É o caso de uma mulher, 30 anos, que sofria de uma acentuada inflamação na bexiga. Há dez anos que sentia dores intensas na região da bexiga, há ponto de nenhum analgésico mais fazer efeito.
Já havia feito inúmeros tratamentos e tomado antibióticos de última geração, sem contudo, apresentar melhoras. As dores persistiam.
Durante as regressões, descobrimos que, em vidas passadas, ela sempre havia sofrido problemas relacionados na região do baixo ventre. Em uma dessas vidas, tinha sido uma índia que morreu ao levar uma flexada na região da bexiga. Em outra, havia sido estuprada. Durante o tratamento, a dor que antes era intensa, foi diminuindo até sumir de vez. O material que se segue faz parte de três regressões feitas.
Regressão realizada no dia 25.06.95
A paciente chegou ao meu consultório às 14 horas em ponto. Deitou-se no lugar onde eu indiquei. Depois de um relaxamento prévio, com uma música suave, comecei a contar, regressivamente até cem, pedindo que a cada contagem, ela fechasse e abrisse os olhos lentamente. O objetivo desse exercício era cansar suas pálpebras a ponto dela não conseguir mais abri-las. E foi assim, nesse estado pré- sonambúlico que eu pedi para que ela descesse os degraus de uma escadaria imaginária, brilhante e luminosa, até chegar as profundezas do seu inconsciente. Subitamente, ela começou a gritar que não queria continuar; no entanto, procurei ser firme para que ela prosseguisse. De repente, entendi o motivo de tanta angústia: Ela me disse: “Há um buraco, um buraco negro e profundo. Meu Deus, é um poço e eu estou dentro dele. Não sei se eu caí ou se alguém me empurrou, mas eu estou lá, agonizando”. Avançamos um pouco mais nas suas lembranças passadas e ela se descobre agora com oito anos de idade, uma criança loira, caminhando com seus pais, de volta do trabalho, para casa. Os pais se vestem com roupas muito sujas e rasgadas. Eles são camponeses, e se vestem assim porque são muito pobres. Pergunto: “Que País você vive?” Ela responde: “Estamos na Espanha em uma região agrícola, e meus pais são empregados de um rico dono de terras, que os obriga a plantar, colher, e carpir, de sol a sol. O que ganham, mal dá para o sustento dos três. Por isso, nos vestimos com andrajos.
Finalmente, depois de muito caminhar, chegamos em casa. Velho e em ruínas, o lugar, que se parece com o que restou de um castelo medieval, já em completa demolição, tem um limo esverdeado nas paredes e é muito escuro e úmido.
Dentro da varanda, algo me chama a atenção: Um poço. Minha mãe começa a descer o balde, preso a uma corda velha e podre. A água é cristalina e quase à superfície. “ Eu pergunto se é neste poço que ela se viu morrendo asfixiada?” Ela diz que sim”. Em seguida, conduzo-a a avançar no tempo. Agora, ela se vê com quinze anos, uma rechonchuda adolescente, com cabelos longos e cacheados, amarrados em um rabo de cavalo. Ela diz que está à beira de outro poço. Um poço abandonado no meio da plantação de trigo. Mas não está sozinha. Alguém está com ela. Um rapaz. Um jovem, uns quinze anos, mais ou menos. Está próximo dela. Não tem certeza, mas parece ser da família, um primo, pois seus traços são muito parecidos com os dela. Ela diz: “Ele me incomoda. Ri e faz gracejos. Faz brincadeiras de mal gosto. De repente, se aproxima, ameaçador. Tenta me agarrar, me beijar e eu começo a gritar que não quero. Tenho nojo dele. Grito, em completo desespero.” Ela se debate no divã onde está deitada. De repente, se vê dentro do poço, daquele que ela viu no começo da regressão.
Ela não conseguiu visualizar o momento da queda. Também não soube dizer se foi o jovem que pouco antes, tentava abraçá-la e beijá-la à força, que a teria empurrado. O poço era escuro e profundo. O lugar era asfixiante. Ela prossegue dizendo: “Estou semi-acordada, mas percebo o movimento das pessoas lá em cima, que tentam me retirar daqui. Abro os olhos e vislumbro um pequeno círculo de luz.
Ouço me chamarem pelo nome: “Rosita, Rosita”, repete minha mãe, soluçando. Eu ouço o eco de sua voz, mas não consigo responder-lhe.
Estou muito machucada e agonizando. O ar está cada vez rarefeito e eu começo a respirar com dificuldade. Sinto-me asfixiada. Mas não tenho forças para reagir e, pouco à pouco, vou relaxando o meu corpo. “Eu estou morrendo”. De repente, ela vê duas entidades espirituais, com roupas muito coloridas e compridas, a erguem do chão e a retiram daquele lugar. Ela se vê flutuando, subindo, e, de cima, vê o seu corpo estendido. A sensação é de plenitude.
Em seguida, se vê numa cama, num hospital. Percebe que existem outras pessoas com ela. E todos estão recebendo um tratamento energético. Há enfermeiras e médicos que andam entre eles, mas algo chama sua atenção: Eles não se vestem de branco, mas com roupas muito coloridas e alguns deles tem uma luz, um brilho muito intenso. A sensação é de uma grande e completa paz”. Ela se vê dormindo.
Em seguida, peço para que ela saia daquele estado de torpor e prossiga na cena. Procuro lembrá-la que está se submetendo à regressão para a cura de uma cistite crônica, que a faz sofrer de dores, queimações e ardores, há quase quinze anos. Então, desta vez, ela se vê como uma índia.
Ela diz: “Estou no chão, no meio de uma floresta, sendo amarrada pelos pés e pelas mãos, por dois homens selvagens. Como eu, eles também são índios, mas estranho a maneira como estão caracterizados: com o corpo todo pintado de branco e os cabelos louros, descoloridos, amarrados bem no alto da cabeça. Ela intui que eles são de outra tribo, mais selvagens e até canibais. Se debate desesperadamente, quando eles tentam carregá-la, pendurada em uma forquilha feita com um galho de árvore. Eles a levantam do chão e mal dão alguns passos, quando os obriga a parar, novamente. Seus pulsos e tornozelos estão sangrando, raspados violentamente contra o cipó que os mantêm amarrados. Eles a derrubam na terra dura, se ajoelham e começam a estrupá-la, enquanto ela grita e chora, em completo desespero. Então, um deles pega uma pequena flecha de bambu enfia-a, sem dó, nem piedade, em sua barriga, em sentido transversal. Ela grita de dor e, então, desmaia. Eles a erguem novamente na forquilha, e põem-se a caminhar pela floresta. A paciente diz que não sabe ao certo quanto tempo caminharam: se foram horas, dias ou semanas. Peço então, para que ela, prossiga e avance mais na regressão para ver qual a próxima cena. Ela visualiza uma praia paradisíaca, onde uma caravela, parecida com a dos descobridores das Américas, está ancorada.Os índios se assustam e são imediatamente dominados por alguns homens que haviam acabado de aportar naquele lugar. Atrás dos homens, vestidos com saias e túnicas vermelhas e blusas de seda branca e de mangas bufantes, com uma cruz de malta bordada no peito, caminha um senhor com cabelos grisalhos, encaracolados e olhos muito verdes. Ele é o chefe da expedição e ordena que a levem para dentro de uma cabana, coberta de sapé, que parece tratar-se de um hospital improvisado. Ela é colocada sobre uma mesa tosca, de madeira, e os homens, aflitos, tentam socorrê-la o mais rápido possível. Mas ela diz: “Eu já estou quase morta. Além de ter me esvaído em sangue, durante toda a caminhada dos meus malfeitores, estou com febre e suando muito, devido ao ferimento. O suor empapa-me o rosto e o chefe daqueles homens, num gesto muito delicado, começa a limpá-lo com um lenço muito alvo. Eu estou tendo tremores que sacodem todo o meu corpo e começo a delirar. Os homens à minha volta estão indecisos sobre o que fazer comigo.
Não sabem se retiram ou não a flecha e nem como fazê-lo. Até que o chefe deles ordena-lhes que a retirem. “Então, eles a anestesiam com uma pasta branca colocada sobre a ferida, e começam a abrir o corte, no formato de uma cruz, para que, ao sair, o objeto perfurante não rasgue ainda mais os seus tecidos, embora ela estivesse anestesiada. Ainda sentia muita dor. Retirada a flecha, os homens terminam a cirurgia, costurando o corte, cobrindo-o com curativos. A paciente não soube dizer também quanto tempo permaneceu naquele lugar, entre delírios, febres e suores. Sabe apenas que, enquanto tudo durou, o chefe da expedição esteve sempre ao seu lado, enxugando o seu rosto, beijando suas mãos e molhando os seus lábios com um pano embebido em água. Não resistindo à infecção generalizada, acabou morrendo. Pedi então, que avançasse para a cena seguinte e descobre que, avisada, sua tribo veio levar seu corpo. Vê os preparativos fúnebres, mas não acredita que seja mesmo o seu funeral, pois não aceita, de modo algum, que estivesse morta. Como num filme, revê a cena e, com surpresa, reconhece algumas das pessoas que estão presentes: seu marido, nesta vida atual, é o seu pai e também o pajé da tribo Odoborô-cici, que em tupi- guarani significa “filhos da lua”.
Sua tribo fica em algum lugar litorâneo, na Guiana Inglesa e o ano é de 1564. Enquanto alguns índios choram muito, outros dançam e entoam uma triste canção. Sua mãe, a curandeira da tribo, é sua sogra desta vida. E não se espanta quando reconhece também seu ex namorado e que depois se tornou um grande amigo nesta vida, como sendo o chefe da expedição. Ela acompanhou os odoborô-cici em seu trajeto fúnebre, de volta ao seu lar. Ela percebe que o chefe da expedição e o seu pai eram amigos e colaboradores, sendo que o pajé é um homem sábio e o estrangeiro, um cientista e pesquisador do velho mundo.
Agora, ela entende também o porquê deles se darem tão bem, quando se conheceram nesta vida atual. Na verdade, eles já tinham sido amigos em vidas passadas. Continuando, os irmãos índios retiram suas vísceras, já apodrecidas e a banham, num longo ritual, com óleos, ungüentos e perfumes. Depois de embalsamada, eles prendem à sua cabeça uma linda tiara de palha trançada com conchas do mar, e colocam nos seus pulsos e tornozelos pulseiras semelhantes. Totalmente nua, com apenas esses adereços, ela é colocada em posição fetal e só então entende o porquê seu caixão, na verdade, é uma urna funerária no formato de um vaso, especialmente confeccionado para essas ocasiões.
Grita desesperadamente. Eu procuro acalmá-la, insisto para que continue a relatar a cena, apesar de seus protestos. Grita novamente, se debate, chora.
Eu não entendo o que estava acontecendo. Até que ela me diz: “Estou chorando porque descobri que tenho uma réplica do vaso que foi utilizado para o meu funeral em minha sala de estar, nesta vida presente. Depois de me colocarem dentro daquele utensílio, os índios me depositam dentro de um buraco, escuro e profundo. Estou mesmo morta, mas é como se estivesse sido enterrada viva, pois o meu espírito não quer se desprender do meu corpo. A sensação que sinto é de grande aperto, angústia e muito sofrimento".
Depois de entoarem, seus cânticos fúnebres, a minha gente vai embora, e me deixam lá, sozinha, debaixo da terra. Por algum tempo, sinto um certo entorpecimento. “Mais uma vez, ela não soube me dizer quanto tempo permaneceu ali, agarrada ao seu corpo, sem querer deixá-lo, de modo algum. Conduzo-a para um novo avanço nas suas memórias mas ela ainda insiste em continuar naquela cena, agarrada ao seu corpo putrefato. Ela me diz: “Sinto os vermes devorarem a minha carne. A sensação é horrível: nojenta e viscosa. Muitas luas já se passaram. Em volta do meu túmulo já começam a florescer os primeiros copos-de-leite, plantados pelas minhas mulheres”. Minhas mulheres?, eu indago. “Ah, sim, agora sei que eu era a líder de um grupo de mulheres guerreiras. E esse foi um dos principais motivos pelos quais eu queria e não podia ter morrido. Vejo que as deixei órfãs e me culpo por isso. Vejo ainda que, após chorarem a minha morte, por muitas e longas noites de lua, houve um suicídio coletivo na aldeia. As minhas mulheres se mataram”. Ao compreender isso, ela começa a chorar. “Minhas mulheres, minhas mulheres”, vai repetindo enquanto soluça. “Eu as deixei órfãs, eu as deixei órfãs”. Lembro-lhe que tudo aconteceu num passado muito distante, numa outra vida, e que ela não deveria mais chorar por isso.
Ressalto ainda, que é importante compreender que ela ficou por demais agarrada ao seu corpo, mesmo depois de morta. E que, provavelmente, essa seja uma das causas da sua doença atual, já que ela continuou a carregar os sintomas daquele ferimento por muitas outras vidas, inclusive nesta.
Em seguida, peço que ela continue a avançar na regressão para a próxima cena. Ela diz: “Agora, já posso ver algumas entidades espirituais tentando me retirar dali, mas eu insisto em querer ficar.
Elas não podem me levar à força. A decisão de partir com elas é só minha. Finalmente, eu tomo a decisão. E voamos abraçados, aos pares, em direção ao infinito. Novamente, essas entidades usam roupas muito coloridas e compridas. É como se estivessem embrulhadas em longos panos de seda e cetim".
Vermelho, roxo e amarelo são as cores que mais me chamam atenção. Voamos, voamos e voamos. Não sei quanto tempo dura a viagem. Aqui eu começo a prepará-la para voltar à vida presente, para o meu consultório. Chamo-a pelo seu nome atual.
No entanto, ela me interrompe, dizendo: “Marguerita Hernandez”, corrigindo prontamente seu nome. Na verdade, já estava começando a vislumbrar uma nova reencarnação. Desta vez, no México. Em função do pouco tempo que restava para trabalhar em outra vida, resolvi encerrar a sessão, prosseguindo com a técnica da regressão, pedindo para que ela entrasse de novo no túnel que a levou a se recordar do passado e que agora fizesse o caminho inverso, subindo os degraus daquela escadaria brilhante e luminosa, voltando à vida presente. Foi feita uma desprogramação para desvincular a paciente das emoções desagradáveis que ela revivera em vidas passadas. Em seguida, uma programação positiva para que ela saísse do consultório em perfeito equilíbrio mental, emocional, físico e espiritual.
Sobre o autor
Osvaldo Shimoda é terapeuta com mais de 40 anos de experiência e 60 mil sessões de regressão já realizadas. Criador da Terapia Regressiva Evolutiva TRE, professor e pesquisador das terapias integrativas e do desenvolvimento espiritual, com atuação dedicada ao estudo da consciência, dos processos terapêuticos profundos e da formação de novos terapeutas. Reconhecido por sua abordagem ética, responsável e acolhedora, Osvaldo Shimoda desenvolveu e estruturou metodologias terapêuticas que auxiliam pessoas em seus processos de autoconhecimento, equilíbrio emocional, expansão da consciência e desenvolvimento espiritual. Email: [email protected] Visite o Site do Autor