Foi a vários endocrinologistas. Fazia dieta e nunca ia até o fim. Nos exames não acusava nenhuma alteração hormonal, embora tivesse pressão alta e alta taxa de colesterol no sangue. Desde criança sempre fora uma menina obesa. Em função disso, fechava-se no seu quarto, não tinha vontade de fazer nada e sentia-se deprimida. Era muito ansiosa, canalizava todas as suas frustrações na comida. Tinha baixa auto-estima e se escondia das pessoas. Evitava as pessoas.
Não tirava as roupas na frente de seu noivo, procurando fazer sexo no escuro. Na regressão viu uma mulher num lugar escuro, sozinha, com um cobertor nas costas. Estava descalça, mãos sujas, unhas mal feitas, roupas imundas, cabelos crespos, cumpridos, rosto fino, semblante de desespero. Parecia estar assustada. É como se ela estivesse precisando de ajuda. Era uma pessoa muito pobre.
Devia ter uns 30 anos. Ela estava agachada, encostada numa parede. Estava se sentindo muito sozinha. Não tinha família. Não tinha onde morar, pois era uma mendiga. Morava no Brasil em 1900. Ela se alimentava das coisas do mato, comia frutas. Havia um lago, ela se alimentava também desse lago, comia peixes. Era uma vida muito pobre. Fora criada pelos pais. Antes morava com seus pais numa casa grande, antiga, mas com muito luxo.
Era filha única, estava sempre bem arrumada, vestido longo, sapato social, cabelos curtos e era loira. Seus pais morreram num acidente e tudo aquilo que existiu de luxo, ela acabou perdendo. Ficou sozinha, perdeu tudo. Tinha 25 anos quando perdeu também a casa. Foi morar na rua. Estava sozinha, não tinha ninguém. Se viu pedindo as coisas para as pessoas. Se sentia muito mal, sentimento de perda. Teve tudo e agora não tinha mais nada. Veio o medo de não ter o que comer. E esse sentimento ela me diz que carrega até hoje nesta vida. Prosseguindo na regressão ela me diz que acabou se juntando com os outros mendigos. Morava com eles na rua. Tinha uma sensação de desesperança. De que sua vida nunca iria mudar, uma sensação de impotência, de desespero.
Lembrou que antes de seus pais falecerem gastava muito, queria ter as coisas, muitas vezes sem ter necessidade. Não era magra nesta vida, era também obesa. Embora tivesse bens materiais não tinha o carinho de seus pais. Não havia diálogo. Seu pai trabalhava muito e sua mãe ficava dentro de casa, mas não dava muita atenção para ela.
A morte deles não fez muita diferença, pois vivia se sentindo sozinha. Era muito calada, fechada, não se relacionava com ninguém, não era de expressar seus sentimentos.
Após se tornar mendiga, sua rotina era de pedir as coisas. Lembrou que nesta vida atual, desde criança tinha medo de não ter o que comer, embora sua família nunca tivesse passado por necessidades. Chegava a limpar seu prato. E se deixasse o resto de comida, vinha um sentimento de culpa. Sua mãe dizia que quando ela era criança, chegou a pedir esmolas na rua perto de sua casa. Costumava guardar restos de comida na geladeira, nos armários, nas gavetas e no guarda-roupa.
Peço na regressão para que ela avance na cena e vá para o momento de sua morte. Diz que sente muito frio, está na rua com outros mendigos. Seu corpo não suporta mais o frio, está há alguns dias sem se alimentar. A sua morte vem como um alívio. Ela diz: “Que bom que essa hora chegou. Sinto alívio”.
Após sua morte física, veio uma sensação de tranqüilidade, se viu fora de seu corpo. Veio também a sensação de que não mais teria que passar por essa pobreza. E no final da sessão ela me disse: “O que eu vivi em vidas passadas não preciso necessariamente viver hoje”. Ela se conscientizou de que não precisava mais passar por privações.
Após essa regressão, depois de passar por outras sessões de TVP, diminuiu bastante sua ansiedade e compulsão pela comida. Voltou a fazer novamente a dieta com orientação médica. Desta vez foi até o fim no seu regime alimentar, procurando sempre manter seu peso.
Sobre o autor
Osvaldo Shimoda é terapeuta com mais de 40 anos de experiência e 60 mil sessões de regressão já realizadas. Criador da Terapia Regressiva Evolutiva TRE, professor e pesquisador das terapias integrativas e do desenvolvimento espiritual, com atuação dedicada ao estudo da consciência, dos processos terapêuticos profundos e da formação de novos terapeutas. Reconhecido por sua abordagem ética, responsável e acolhedora, Osvaldo Shimoda desenvolveu e estruturou metodologias terapêuticas que auxiliam pessoas em seus processos de autoconhecimento, equilíbrio emocional, expansão da consciência e desenvolvimento espiritual. Email: [email protected] Visite o Site do Autor