vale é a busca da felicidade por meio de caminhos lúcidos.

Quanto mais despertos, melhor!

por Silvia Malamud

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Sobre o autor
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Silvia Malamud é colaboradora do Site desde 2000. Psicóloga Clínica, Terapias Breves, Terapeuta Certificada em EMDR pelo EMDR Institute/EUA e Terapeuta em Brainspotting - David Grand PhD/EUA.
Terapia de Abordagem direta a memórias do inconsciente.
Tel. (11) 99938.3142 - deixar recado.
Autora dos Livros: Sequestradores de almas - Guia de Sobrevivência e Projeto Secreto Universos

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