Publicado dia 10/6/2003 11:39:09 AM em Vidas PassadasA situação descrita acima a princípio, pode parecer meio assustadora ao leitor, mas retrata a maneira pela qual muitos de meus pacientes vêem a experiência após a morte física em vidas passadas.
O Livro Tibetano dos mortos esclarece que o momento pós-morte vai depender do grau de instrução espiritual (adquirido de todo o carma acumulado desta e de outras vidas). Já presenciei pessoas que no momento de sua morte, reúnem seus entes queridos, agradecem por tudo que fizeram por eles, se despedem e vão embora deixando seus corpos. Por outro lado, há outros que para deixarem os seus corpos, seus bens materiais e entes queridos é um drama, um martírio e, evidentemente, todos passam a sofrer porque o apego é muito grande.
Mais cedo ou mais tarde, toda criança pergunta: Por que tenho de morrer?
E muitos continuarão fazendo essa pergunta a vida inteira.
Muitos pacientes me perguntam antes de iniciarmos a sessão de regressão:
"Eu vim a essa terapia para saber se após a morte física
será o fim de tudo ou a minha consciência irá sobreviver".
Aliás, essa pergunta é muito antiga. Quase todos os filósofos,
místicos e religiosos lidam com ela, e toda a religião constrói
boa parte de sua doutrina tentando respondê-la. Ainda hoje, essa pergunta
não desapareceu. Vejo muito preconceito, tabu, como o sexo era para os
Ingleses na era vitoriana.
Lidar com a morte e mesmo falar dela ainda é muito difícil para
a maioria das pessoas.
Nossa própria má vontade em lidar com a morte nos leva a uma inconsciente tradição que faz pouco para responder às perguntas - Por que nós morremos? Por que temos que morrer? Como lidar com as perdas dos entes queridos? Como confortar um moribundo em seu leito?
Da mesma maneira que pesquisadores buscam indícios da reencarnação, também se empenham em ir atrás de indícios que revelem o que ocorre após a morte física. Desde a década de 50, muitos estudiosos procuram captar comunicações espirituais através de aparelhos eletrônicos - a esse tipo de experiência eles chamam de "transcomunicação".
As experiências "próximas da morte clínica", por pacientes em estado de coma ou que tiveram parada cardíaca e que foram reanimados, constituem relatos muito interessantes registrados em livros escritos por pesquisadores sérios e idôneos dentro da comunidade científica. Os mais conhecidos são a Dra. Elizabeth Kubler-Ross, autora do livro "Sobre a Morte e o Morrer" e o Dr. Raymond Moody , autor do livro "Vida depois da Vida".
A Dra. Elizabeth Kubler-Ross estudou e acompanhou inúmeros doentes à
beira da morte. Ela e sua equipe colheram cerca de 20 mil depoimentos desses
pacientes.
O conteúdo desses depoimentos coincide com a pesquisa feita também
pelo Dr. Raymond Moody e sua equipe, isto é, as descrições
feitas pelos pacientes de suas experiências quando próximos da
morte foram muito semelhantes.
O paciente flutua e vê de cima o seu corpo deitado na maca ou na mesa cirúrgica sendo reanimado pela equipe médica. Muitos chegam a ver também os parentes conversando aflitos, escutam ruídos estranhos, agradáveis ou não; o espírito percorre um túnel escuro e no final encontram pessoas conhecidas e desconhecidas desencarnadas; deparam-se com um ser de luz que é percebido não apenas como uma luz, mas sim como uma consciência inteligente e passam a reviver os fatos desta e de outras vidas.
Todas essas pesquisas vão realmente de encontro com o que os meus pacientes costumam relatar em suas experiências após suas mortes físicas em vidas passadas. No entanto, nem sempre o paciente em regressão consegue visualizar e recordar experiências pós-morte. Quando pergunto o que acontece com ele após sua morte física na vida passada, alguns não se recordam, não visualizam nada. Quando o paciente não consegue entrar nesse "espaço entre vidas", não insisto, pois percebo que só alguns estão preparados para tal. Por outro lado, os que conseguem reviver essa experiência, dizem que é nesse espaço que se programa a nova encarnação, com quem eles vão reencarnar, na próxima vida, que situações que terão de passar e quais as lições que terão de aprender com os seus familiares, amigos e desafetos.
Segundo o Dr. Raymond Moody, os pacientes que retornaram dessas experiências
de quase-morte, disseram-lhe que mudaram radicalmente o modo de ver a si, os
outros e a vida. Alteraram profundamente os seus valores, dando mais importância
à vida, às pessoas, à família. Descobriram que a
coisa mais importante na vida é aprender a amar, resgatar a capacidade
de amar. É o que acontece também com os meus pacientes, após
passarem pela TVP (Terapia de Vida Passada). Eles aprenderam a conversar com
as suas almas, voltando-se para dentro, para a luz interior, aquela energia
infinita capaz de operar milagres.
O Dr. Brian Weiss, autor do livro "A Cura através da Terapia de
Vidas Passadas", diz: "A terapia de regressão não se
limita a buscar lembranças de vidas passadas. Ao entrar em profundo estado
hipnótico e de relaxamento, muitas pessoas descrevem experiências
místicas e espirituais. Essas vivências têm muito poder e
chegam a transformar suas vidas. A visão do paciente sobre a vida e a
morte muda essencialmente. Os valores se convertem".
Caso Clínico: Insônia Constante
Mulher de 40 anos, casada, três filhos. Veio ao meu consultório
por conta de sua insônia que a atormentava desde a sua adolescência.
Já tinha passado por vários especialistas, se submetido a todos
os tipos de exames médicos sem contudo identificar a origem de seu problema.
Tomava medicação para dormir mas sua insônia persistia.
A paciente me relatou também que tinha muito medo de morrer e que talvez
fosse isso o que a impedia de pegar no sono. "Estou sempre alerta e tenho
que ficar esperta", comentou a paciente.
Ao regredir disse: "Preciso tomar conta desse lugar, vigiar. É
um lugar distante, tem muitas árvores, é dentro de uma floresta.
Estou me vendo de calças compridas, calço botas. Sou mulher, pele
muito branca, sou alta, cabelos curtos, ruiva e olhos azuis.
Aqui faz muito frio, uso roupa de couro marrom. Vejo fumaça saindo da
chaminé.
A casa é de madeira. É um lugar muito isolado e neva bastante. Eu tomo conta dessa casa, tenho que ficar atenta. Carrego uma espingarda, pois neste lugar tem bichos grandes (ursos). Mora uma família nesta casa. Eu não posso entrar, fico do lado de fora da casa, tomando conta. Tem um lampião e uma cerca de madeira. Não vejo o portão. Tomo conta à noite, não posso dormir. Nessa casa mora um homem barbudo, uma senhora e três crianças, todas sardentas e branquinhas. Eu moro numa cabana um pouco longe desta casa. Eu moro sozinha, não tenho ninguém. Eu sou uma mulher muito forte, corpulenta e grandona. Eles me colocaram para eu tomar conta daquela casa. Uma carroça traz comida porque esse lugar é muito isolado. Eu tomo bastante café, chocolate quente por causa do frio e para não dormir.
De vez em quando a senhora me dá uma tigela com um pouco de sopa para eu não dormir. Aqui à noite, é muito escuro. Eu fico na varanda, tem um banquinho de madeira. Fico sentada, não posso me deitar. Às vezes eu ando de um lado para outro. Eu fico cansada e quando clareia eu posso ir. Depois que a família se levanta, vou embora. Aí vou dormir na minha cabana.
Durmo um pouco durante o dia e aí coloco lenha para esquentar água
e fazer a minha comida. Essa família me paga em comida".
Em seguida, peço para que a paciente avance bem mais para frente nesta
cena.
"Meu cabelo está esbranquiçado, não moro mais naquela
cabana, estou num quartinho de fundo de uma mercearia. Estou muito velha, doente,
não consigo descansar porque tenho muita dor nas juntas. Devo ter por
volta de 60 anos.
Eu não consigo ficar muito em pé, não consigo dormir. Tem
uma mocinha que traz um caldo bem quente em uma tigela.
Estou muito debilitada, estou com medo de morrer. Eu não vou fechar os
olhos. Não é bom dormir porque aí eu posso morrer. Eu tenho
que ficar esperta. Eu não gosto de ficar no escuro, fico sempre com a
lamparina acesa. Tenho medo que aconteça alguma coisa... Fecho os olhos,
durmo e não acordo mais".
Peço para que ela vá para o momento de sua morte.
"Eu não quero morrer. Fiquei muito tempo acordada naquele serviço.
Eu morri sozinha, ninguém veio me cuidar. Fiquei apodrecendo".
Solicito em seguida para que ela me descreva o que acontece, para onde vai após
sua morte física.
Intervalo entre vidas:
"Eu me vejo de fora do meu corpo, mas ninguém veio me ver.
Só depois de alguns dias sentiram o mau cheiro e me enterraram num buraco.
É falta de consideração daquela família que nem
veio me ver. Fiquei vigiando aquela casa tanto tempo e nem me enterraram num
caixão, me jogaram num buraco. Agora eu não sei o que vou fazer
(paciente chora copiosamente). Eu tenho que ficar esperta. Onde estou agora
há pessoas como eu que já morreram. Gente feia, tenho que ficar
de guarda, senão vão me machucar, porque sou diferente delas.
A minha pele é mais branca e elas são todas escuras. Suas roupas
são todas pretas e a minha é branca. Eu não ando, flutuo.
Tenho que estar sempre alerta, não posso me descuidar. Eu queria voltar
para aquela casa que eu tomava conta porque lá é mais seguro.
Essa gente feia fica gritando, me provocando, falando palavrões. Eu não
gosto, estou cansada, quero sair daqui. Para onde eu vou? (começa a gritar).
Não tem lugar para eu ir, preciso fugir!
Subitamente, a paciente me diz que está vendo agora uma muralha muito
alta e que fica lá em cima tomando conta.
Ela me diz: "Sou um guarda, ando de um lado para outro. Existem também
outros guardas em sentinela, em cada canto da muralha do castelo".
Interrompo seu relato e lhe indago se ela estava revivendo uma outra vida. Ela
diz que sim e continua me descrevendo: "Uso uma arma muito antiga, estou
vestido com uma meia fina, calção sanfonado, roupa de manga comprida
bem justa colada no corpo. Uso um chapéu com formato de um cone. Este
castelo está muito protegido. Sou branco, meu rosto é liso, tenho
por volta de 20 anos. Sou guarda do castelo e protejo o senhor, sua família
e os serviçais. O castelo é tão grande que parece uma cidade.
Não gosto desse serviço pois sempre tenho que estar alerta por
causa dos invasores. Tomo conta à noite. Durmo pouco depois do almoço
e em seguida volto a montar guarda novamente. Nesta vida também não
tenho família. Conheço o chefe da estribaria e ele me dá
ordens.
Eu o conheço desde menino. Tudo o que ele manda fazer eu tenho que obedecer.
Tenho que escovar os cavalos, dar água, comida, deixar a cocheira sempre
limpa. Nunca vi o senhor e sua família. Eu não posso entrar, fico
só com os companheiros onde trabalho. Outro dia eu cochilei lá
na torre e aí fiquei preso por dois dias em pé. Eu me encostava
na parede. O carcereiro colocava água e comida por um buraco em baixo
da porta. O calabouço era muito escuro e apertado, não dava nem
para esticar as pernas. Meu chefe me falou que se repetisse de novo mandava
me executar. Não posso dormir durante o serviço.
Eu queria sair daqui, fazer coisas diferentes, embora eu goste dos cavalos, de conversar com eles, fazer carinho. Eu não gosto de carregar essa arma, pesa muito e dói os ombros. Não sei porque eles me colocaram como guarda se eu sou magrinho e não sou muito alto. Faltam serviçais e por isso a gente trabalha muito. E quando dormimos somos castigados. Tem um companheiro que eles mataram. Falaram que era um imprestável porque dormiu em serviço. Eu morro de medo de dormir. Eu tenho que ficar esperto e às vezes durmo em pé.
Estou com muita raiva desse senhor, não sou livre, queria fugir mas tem muralhas, portão. Um dia os invasores puseram escadas na muralha. A gente atirou e todos foram mortos. Eu estou com uma idéia. Se eles tentaram subir, eu posso descer. Mas não tem corda...
Ahi, me acertaram!!! (subitamente a paciente grita, gemendo de dor). Acho que eu vou morrer, eu ia fugir e o guarda me pegou. Bateu na minha cabeça com a sua arma e a estourou. Estou morrendo, não quero morrer. Agora não adianta mais, acabou, morri e me jogaram num buraco, me cobriram de terra".
Pergunto-lhe em seguida o que aconteceu após sua morte física?
Intervalos entre vidas:
"Vejo um homem, acho que é aquele companheiro que mataram porque
dormiu. Ele está com dor no peito, encostado numa árvore. Estou
com dor de cabeça, está explodindo, doendo muito.
Ele me chama, vou ficar com ele. Há outras pessoas, eles fazem muito
barulho, gritam muito. Eles não dão sossego. Aqui também
não dá para dormir. Estou com muita dor de cabeça, levei
uma pancada muito grande. Esmagaram minha cabeça. Não tenho sossego,
eu quero dormir, dormir!!! (grita bem alto).
Eles berram mais do que eu. Eles não escutam. São todos fantasmas...
Será que sou um fantasma também? Mas sou igual, estou com a cabeça
desfigurada e esse buraco no peito do meu companheiro... Eu quero dormir, dá
sossego, saí! (grita) Oh! Meu Deus! Estou desesperado, não tem
ninguém para me ajudar. Já que eu morri porque não acaba
a minha agonia? Não quero mais ser escravo de ninguém. Mas tem
outros que ficam me perturbando, não deixam eu dormir. Eles ficam me
cutucando, saí!
Eles me penduraram numa árvore de cabeça para baixo. O que é
isso? O que vocês querem? É para eu não dormir?, saí!
Não deixam eu dormir, aqui é um inferno. Tem um ali que tem um
rabo e o outro tem uma espada e me cutuca. Desgraçados! Sumam daqui!
Ah! Agora chegou a minha vez. Agora quem não deixa eles dormirem sou
eu. Eu sou o chefe, ninguém dorme aqui. Se reclamar vai para o calabouço.
É a minha vingança. Não deixo eles dormirem. Mas não
tenho sono. É que eu fico preocupado em não deixar eles dormirem.
O que adianta ser um chefe e ter que ficar esperto para tomar conta desses vagabundos?
Bom, agora vou dormir. Eu sou o chefe e posso dormir. Se acontecer alguma coisa o meu imediato vem me contar. Eu vou dormir, estou cansado".
No final desta sessão, faço uma correlação dessas duas vidas passadas em que ela não podia dormir e que persistiu mesmo após sua morte física - como a origem verdadeira de sua insônia na vida atual. Pedi para que ela se libertasse deste passado.
"Liberte-se completamente desse passado. Conscientize-se que você
nasceu novamente, num corpo sadio, perfeito e seu contexto de vida é
complemente diferente, hoje você não é solitária,
tem marido e filhos, um lar, hoje você é livre, pode dormir à
vontade.
Lembre-se: Você pode dormir sem correr o risco de morrer. Compreenda que
hoje sua situação de vida é completamente diferente de
seu passado, onde nada mais disso, estas sensações e sentimentos
negativos devem permanecer em você. Liberte-se desse temor, dessa aflição,
angústia, são sentimentos que pertencem ao seu passado. Desligue-se
deles, solte! Você pode fazer isso, não"?
- Sim- a paciente responde.
- Então vamos terminando.
Ao voltar para o estado Beta (vigília), ela me disse: "Agora, eu só quero dormir". Na sessão seguinte, a paciente comentou sorridente que estava dormindo profundamente, só vindo a acordar na manhã seguinte. Após mais 4 sessões de regressão, demos por encerrado o nosso trabalho.
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