Pacientes Resistentes à Terapia de Vida Passada

Pacientes Resistentes à Terapia de Vida Passada
Publicado dia 15/12/2003 10:56:09 em Vidas Passadas

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Resistência em TVP (Terapia de Vida Passada) é a oposição do paciente em manifestar recordações, lembranças de seu passado, seja desta ou de outras vidas, durante a regressão, dificultando o processo terapêutico e, consequentemente, a resolução de seu problema.

Essa resistência se dá em forma de bloqueios, isto é, ocorre uma amnésia total ou parcial de seu passado. E, se essa dificuldade persistir, o paciente começa a faltar ou chegar atrasado à consulta, desinteressando-se pela regressão a ponto de desistir do tratamento. Prefere fugir à terapia em razão de seu medo de enfrentar o seu passado, alegando que “não consegue” regredir.

A resistência se dá em dois níveis:

a) Consciente: Quando a omissão em trazer informações ao terapeuta durante a regressão é intencional por conta de sua desconfiança (pacientes desconfiados que têm dificuldade de criar vínculos afetivos com as pessoas), medo ou vergonha de descobrir coisas desagradáveis de sua vida passada que possam ir contra os seus princípios morais, religiosos e educacionais. Descobrir, por exemplo, que foi um assassino, suicida, estuprador, traidor, homossexual em vidas passadas;

b) Inconsciente: essa resistência é mais difícil de se trabalhar pois reflete mecanismos de defesa (não conscientes) pelo paciente contra a revelação do material reprimido no inconsciente. Normalmente esses mecanismos de defesa “disparam” para ocultar algo muito sigiloso ou traumatizante e muito doloroso de relembrar. O paciente evita insistentemente manifestar recordações de seu passado, por isso lhe desencadear ansiedade, angústia e mal-estar.

A mente é sábia, ela cria mecanismos de defesa para preservar a nossa integridade psicológica e emocional e nos poupa do sofrimento de recordar experiências dolorosas e traumáticas do nosso passado.
Neste aspecto, a mente inconsciente só irá liberar lembranças do passado se estivermos prontos, maduros psicológica, emocional e espiritualmente.
O paciente só irá revelar na regressão de memória aquilo que ele estiver preparado para trazer no nível de sua consciência; caso contrário, os mecanismos de defesa serão automaticamente disparados, impedindo-o de lembrar suas experiências passadas. É fundamental salientar aqui que esse tipo de terapia seja conduzido por um terapeuta cauteloso e experiente, que saiba respeitar a resistência do paciente e que não invada o chamado “véu do esquecimento”, essa barreira de memória que a vida sabiamente colocou para separar o passado do presente.

Um terapeuta experiente não permite aflorar ao consciente as lembranças traumáticas muito dolorosas que possam violentar o paciente e que este não está ainda em condições de suportar. Portanto, as lembranças de experiências anteriores devem ser reveladas gradativamente, tudo no seu devido tempo. Costumo dizer que a TVP é um trabalho de arte, ciência e muita paciência, para libertar o paciente dos problemas que o afligem.
Um outro fator a ser considerado como causa que leva alguns pacientes a não regredirem é o seu ceticismo pela regressão. É o receio, por conta de sua excessiva autocrítica e incredulidade, de achar que está “inventando” uma estória de sua suposta vida passada.
O paciente se sente ridículo ao trazer no nível de sua consciência revivências de vidas passadas.
Duvida, questiona, se sente “um impostor”, pois acha que tudo que está revivenciando é produto de sua fantasia, uma mera invencionice de sua mente fértil. São pessoas muito racionais que não aprenderam ainda a usar o hemisfério direito do cérebro (intuitivo). Usam muito o hemisfério esquerdo do cérebro (lógico e analítico).
Na verdade, nossa educação foi muito voltada para o nosso lado racional, analítico, técnico. Agora, a intuição, espiritualidade, aspiração ou inspiração foram fortemente bloqueadas, anuladas pela nossa cultura vigente. Segundo o dicionário Aurélio, “intuir” é olhar com olhos de primeira vez. É a primeira impressão que a gente sente em relação a algo ou alguém. E intuição não se explica, se sente. O problema é que a mente racional (hemisfério esquerdo), o ego, interfere, duvidando, achando que essa impressão é uma mera “fantasia”.
E muitas vezes, mais tarde você se certifica que sua intuição acerca de algo ou de alguém estava certo. Você duvidou!!!

Para muitas pessoas excessivamente racionais, sentir é algo complicado. Observe no seu dia-a-dia quantas vezes você diz “eu acho” e quantas você diz “eu sinto”.
Em verdade, as grandes respostas e descobertas se dão quando você não pensa. É quando sua atenção fica flutuando e você se permite anular o seu lado racional que questiona tudo, duvida e se preocupa.
A meditação e a hipnose são recursos para estimular o hemisfério direito do cérebro (intuitivo).
Veja o caso do lendário médium e vidente norte-americano Edgar Cayce, que em estado hipnótico (alfa), era capaz não só de dar consultas mas prever fatos com muito acerto e precisão.
O grande inventor Thomas Edison, que em estado alterado de consciência descobriu a lâmpada e concretizou o seu desejo de iluminar o mundo, foi muito criticado e ridicularizado por querer seguir o seu sonho.
Em verdade sabemos que uma idéia nova e conceito são ameaçadores ao nosso sistema de crença e temos a tendência de rejeitá-las prontamente. O grande cientista Galileu quase foi queimado na fogueira pela inquisição por defender a sua idéia de que a terra girava sobre seu próprio eixo em torno do sol (teoria heliocêntrica), que batia de frente com a teoria geocêntrica defendida pela igreja católica que dizia o contrário.
Para se livrar da fogueira teve que “democraticamente” se retratar e abrir mão publicamente de sua idéia nova e correta.

Albert Einstein dizia que era mais fácil desintegrar o núcleo de um átomo do que um preconceito. No entanto, vejo grandes avanços na visão de que o ser humano deve ser avaliado em sua totalidade, ou seja, mente, corpo e espírito.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) definia saúde como sendo “bem estar físico, mental e social” e excluía o lado espiritual. No entanto, desde 1998, a OMS incluiu o bem estar espiritual como uma das definições de saúde, ao lado dos aspectos físico, mental e social.
É um avanço na mudança de paradigma em relação à visão reducionista e organicista da natureza humana que sempre ignorou o ser humano como ser espiritual.Aos pacientes que passam comigo em regressão e que duvidam de suas vivências de vidas passadas, cito recentes estudos dos psicólogos paulistas Dr. Júlio Peres e Dr. Manoel Simões do Hospital das Clínicas, que fizeram estudos com a neuroimagem, submetendo os pacientes em regressão às aplicações da ressonância magnética. Neste estudo, eles constataram no mapeamento cerebral que em nenhum momento a estrutura cerebral responsável pela imaginação foi ativada durante a regressão e somente as áreas da memória e das emoções tinham entrado em atividade.
Esses dados evidenciam portanto que o paciente não imaginou ou inventou uma estória durante a regressão de memória, mas que trouxe uma recordação de sua memória com conteúdo emocional.

E, por último, existe um fator extra-físico que costuma dificultar o paciente de regredir que é a influência de entidades espirituais, isto é, de inimigos de vidas passadas que ficam obsediando o paciente e, evidentemente, não querem que ele resolva seus problemas, dificultando portanto seu processo regressivo.
Essas presenças espirituais, quando se manifestam na sessão de regressão, costumam confidenciar que muitos dos problemas do paciente, tais como dificuldades financeiras e profissionais, saúde deficiente, problemas conjugais, instabilidade emocional, acidentes de carro, etc. são elas que estão provocando.
Nesses casos, costumo encaminhar o paciente para um centro espírita idôneo para um tratamento de desobsessão.

Caso Clínico: Instabilidade Afetiva e Financeira
Homem de 32 anos, solteiro.


Veio ao meu consultório por conta de sua insegurança afetiva e financeira. Prosperava e em seguida, caía. Sua vida financeira era um verdadeiro “tobogã“ (altos e baixos).
Tinha sempre muita idéias e planos em seu trabalho mas que sempre acabava abandonando e não entendia o porquê dessa desistência.
No aspecto amoroso não permitia se relacionar com mulheres de seu nível sócio–econômico e cultural. Apesar de ter um nível cultural bom (Doutorado em Economia), se sentia inferiorizado diante de mulheres de seu nível. Preferia, portanto, se relacionar com mulheres de padrão abaixo do seu.
Sentimento de não merecimento e desvalorização eram uma constante em sua vida. Queria constituir uma família com uma mulher de seu nível, mas queria entender o porquê de só se sentir atraído sexualmente por mulheres de nível abaixo do seu.

Ao regredir viu uma casa, um sobrado grande com um corredor lateral. Na frente, um jardim com muitas rosas. O paciente vê uma mulher correndo por esse corredor lateral. Ele me relata:
“Vejo-a vestida com aquele vestidão armado, ela é ruiva, cabelos avermelhados, cacheados, tem por volta de 25 anos. Ela faz sexo oral com um homem. Ela é amante dele. Eles estão no quarto cuja parede é de cor vinho. É um bordel. Esse homem é o dono do bordel. O rosto dele é redondo, cabelos lisos e repartidos ao meio. Usa bigode e barba. Ele é branco”.
- Pergunto ao paciente: “Quem é esse homem”?
“Sou eu. Essa mulher é prostituta e trabalha para mim. Ela é bonita, tem feições de uma italiana. Eu moro também neste bordel e a gente tinha um caso. A casa é um sobrado e os quartos ficam lá em cima.
Há uma pessoa que serve bebidas para os clientes.
Havia outras prostitutas que trabalhavam para mim. Estou de terno, sentado num banco em frente ao bar em que servem as bebidas. Eu trato as mulheres bem, mas não me envolvo com elas. Mas no fundo tenho vontade de me envolver. A minha amante é muito ciumenta e controladora. Não me deixa aproximar das outras”.

Em seguida, o paciente me confidencia que na vida atual também é dono de um bordel e que essa amante dessa vida passada é a mesma que trabalha com ele em seu bordel hoje.
Ele me diz: “Ela continua ciumenta, possessiva e controladora. Não mudou nada. Na vida passada gostava dela, mas ela foi embora com outro homem.
Estou bebendo no bar por causa disso .
Ela vai embora em uma charrete e fica olhando para trás. Sinto falta dela, muita saudade. Ela está vestida de preto, usa chapéu preto. Ela acabou casando com este homem”.

Subitamente o paciente começa a tremer, tem contrações musculares.
“Estou numa cadeira de rodas, estou todo torto, feio, horrível, corcunda, o tórax todo amassado e meu corpo está todo contraído, encurvado. Sou moreno, pele mais escura, meio jambo. Sou paraplégico”.
- Pergunto-lhe se ele está revivendo uma outra vida.
“Sim, é uma outra vida. Vejo a imagem na minha frente de um farol de um a caminhão na estrada escura. Fui atropelado. Estava bebendo pinga na beira da estrada. Estava alcoolizado. Tinha mais gente neste bar. Briguei com um cara e saí correndo. O nome desse cara que briguei é José”.
De repente, mais uma vez, o paciente começa a tremer, a se queixar que sente frio e me relata:
“Sinto que alguém está apertando o meu pescoço. Não estou conseguindo respirar direito. Essa mão aperta muito forte a minha garganta”.
- Peço para que essa pessoa se identifique e explique por que está fazendo isso com ele...
O corpo do paciente começa a sacudir violentamente...
“Dr. Osvaldo, é o cara com o qual briguei no bar que está me apertando o pescoço!
Larga, desgraçado!!! Solta o meu pescoço!!! O que você quer comigo???
Ele está me soltando agora.
Ele diz que me odeia por que saí com a mulher dele. É corno mesmo!!! Trouxa!!!”

Novamente a entidade obsessora aperta a sua garganta e sacode violentamente o corpo do paciente. Em seguida, paciente relata:
”Eu era caipira, usava um chapéu de palha, o caminhão passou por cima de mim depois que saí correndo daquele bar. Me vejo agora todo torto na cadeira de rodas...
Dr. Osvaldo, esse desgraçado está me perguntando se eu lembro nessa vida passada quando eu estava perto de um rio, numa ribanceira na cadeira de roda que, sem motivo algum, caiu neste rio e acabei morrendo afogado. Ele diz que foi ele quem a empurrou. Diz também que vem me perseguindo e me prejudicando em várias encarnações e que não vai me deixar em paz”.

Após o término dessa sessão, combinamos que ele iria paralelamente ao nosso trabalho de regressão passar por um tratamento de desobsessão num centro espírita. Após 4 meses de regressão e tratamento espiritual, o paciente, uma vez livre da interferência espiritual, começou a se relacionar com uma mulher de seu mesmo nível e os seus negócios voltaram a prosperar.


Sobre o autor
Shimoda
Osvaldo Shimoda é terapeuta com mais de 40 anos de experiência e 60 mil sessões de regressão já realizadas. Criador da Terapia Regressiva Evolutiva TRE, professor e pesquisador das terapias integrativas e do desenvolvimento espiritual, com atuação dedicada ao estudo da consciência, dos processos terapêuticos profundos e da formação de novos terapeutas. Reconhecido por sua abordagem ética, responsável e acolhedora, Osvaldo Shimoda desenvolveu e estruturou metodologias terapêuticas que auxiliam pessoas em seus processos de autoconhecimento, equilíbrio emocional, expansão da consciência e desenvolvimento espiritual.
Email: [email protected]
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