Escreva um livro!

Publicado por Rodolfo Fonseca em Autoconhecimento

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Sem dúvida, uma das experiências mais profundas que alguém pode e DEVE viver.

Existe uma frase antiga que muita gente já ouviu ao longo da vida, quase como um conselho silencioso que atravessa gerações: todo homem deveria plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.
Eu nunca levei isso muito ao pé da letra, até perceber, quase sem querer, que fiz os três.
Plantei muitas árvores, mais de 60;
Casei há quase 29 anos e tive 2 filhas lindas e profundamente amadas;
Construí 2 empresas, vivi sociedades, tomei decisões difíceis, errei bastante, acertei algumas;
Passei anos praticando boxe, onde aprendi com clareza visceral sobre meus limites físicos, mentais, dores e disciplina;
Pilotei várias motos e senti o risco de perto;
Aprendi sobre armas com alguém que viveu isso de verdade, que carregava na história uma formação que não vinha de teoria, mas de experiência;
Vivi coisas que, quando você está no meio delas, parecem apenas parte da vida, mas quando você olha de fora, percebe que foram camadas sendo construídas.
E, ainda assim, escrever esse livro mexeu comigo de uma forma que eu não imaginava...

Acho que escrever esse livro, principalmente por ele ter nascido das minhas próprias memórias, não foi um simples um projeto, foi um confronto!
Quando comecei, achei que estava apenas organizando histórias, lembranças de anos de trabalho, de decisões, de caminhos que foram sendo construídos ao longo do tempo. Mas não demorou muito para perceber que não era só isso. Escrever foi, na prática, reviver.
Cada lembrança puxava outra, cada detalhe esquecidamente guardado voltava com uma força inesperada. Pessoas, momentos, conversas, escolhas...
E, no meio disso tudo, a presença constante de alguém que fez parte dessa jornada de forma profunda. Muito do que escrevi não foi apenas para contar uma história, mas sim para honrar uma memória, porque existem pessoas que não passam pela nossa vida, elas ficam nela.
E talvez esse tenha sido um dos pontos mais fortes de todo o processo. Comecei escrevendo sobre fatos e, quando percebi, estava escrevendo sobre significado.

Existe algo curioso que a psicologia fala: Quando você escreve sobre a própria vida, você não está apenas registrando o que aconteceu, você está reorganizando aquilo dentro de você. Isso muda a forma como você entende seu passado e eventos que pareciam soltos começam a se conectar, histórias que pareciam aleatórias passam a ter um fio condutor.
É como se, pela primeira vez, você enxergasse sua própria vida de cima, não mais vivendo no meio dela, mas observando.
E isso ensina!

Ensina de um jeito diferente, mais profundo, como um aprendizado e um reconhecimento. Você começa a perceber seus padrões, suas decisões que se repetiram, momentos que mudaram tudo, mas que na época, pareciam pequenos.
Começa a entender melhor quem você foi e quem você se tornou.

Vi em algum lugar uma ideia muito interessante entre escritores de memórias, de que escrever é como "pegar os pontos soltos da vida e costurá-los em um tecido que finalmente faz sentido". E essa sensação é real, porque viver é caótico, mas escrever organiza.
E nesse processo acontece algo ainda mais inesperado. Você aprende de novo!
Não porque tinha esquecido, mas porque nunca tinha parado para ver daquela forma. Situações que você já viveu ganham um novo significado, dores antigas ficam mais claras, acertos passam a ter mais valor e, em alguns casos, você até faz as pazes com coisas que nem sabia que ainda estavam mal resolvidas.

Existe um lado quase terapêutico nisso de colocar pensamentos e emoções no papel. Isso ajuda a dar forma ao que antes era apenas sensação. Ajuda a transformar algo interno, confuso, em algo externo, compreensível e quando isso acontece, a mente muda de lugar, saindo da confusão e entrando na clareza.

Mas talvez o mais importante foi perceber que, ao escrever, eu não estava apenas registrando o passado, mas sim deixando algo. Sim, deixando nos dois sentidos...*
Existe uma frase que diz que cada pessoa carrega uma história única que ninguém mais pode contar. Isso é verdade. Você pode até tentar explicar sua vida para alguém, mas nunca será a mesma coisa que organizá-la com suas próprias palavras.
Escrever um livro é, de certa forma, dizer: isso foi vivido. Isso existiu. Isso teve valor.
E, no meu caso, foi também uma forma de dizer: isso não será esquecido.


Bom, o livro está aqui. Você pode comprar e ter um pedaço dessa bela história pra guardar e inspirar.


Existe ainda uma parte desse livro que talvez seja a mais importante de todas. O primeiro capítulo inteiro é dedicado ao Sergio. São mais de 80 páginas contando a história dele, uma vida que, se fosse completamente registrada, certamente daria mais de mil páginas. Ele viveu intensamente por mais de 80 anos, acumulando experiências, histórias, aprendizados que não cabem em uma única obra. E, como acontece com a maioria das pessoas, ele não organizou isso em vida. Não escreveu um livro. Não deixou esse registro estruturado.
E foi aí que algo me tocou profundamente durante esse processo. Se ninguém fizesse nada, tudo aquilo, de certa forma, se perderia.

Histórias que eu ouvi, outros que vivemos juntos, momentos que ele compartilhou, ensinamentos que vieram de conversas simples, tudo isso corria o risco de desaparecer com o tempo, como acontece com quase todas as histórias humanas. Mas eu fiz questão de transformar isso em algo permanente.

Escrever sobre ele não foi fácil. Em muitos momentos precisei parar pois a emoção vinha muito forte. Quando eu comecei a escrever ele ainda era vivo; e parei por semanas depois que partiu. Depois disso as lembranças ficavam misturadas com saudade, tristeza, gratidão e aquela sensação estranha de estar revivendo algo que já não está mais aqui.
Ainda agora, enquanto escrevo essas linhas, sinto a mesma coisa. As lágrimas surgem do nada...

Agora sei que, de alguma forma, ele vai continuar aqui, nas páginas do livro, no site, nas palavras que registram sua trajetória, naquilo que ele deixou e que agora não depende mais só da minha memória para existir.
Tem algo de muito poderoso em saber que uma vida dele não vai ser esquecida e que muitas histórias não vão se perder!
Espero conseguir fazer isso com a minha própria história um dia, ou que alguém, de alguma forma, sinta tanto amor e gratidão que faça isso por mim também.

No meio de tudo que já vivi, empresas, projetos, conquistas, erros, caminhos, esse livro acabou ocupando um lugar diferente. Não pelo esforço técnico, mas pelo que ele exigiu de dentro. Lembrar é se encarar!
E talvez seja por isso que tanta gente adia ou nunca faz. Porque, no fundo, não é só falta de tempo, é falta de disposição para revisitar o que ficou guardado no passado. Mas eu te garanto, quando você faz, algo muda em você.
Você entende que sua história não foi aleatória. Que existiu, sim, uma construção, escolhas e consequências.
Que existiram pessoas fundamentais e que momentos efêmeros moldaram tudo.

E que, no fim, escrever um livro não é apenas cumprir aquela velha frase da árvore, do filho e da obra.
*É fechar um ciclo com consciência e, ao mesmo tempo, abrir outro com mais clareza sobre quem você realmente é.

Por fim, quero agradecer a minha eterna amiga Sandra Torres, por me ajudar nesse processo de lembrar e organizar esse trabalho, assim como minha esposa Alessandra, que viveu algumas dessas memórias e revisou o livro também.


Sobre o autor
ro
Rodolfo Fonseca é co-fundador do Site Somos Todos UM
Email: [email protected]
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