Resgatando sua Criança Interior

Resgatando sua Criança Interior
Publicado dia 1/23/2004 2:02:23 PM em Vidas Passadas

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Não se pode resolver problemas com palavras,
mas só com a experiência, não apenas a experiência
corretiva, mas revivendo o medo inicial (tristeza, raiva).
Alice Miller


O Dr. Eric Berne, psiquiatra canadense, criador da Análise Transacional, afirma que “carregamos” dentro de nós os nossos pais, o adulto que somos e a criança que fomos. Ele se baseou em três pressupostos fundamentais que serviram de base para o surgimento da Análise Transacional, uma teoria da personalidade humana e um método psicoterápico.

Os três pressupostos são:
a) Todos nós tivemos pais ou alguém que fez a função de;
b) Todos temos um lado adulto da personalidade que funciona como um “computador disponível” e processa todas as informações do ambiente para resolvermos os problemas;
c) Todos já fomos criança, isto é, um lado meio infantilizado, imaturo de nossa personalidade. É comum as pessoas medirem o grau de maturidade através da idade. Em verdade, a maturidade se mede nas atitudes.

Você tem consciência quando está agindo feito criança?
Não é raro observar alguns comportamentos infantis de pais em relação a seus filhos, de irmãos muito mais velhos em relação aos menores e até mesmo da esposa em relação ao seu marido ou vice-versa.

Veja o caso da esposa que briga com o marido por ciúmes. Ele dá um beijo na filha e a esposa “morre” de ciúmes e disputa com a filha o seu afeto. Essa esposa é uma “criança” fantasiada de adulto. É uma esposa possessiva, infantil.
Ao brigar com o marido, ela está regredida. Na verdade, está brigando com o seu pai por que ele dava mais atenção à sua irmã quando criança. Portanto, quem tem uma criança mal resolvida dentro de si tende a se tornar uma péssima mãe, confundindo-se com dela.

Pai é a mesma coisa, quer os brinquedos dele. Compra um vídeo-game para o filho mas não o deixa brincar, fica disputando o brinquedo como fazia com o seu irmão na sua infância. Muitos pais “morrem” de ciúmes do filho recém-nascido se queixando com as esposas que elas não lhes dão atenção. Muitos ainda querem seus carros importados e não se ligam nos problemas financeiros de suas famílias. Foram mimados quando criança e por isso a dificuldade de lidarem com as suas frustrações, não aceitando a realidade.

Outros reagem à frustração de forma irada, aos gritos. Em muitos casos uma explosão de cólera provocada por um motivo aparentemente banal pode ter suas raízes num passado remoto. Na maioria das vezes esse berro pode ser um berro contido que a pessoa teve que “engolir” diante de um pai autoritário e castrador em sua infância.
Desta forma, feridas abertas na infância podem deixar marcas profundas e criar distorções em nossa personalidade.

Portanto, para gerar comportamentos saudáveis quando for preciso, é preciso tratar dessa ferida conversando com a criança interior que existe em todos nós, através da terapia de regressão.

O CLÍNICO:
Brigas constantes com a esposa
Homem de 32 anos, casado.


Veio ao meu consultório por conta de suas brigas constantes com sua esposa. Dizia ser muito impaciente, estourado, nervoso. Queria entender o motivo de ser tão explosivo e impaciente.
Segundo o relato do paciente, seu temperamento explosivo, aliado ao ciúme que sentia pelo filho de 2 anos é que estavam desencadeando suas freqüentes brigas com a esposa a ponto dela querer separar-se dele.
Embora fosse filho adotivo, nunca faltou amor por parte dos pais. Desde criança as coisas tinham que ser do seu jeito. Costumava entrar em depressão, pois sempre teve dificuldade de ouvir um não, de suportar uma frustração. Não gostava de ser contrariado.

Ao regredir se viu com 4 anos de idade, pele morena, cabelos lisos e claros. Sentia-se revoltado pelo fato dos tios darem mais atenção ao seu pai do que para ele. Reagia também com raiva por se sentir rejeitado. Ficava agitado, nervoso e inquieto. Se viu brincando sozinho. Não tinha amigos na rua onde morava.
Sempre tinha que conviver com pessoas mais velhas. Sentia tristeza, solidão, queria muito ter amigos da sua idade.
O paciente me disse: “Faltou eu brincar com crianças da minha idade, eu sempre convivia com pessoas mais velhas. Os meus parentes me tratavam diferente. Uma prima falou que iria adotar uma criança e viu o meu jeito inquieto e nervoso, acabou desistindo. Eu me senti culpado. Acabei me afastando de todos e me senti mais sozinho ainda”.

Em seguida, pedi para que o paciente avançasse na regressão para a fase de sua adolescência.
“Continuo me sentindo sozinho. Perdi muito amigos e eu me sinto menosprezado. Eu sempre termino com as minhas namoradas até que conheci minha atual esposa. Foi paixão à primeira vista. Eu podia ficar longe de todos mas não dela.
Acabamos casando e cinco anos depois tivemos o nosso filho.

Meu filho sempre tomava o nosso tempo. Aí eu fiquei estressado, vieram as discussões. Ele me atrapalhava. Não podia sair com a minha esposa, assistir TV juntos, ir ao restaurante, sempre tínhamos que dar atenção ao nosso filho. Isso me magoava muito. Eu ia guardando, ficava chateado, angustiado. Ficava com raiva, nervoso e impaciente. Eu estava me sentindo muito pressionado, triste. Meu filho me afastava da minha esposa e eu o culpava por isso. Eu pensava: “Criança é nova, tem toda a energia do mundo o que não ocorre com os idosos. Eles sim, merecem mais atenção”.
Eu o interpelei dizendo: “Da mesma forma que os idosos, as crianças também necessitam de atenção, apoio e ajuda. E o seu filho tem apenas 2 anos”.
“Mas o problema é que eu não o vejo como criança. Quando uma criança quer brincar comigo eu fico bastante constrangido, não sei lidar com elas, tenho vontade de sair correndo. Eu fico com muita vergonha, eu me censuro porque sinto e ajo como se tivesse menos idade. É assim também com o meu filho. Eu não consigo pegá-lo no colo, brincar com ele. Não tenho muita paciência”.

Antes de encerrarmos a sessão lhe disse: “Você sofre da Síndrome de Peter Pan (Personagem do desenho animado de Walt Disney que não queria crescer, se tornar adulto). Faltou na sua infância conviver com crianças de sua idade. Daí vem o seu constrangimento, sua inibição de brincar com as crianças”.

Expliquei-lhe que era natural se frustrar com freqüência diante de uma negativa, pois ele não havia aprendido a ouvir um não (seu limite de tolerância à frustração era muito baixo). Era necessário portanto diminuir seu orgulho, desenvolvendo a humildade e conversar mais com sua criança interior. É o que fizemos nas sessões posteriores, alternando com a hipnoterapia, incutindo em seu subconsciente palavras e frases afirmativas de autoconfiança, paciência, tolerância, equilíbrio, compreensão e atitudes adultas.

Gradativamente, no decorrer do processo terapêutico, o paciente foi se permitindo brincar com o seu filho, pegá-lo no colo, dialogar mais com as pessoas - principalmente com sua esposa - ao invés dos comportamentos explosivos e agressivos. Após 16 sessões de regressão, demos por encerrado positivamente o nosso trabalho.


Sobre o autor
Shimoda
Osvaldo Shimoda é terapeuta com mais de 40 anos de experiência e 60 mil sessões de regressão já realizadas. Criador da Terapia Regressiva Evolutiva TRE, professor e pesquisador das terapias integrativas e do desenvolvimento espiritual, com atuação dedicada ao estudo da consciência, dos processos terapêuticos profundos e da formação de novos terapeutas. Reconhecido por sua abordagem ética, responsável e acolhedora, Osvaldo Shimoda desenvolveu e estruturou metodologias terapêuticas que auxiliam pessoas em seus processos de autoconhecimento, equilíbrio emocional, expansão da consciência e desenvolvimento espiritual.
Email: [email protected]
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