Neurotransmissores: A Farmácia Interna do seu Sistema Nervoso

Publicado por Rosemeire Zago em Psicologia

Compartilhe

Facebook   E-mail   Whatsapp

Teoria Polivagal - Parte V

Você sabia que o estresse crônico pode comprometer o seu sistema imunológico? Quando vivemos em alerta constante, nosso corpo produz um excesso de substâncias que impedem a cura de doenças e geram inflamações. Entender essa química é o primeiro passo para curar sua saúde física e emocional.

Tudo começa com a forma como o nosso corpo percebe o ambiente. Dependendo do que "neuroceptamos" (aquilo que nosso sistema nervoso sente como segurança ou perigo) e de como nos sentimos, nosso cérebro irá ativar três estados diferentes em nosso Sistema Nervoso Autônomo, liberando substâncias específicas em nossa "farmácia interna":

Vago Ventral (Segurança/Conexão): Quando você se sente seguro e conectado, seu cérebro produz substâncias que restauram o organismo:
Ocitocina: conhecida como o hormônio do amor e do vínculo, ela reduz a ansiedade e promove a calma.
Endorfina: funciona como um analgésico natural e gera bem-estar.
Serotonina: É o estabilizador do humor, trazendo a sensação de satisfação e calma.
Dopamina: É o que nos dá motivação e prazer em realizar tarefas.

Essa combinação acalma o coração, reduz a inflamação, fortalece o sistema imunológico e permite que o sistema nervoso se autorregule e cicatrize tecidos. Sabe aquela sensação de paz após um abraço sincero, o entusiasmo ao realizar algo que você ama ou o relaxamento profundo após uma meditação? Essa é a química que estabiliza o seu organismo e cria o ambiente necessário para o seu corpo se recuperar. Nosso objetivo é estar nesse estado. Para isso seu cérebro, corpo, você, precisa se sentir SEGURO!

Simpático (Luta/Fuga): Quando seu corpo percebe um perigo, seja qual for, real ou não, ele entra em modo de sobrevivência. Nesse estado, a comunicação com o córtex pré-frontal - área do cérebro responsável pelo raciocínio lógico, clareza e tomada de decisão - é drasticamente reduzida. O corpo prioriza o instinto sobre a razão. É como se pensar não fosse importante nesse momento. O objetivo é ter energia rápida para agir. Para sustentar essa reação, sua farmácia interna libera:
Adrenalina: Acelera o coração e prepara os músculos para a ação rápida.

Cortisol: Mantém o corpo em prontidão, mas, em excesso, torna-se um veneno silencioso, nos deixando ansiosos e exaustos, causando ainda inflamações no cérebro e no corpo, prejudicando a memória e a clareza mental.
Nesse estado, o corpo também "desliga" o sistema imunológico e a digestão. Se o organismo está focado em fugir de um perigo (ou de um trabalho estressante), ele não gasta energia combatendo vírus, processando alimentos ou cicatrizando tecidos. Isso causa inflamações no cérebro, prejudicando a memória e a clareza mental - a famosa névoa mental.

- Vago Dorsal (Congelamento/Colapso): Em situações de medo extremo ou desamparo, onde lutar ou fugir não é possível, o corpo libera anestésicos (opióides endógenos). Eles funcionam como um anestésico natural para que a pessoa não sinta a dor física ou emocional do impacto. É o que causa aquela sensação de estar fora do corpo, apatia, sem reação ou anestesiado diante de um trauma.

Lembre-se: isso não é preguiça, mas uma estratégia biológica de proteção.


O Impacto do Excesso de Cortisol
Através da neurocepção - nosso sistema interno de segurança - o corpo pode detectar sinais de perigo em muitos lugares: em um trauma do passado, no estresse crônico do trabalho e até no hábito de ver notícias ou filmes violentos, mantendo nosso alerta constante.
Para o cérebro, o perigo é sempre real - nosso sistema nervoso não sabe diferenciar uma ameaça real de uma percebida, e quando ativado o estado Simpático (luta ou fuga), irá inundar nosso corpo com cortisol. Quando esse estado se torna permanente, nossa "farmácia interna" passa a produzir veneno em vez de cura.
Vale lembrar que o cortisol é essencial para nos dar energia e nos colocar em movimento no dia a dia, como para ir trabalhar ou ir à academia. O problema surge quando vivemos com o Simpático ativado por muito tempo, o que significa excesso de cortisol, que quando crônico, torna-se tóxico para o organismo, agindo como um sinal de alerta constante que causa sérios danos físicos e emocionais.

No corpo, esse alerta de perigo persistente - portanto cortisol alto, desregula o nosso "exército de defesa" e o sistema imunológico entra em colapso. Ele perde a capacidade de distinguir o que é o próprio organismo do que é uma ameaça externa. É nesse estado de desequilíbrio que as doenças autoimunes e processos inflamatórios ganham força: o corpo passa a atacar seus próprios tecidos, órgãos e glândulas, sobrecarregando o sistema e dificultando a regeneração celular. A pressão sobe, os músculos enfraquecem e o corpo adoece porque está tentando lutar uma guerra que não acaba.

O cortisol alto também eleva a glicose. Ele avisa ao fígado: "Solte todo o estoque de açúcar (glicose) no sangue agora!". Como não gastamos essa energia correndo de um predador, a taxa de glicose sobe e permanece alta, aumentando o risco de diabetes e a gordura abdominal.
Esse excesso de cortisol acaba sobrecarregando o corpo inteiro, prejudicando o coração, o sistema digestivo, facilitando o surgimento de dores e inflamações, pois o sistema está inundado por um sinal de perigo, como se ele estivesse sob ataque o tempo todo.
Esse cenário reflete diretamente na nossa saúde mental. O cortisol alto cria uma barreira química que dificulta a produção de neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, essenciais para o bem-estar e o prazer. Sem esses neurotransmissores, o caminho para a depressão e o desânimo fica livre.

O excesso de cortisol funciona como um sinal contínuo de perigo para o nosso sistema nervoso. Ele avisa ao cérebro e ao corpo que a ameaça ainda está presente, mantendo-nos em um estado de hipervigilância. Isso faz com que qualquer pequeno problema pareça uma grande ameaça, deixando-nos impacientes e irritados com situações irrelevantes - o conhecido "pavio curto". Já se sentiu assim?
Como o cortisol sinaliza "perigo", passamos a enxergar o mundo como um lugar hostil, aumentando a ansiedade e aquela sensação de que algo ruim vai acontecer a qualquer momento.
O resultado é a exaustão: você sofre com falhas de memória e o clássico cansado, mas ligado: o corpo está esgotado, mas a mente não desliga, impedindo o sono reparador e afetando até a libido e o equilíbrio hormonal. O resultado é uma sensação de tensão constante, angústia e uma mente acelerada que não desliga.

O Caminho para a Recuperação
Para que o corpo se cure - seja de uma dor física/emocional, de um vírus ou de um trauma - ele precisa sair do modo de sobrevivência (lutar, fugir ou congelar) e acessar o estado de segurança - Vago Ventral. Como vimos, o excesso de cortisol mantém o organismo como se estivesse sob ataque o tempo todo, e ninguém consegue se curar enquanto está em guerra.

Percebe como faz diferença entender esses estados? O descanso e a regulação emocional não são luxos; são ferramentas biológicas essenciais. Quando identificamos em qual dos estados nosso sistema nervoso está com mais frequência, tudo começa a fazer sentido. Só a partir dessa consciência é que podemos buscar caminhos que nos tragam de volta para o Vago Ventral.

A condição fundamental para essa mudança é a SEGURANÇA. Encontrar esse caminho é o que chamamos do verdadeiro processo de cura. Às vezes, o retorno começa de forma simples: apenas visualizando um lugar onde você já se sentiu amparado, deixando que essa imagem traga calma para o seu coração. Curar o corpo exige, antes de tudo, sinalizar segurança para o sistema nervoso.

Agora que você conhece a química dos seus estados, que tal descobrir qual deles tem dominado o seu dia a dia? No próximo artigo, trarei um teste para te ajudar nessa descoberta.


Sobre o autor
zago
Rosemeire Zago é psicóloga clínica CRP 06/36.933-0, com abordagem junguiana e especialização em Psicossomática. Estudiosa de Alice Miller e Jung, aprofundou-se no ensaio: `A Psicologia do Arquétipo da Criança Interior´ - 1940.
A base de seu trabalho no atendimento individual de adultos é o resgate da autoestima e amor-próprio, com experiência no processo de reencontrar e cuidar da criança que foi vítima de abuso físico, psicológico e/ou sexual, e ainda hoje contamina a vida do adulto com suas dores.
Visite seu Site e minha Fan page no Facebook.
Email: [email protected]
Visite o Site do Autor




Energias para hoje




publicidade






Receba o SomosTodosUM
em primeira mão!
Cadastre-se grátis para receber toda semana nosso boletim de Autoconhecimento.


Siga-nos:
Youtube     Instagram     Facebook     x     tiktok

As opiniões expressas no artigo são de responsabilidade do autor. O Site não se responsabiliza por quaisquer prestações de serviços de terceiros.

Somos Todos UM - 26 anos
Siga-nos:
Youtube     Instagram     Facebook     x     tiktok

 


  Menu
Somos Todos UM - Home