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Quando a negatividade é vista como um trote

Publicado dia 1/30/2007 7:08:25 PM em Espiritualidade

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Recentemente, compreendi que a negatividade também pode ser um trote: uma inverdade. Outro dia, passamos por um susto que parece já ter desequilibrado muitas pessoas: minha empregada atendeu a um telefonema que nos informava, de modo ríspido e agressivo, que nosso filho havia sido seqüestrado. Nervosa, largou o telefone e veio me chamar. Como já tinha ouvido falar sobre este “golpe” insano, não me deixei tomar pelo medo. No entanto, ao ficar ao lado de minha empregada, tão desestruturada, também fiquei desnorteada por algum tempo...

O primeiro pensamento que me veio foi um simples desabafo: “Em que mundo estamos vivendo!”. Mas depois que me acalmei, tive um insight que me ajudou a ter um olhar mais profundo sobre o poder da negatividade: “Quando sabemos que a origem da negatividade é falsa, fica mais fácil não sermos contaminados por ela”.

Quantas vezes não nos desestruturamos em nome de situações que nem aconteceram de fato? Sustos, mentiras, fofocas, ameaças e tantas outras interferências negativas criam “vida própria” pela intenção negativa de alguém, como a do suposto seqüestrador no telefone e, por crer nelas, lhes damos concretude e o poder de nos desestabilizar.

Em meu livro Mania de Sofrer (Ed.Gaia), comento que certa vez, com orgulho e coragem, disse a Lama Gangchen: “Desta vez, quero olhar para a negatividade de frente. Não vou negá-la”. Ele então me respondeu: “Olhar é bom, mas não a toque. É como quando você assiste ao noticiário na TV. Você vê a negatividade, mas não deixa que ela entre na sua casa. Você pode encarar a negatividade de frente, mas não deixe que ela entre em sua mente”.

Afinal, quando o “mal” de fora não encontra ressonância em nosso interior, não há como nos contaminar. O problema em si pode existir, mas não precisa nos derrubar se não nos identificarmos com a negatividade que estiver sendo projetada sobre nós. Em outras palavras, nossos problemas crescem à medida que nossa negatividade interior contamina a visão que temos do ambiente externo!

Quando damos crédito à força da negatividade, ela passa a atuar como uma verdade poderosa, capaz de nos vencer, mesmo que sejamos, de fato, inocentes. Mas se permanecermos fiéis aos nossos princípios e cultivarmos interiormente um profundo senso de clareza e honestidade, não iremos nos identificar com a força do ataque quando formos invadidos. Quando não revidamos intrigas, fofocas ou qualquer outro tipo de negatividade, evitamos que nossa própria negatividade seja reativada.

É como dois barcos que se chocam em alto mar: aquele que estiver cheio e pesado irá afundar, mas o que estiver vazio irá cambalear por algum tempo e depois voltará para o seu prumo. Creio que por isso é que Lama Gangchen nos diz para não tocar a negatividade: para permanecermos leves.

No budismo, somos incentivados a gerar o máximo de situações positivas e a evitar, sempre que pudermos as negativas, pois assim estaremos acumulando méritos, força interior, para destruir a nossa própria negatividade.

Não se trata de covardia nem de irresponsabilidade, mas de uma postura interior que busca soluções em vez de maiores confusões. Quando finalmente nos conectamos com a calma, algo reparador acontece. Mas infelizmente, na maioria das vezes, não sabemos como atenuar nossa ansiedade em nos separar rapidamente dos conflitos e agimos prematuramente. Observo os Lamas quando estão diante das adversidades: eles permanecem quietos e continuam em frente com seu dia-a-dia, praticando seus ensinamentos e meditações. Quando os indagamos sobre o fato negativo, eles simplesmente respondem algo como: “OK, tudo bem, vamos em frente”.

Depois dessas reflexões, consegui ficar mais tranqüila e me lembrar que é possível se separar da negatividade, principalmente quando ela não existe!

por Bel Cesar

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Sobre o autor
bel
Bel Cesar é psicóloga, pratica a psicoterapia sob a perspectiva do Budismo Tibetano desde 1990. Dedica-se ao tratamento do estresse traumático com os métodos de S.E.® - Somatic Experiencing (Experiência Somática) e de EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimentos Oculares). Desde 1991, dedica-se ao acompanhamento daqueles que enfrentam a morte. É também autora dos livros `Viagem Interior ao Tibete´ e `Morrer não se improvisa´, `O livro das Emoções´, `Mania de Sofrer´, `O sutil desequilíbrio do estresse´ em parceria com o psiquiatra Dr. Sergio Klepacz e `O Grande Amor - um objetivo de vida´ em parceria com Lama Michel Rinpoche. Todos editados pela Editora Gaia.
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