Paciente, 32 anos, médica, casada há 10 anos, tinha muito medo do marido pelo fato deste ser muito autoritário e dominador. Havia por parte dela uma dependência e obediência excessiva e se sentia sem vontade própria. Não se sentia dona de sua própria vida. Se sentia “refém”, “prisioneira” das vontades dele. A sensação de incapacidade e medo de viver eram os sentimentos que mais a incomodava. Ela me disse: “ Eu quero de volta a minha vida”.
Na primeira sessão de regressão se vê no Egito, 5000 a .C. Seu nome é Isis, tem 23 anos. Está sentada no chão, num mercado de escravos, com lenço na cabeça, vestido de algodão, saco de algodão. Está descalça, tem uma corrente no seu pé direito. Seu pai, o mesmo desta vida, que a acorrentou e a vendeu para um comerciante (ela identificou este comerciante como sendo seu marido desta vida). Ele a olha e ela olhando-o fica encantada à primeira vista. Ela é comprada e levada para casa dele. A sensação é sempre de concordância, aceitação como escrava, sem nenhuma revolta. Há plena aceitação, sempre se vê sentada no chão como se fosse um papagaio preso numa corrente. Seu dono , o comerciante, a trata como se fosse um bicho de estimação. Ela diz que essa relação de dependência é muito boa, não precisava fazer nada. Sentia-se protegida por ele. Diz que veio pelo mar, mas não sabia de onde. Veio dentro de uma embarcação simples. O cais é muito pobre, tem crianças, mulheres com crianças no colo e homens fazendo negócio, todo mundo gritando. Além dela, existiam outras escravas, todas acorrentadas no pé , uma ia puxando a outra. Nesse mercado de escravas se sentia solitária e com muito medo do que iria lhe acontecer.
Após o comerciante comprá-la, ela entra pela porta do fundo da casa. Fica na cozinha. Tem empregados que trabalham para ele. Ele tinha uma esposa que morreu durante o parto. Ela só escuta o que as pessoas da casa falam. Ela sempre se vê calada, nunca falava nada. Em seguida, peço para que avance na cena anos depois. Ela se vê solta e acabou se envolvendo com um homem, fugindo com ele. Isso provocou a ira dele. Ele matou esse homem e a acorrentou novamente, voltando à condição de escrava. Ela fica conformada. Diz que aceitou muito bem o prazer de servi-lo. Há uma submissão total.
Anos depois, ele morre de velhice. No entanto, antes de morrer, ele a solta. Ela, como demonstração de gratidão, faz com ele um pacto de amor eterno, de união eterno. Ela sente que esse pacto é uma coisa muito forte. Neste momento da regressão, percebe que esse pacto continua na vida atual e isto explica o porquê de tanta dependência e submissão na relação com seu marido. Após a morte de seu dono, fica tomando conta da casa dele. Ele deixou as coisas para ela. Ela se vê vestida, mas continua sem alma, sem vontade própria. Fica sempre na cozinha. Os empregados fazem tudo. Diz que não tem vontade de sair de casa. Embora fosse um homem duro e autoritário, tinha um coração bom.
Em seguida, peço para que ela vá para o momento de sua morte. Ela diz que parou de comer por causa da tristeza. Não tem alma, sentimento, não tem vontade de viver. Não tinha sentido viver sem ele e acaba morrendo. Após sua morte, se vê levitando e descansando. Pergunto-lhe qual seu propósito de vida nesta vida atual. Ela diz: “Eu vim para servir, mas de uma maneira digna, como médica”. Ela veio para esta vida para se sentir bem e não ficar se rastejando como em vidas passadas. Aliás, em outras sessões de regressão após esta, a paciente se viu como prostituta, cujo pai a obrigava a se prostituir com os homens para sustentá-lo. Numa outra vida, se vê tomando conta de um bar, servindo as pessoas, para sustentar seus 3 filhos. Levava uma vida de muita pobreza e humildade, sempre se vendo com um lenço na cabeça. Ela percebe também no final desta sessão que o tempo dela e de seu marido de ficarem juntos nesta vida atual, já passou. Então, ela estabeleceu como meta de vida, aprender a ser ela mesma, enfrentar a vida, tomar posse de si. Ela disse: “ Eu tenho que buscar em mim essa proteção e apoio que sempre procurei no meu marido.”
Ela se conscientizou de que ninguém poderia fazer isso por ela. Após passar por mais 7 sessões de regressão, tomou a firme decisão de romper a dependência e submissão com seu marido, separando-se dele. Ela me disse: “Daqui para frente, vou andar com as minhas próprias pernas e reassumir a minha vida.”
E foi o que ela fez. Cumpriu sua meta de vida.
Sobre o autor
Osvaldo Shimoda é terapeuta com mais de 40 anos de experiência e 60 mil sessões de regressão já realizadas. Criador da Terapia Regressiva Evolutiva TRE, professor e pesquisador das terapias integrativas e do desenvolvimento espiritual, com atuação dedicada ao estudo da consciência, dos processos terapêuticos profundos e da formação de novos terapeutas. Reconhecido por sua abordagem ética, responsável e acolhedora, Osvaldo Shimoda desenvolveu e estruturou metodologias terapêuticas que auxiliam pessoas em seus processos de autoconhecimento, equilíbrio emocional, expansão da consciência e desenvolvimento espiritual. Email: [email protected] Visite o Site do Autor