Vida Bloqueada

Vida Bloqueada
Publicado dia 4/8/2020 11:35:01 AM em Vidas Passadas

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Quando exercia a psicoterapia convencional como psicólogo há muito tempo, não aceitava -e nem entendia- o termo resignação, pois achava que uma pessoa resignada era alguém passivo, sem iniciativa, inerte, conformista, fatalista diante da vida (no dicionário Aurélio resignação é "a sujeição paciente às agruras, dissabores da vida").
Não distinguia a passividade da resignação, achando que era tudo a mesma coisa, sinônimos. Era, portanto, ignorante acerca do funcionamento da vida, pois acreditava que somos 100% responsáveis pela condução de nossas vidas, do nosso destino.
Até que me vi numa situação (na verdade, fui colocado em prova pela espiritualidade, embora na ocasião não tivesse essa consciência) em que tentei de tudo para mudar, reverter o meu problema na época -financeiro e profissional-, mas não conseguia.
Isso me deixou muito frustrado, revoltado, indignado e impotente, pois achava que éramos "senhores absolutos" de nossos destinos. Estava de acordo com a literatura de auto-ajuda que prega que você pode mudar sua vida, seu destino, mas que "só depende de você".

Não tinha o esclarecimento que esse planeta é de provas e expiações, isto é, de testes e reparação de erros cometidos em outras vidas, e que existe, portanto, a lei da causa e efeito (também chamada de lei do retorno, da semeadura, que se traduz no dito popular "Você colhe o que planta").
Vim a compreender que é por isso -em muitos casos- que não podemos mudar determinados acontecimentos em nossas vidas, mas, sim, como vamos reagir a esses acontecimentos.
Posteriormente, vim a perceber que a falta de paciência, a intolerância, a presunção, a arrogância e querer controlar a vida, estavam presentes em minhas atitudes.
Desconhecia que quanto mais carmas contraímos (dívidas, pendências de erros, ações negativas cometidas no passado) menor será a nossa autonomia, a liberdade de escolhas; o contrário, maior o poder de escolhas, de mudar nossas vidas. Em outras palavras, a semeadura(ação) é livre, mas a colheita (resultado) é certa, obrigatória.

Finalizo esse artigo, resumindo tudo que falei através de uma oração singela, curta, porém, profunda, de grande sabedoria, e que hoje busco seguir em minha vida: "Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos mudar, coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguir umas das outras".

Caso Clínico:
Vida Bloqueada
Homem de 64 anos, divorciado, dois filhos e uma filha.


Paciente veio ao meu consultório dizendo que se sentia "prisioneiro de si mesmo", pois não tinha ânimo pela vida, além da falta de desejo sexual. Sentia também que sua vida estava estagnada, pois só conseguia empregos medíocres (era engenheiro), ganhando apenas para sobreviver. Quando criança, foi rejeitado pelo pai, pois teve uma educação rígida, severa, e foi criado feito uma "menina"(nunca jogou bola, tinha que ajudar sua mãe nas tarefas domésticas, fazer companhia para ela, o que não ocorria com seus irmãos).
Aos 9 anos , seu pai o levou a um psiquiatra, e este lhe deu dinheiro para que fosse a um prostíbulo; a prostituta o ridicularizou pelo tamanho de seu órgão genital, tirou sua roupa, e veio para cima dele, deixando-o muito assustado, amedrontado. Desde a adolescência nunca teve uma vida sexual ativa, mas, aos 27 anos, engravidou sua namorada que, segundo o paciente, foi uma gravidez intencional, provocada por ela, e daí nasceu sua 1ª filha. Assumiu a criança, mas não se casou com a moça, só vindo a se casar com outra mulher, onde teve mais dois filhos.

Divorciou-se da esposa, pois ela o agredia muito, humilhava-o com freqüência, a ponto de expulsá-lo de casa e como, na ocasião, estava desempregado, foi morar na rua, tornando-se um indigente durante sete anos (dormia nas praças, debaixo de viadutos, casas abandonadas, comia restos de comida de fim de feira, etc.).
Nesse período como morador de rua, ficava perambulando sem destino, sem rumo, sentindo uma solidão profunda. Veio a essa terapia querendo entender também por que há 30 anos escutava direto, 24 horas ininterrupto, um zumbido nos dois ouvidos. Fez todos os exames médicos necessários, porém, os médicos não identificaram nenhuma anomalia. Vivia irritado por conta dos zumbidos. Por fim, queria saber qual era seu principal aprendizado nesta encarnação, e por que sua filha, após ter brigado com ele, cortou as relações, afastando-se dele definitivamente ao se mudar para o exterior (há 17 anos que não a via mais).

Após passar pela 1ª sessão de regressão, na sessão seguinte, o paciente me relatou: "Vejo um homem barbudo, usa um roupão branco, largo, aparenta ter uns 40 anos...É um ser espiritual, seus olhos são verdes, olha sorrindo para mim. Ele passa muita confiança, é um ser bom, me abraça e diz: - Seja bem-vindo!"

- Onde vocês estão? - Pergunto ao paciente.
"Vejo um jardim muito bonito...é no plano espiritual, mas estamos dentro de um prédio. Tem uma escada e estamos subindo, chegamos numa sala grande onde só há uma mesa no centro, com duas cadeiras. Sentamos... mas agora me levanto, começo a gesticular exaltado, nervoso, e lhe pergunto: - Até quando?!
- Calma, ele me respondeu. Eu digo: - Não agüento mais! Apoio as mãos sobre a mesa, inclino-me para frente, e lhe indago novamente: - Até quando?!
- Calma, ele repete.
- Calma, calma, é só isso que você tem a me dizer?, falo nervoso.
Ele diz: - Sei que está muito difícil para você, mas tudo que passou foi para o seu bem. Hoje você é um homem maduro e pronto. Grandes coisas virão em sua vida daqui para frente!
Ele se levanta, pega-me pela mão, e vamos até a janela. Pede para olhar aquele jardim vasto, florido. Ficamos em silêncio, admirando a bela paisagem da natureza. (pausa).
Agora me vejo no meio de uma rua, é um mercado livre, tem um homem barbudo à minha esquerda sentado num saco de feijão, que me diz: - Você é meu!

- Sai fora, respondo com ar de desprezo! (pausa).
Pergunte em pensamento para esse ser das trevas por que ele lhe diz que você é dele? - Peço ao paciente.
"Você me pertence, não te libero, pode fazer o que quiser, mas você é meu, fala gargalhando".

- Pergunte o que você lhe fez no passado?
"Diz que não fiz nada, mas que fui ofertado num ritual de magia negra...Vejo a minha ex-namorada, mãe de minha filha, oferecendo o meu retrato num trabalho espiritual...É por isso que esse ser das trevas repete que sou dele. Por que ela fez isso comigo? (pausa).
Agora me vejo afastando dessa cena".Após o término dessa sessão, pedi para que o paciente fizesse a limpeza espiritual dos 21 dias e a oração do perdão para sua ex-namorada.
Na 3ª e última sessão, ele me relatou: "Vejo a cena de quando era morador de rua...
Eu falo: - Se isso que estou passando é um teste, então, vou ser aprovado com louvor! No dia que vocês quiserem me tirar dessa vida, por favor, me tirem! (pausa).

Eu me vejo sozinho, chorando, pedindo humildemente para o Universo, pois já havia tentado de tudo para sair daquela condição, mas não adiantava.
Vejo que quando falei isso com sinceridade, de coração aberto, estava entregando plenamente a minha vida ao Criador... Agora vejo uma esfera iluminada à minha frente, que brilha intensamente. (pausa).
- Peça para esse ser espiritual se identificar - Digo ao paciente.
"A esfera brilhante se transforma e aparece a figura daquele homem barbudo que conversou comigo na 2ª sessão, vestindo um roupão branco". (pausa).

- Pergunte quem é ele - Peço ao paciente.
"Diz que é o meu mentor espiritual...Estamos novamente naquela sala grande, com a mesa no centro. Sentamos, e ele fala: - Vamos às perguntas!
Eu lhe pergunto: por que tive um pai severo, frio e distante?
Ele me responde que eu precisava ter um pai com esse perfil, que desde cedo tinha que ter uma disciplina rígida para não me desviar do caminho. Esclarece que numa existência passada tive uma vida errática, cometi muitos erros. (pausa).
Eu lhe pergunto se na vida atual estou cometendo os mesmos erros do passado.
Ele responde que não. (pausa).

- Pergunte se ele pode lhe revelar quais erros que você cometeu na vida pretérita.
Ele só diz que cometi erros, nada mais (nessa terapia, muitos mentores espirituais preferem não entrar em detalhes acerca do que o paciente fez em outras vidas para não prejudicá-lo)".

- Pergunte-lhe por que você foi criado pelos seus pais "como uma menina"?
"Diz que fazia parte também dessa disciplina, foi uma forma de me colocarem um cabresto porque se meus pais me educassem como um menino, certamente iria me desvirtuar novamente, ou seja, iria cair na erraticidade como ocorreu na vida passada. Mas afirma que a educação rígida que tive já está surtindo efeito, pois hoje sou uma pessoa diferente. (pausa).
Diferente como? - Peço-lhe para perguntar ao seu mentor espiritual.
"Fala que hoje sou mais disciplinado, culto, estudado, vivido do que na existência passada, e que aquela experiência que tive aos 9 anos com a prostituta foi providencial, pois freou a minha vida sexual para que na fase adulta não caísse na promiscuidade como ocorreu na vida passada".

- E sua falta de desejo sexual? Como fica?
"Ele diz que isso vai passar, para não me preocupar".

- Pergunte-lhe por que você teve que passar por aquela experiência dolorosa como indigente, morador de rua?
"Fala que foi para servir de exemplo para muita gente".

- Exemplo do quê? E para quem?
"De vida, disciplina, humildade e de entrega a Deus; por isso, tive que passar por tudo isso para que todos vissem a minha virada, ou seja, como dei a volta por cima".

- Todos quem?
"Minha família e muita gente. (pausa).

- Pergunte ao seu mentor espiritual por que você sente tanta solidão?
"Porque ninguém suportaria ficar comigo, por conta desse caminho solitário que tive que passar; sendo assim, estava dentro de meu programa reencarnatório da vida atual viver sozinho, não me envolver afetivamente. Revela também que as mulheres que me relacionei me agrediram, me humilharam para que eu desenvolvesse a minha humildade e, com isso, não me desvirtuasse do caminho. Mas afirma que agora estou pronto, maduro para me envolver afetivamente.(pausa).
Eu lhe pergunto de minha situação financeira, do meu atual emprego, pois não estou satisfeito". "Diz que tudo vai ser resolvido".

- Pergunte-lhe qual é o seu principal aprendizado, sua lição maior na vida atual?
"Fala que é me espiritualizar, e que estou no caminho certo, pois não me desvirtuei".

- Por que sua filha brigou com você e cortou as relações?
"Diz que ela vai voltar, que se arrependeu do que fez, pois é geniosa, mas que aprendeu a lição.

Está finalizando o tratamento, falando que procurei a porta certa com essa terapia, e que há muito tempo ele queria esse encontro. Esclarece que foi ele que me trouxe a essa terapia, a TRE.
Eu lhe agradeço de coração, ele fala que está sempre comigo, pede para que não esqueça disso".

Após o término do tratamento, o paciente me deu um feedback dizendo que não estava mais tendo pesadelos (antes do tratamento, quase todas às noites acordava assustado com pesadelo que lhe atormentava), sentia-se mais calmo, sua família estava mais unida, o zumbido que também o atormentava há 30 anos, havia desaparecido.
Por fim, tomou consciência de algo que não havia percebido: quando andava na rua esbravejada, falava sozinho, ficava nervoso, revoltado e, após o tratamento, seu mentor espiritual lhe chamou a atenção para esse hábito que ainda trazia daquele período como morador de rua. Mas desde então, não estava fazendo mais isso".


Sobre o autor
Shimoda
Osvaldo Shimoda é terapeuta especializado em Terapia de Regressão TRE, com foco em autoconhecimento, transformação emocional e integração de experiências de vida. Atende em seu consultório em São Paulo.
Site: www.osvaldoshimoda.com.br
Tel.: (11) 99286-4497 (agendamentos)
Email: [email protected]
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