A Tirania do Ego

A Tirania do Ego
Publicado dia 4/2/2004 3:24:16 PM em Vidas Passadas

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Depois de passar pela 1ª sessão de regressão a vidas passadas, muitos de meus pacientes exprimem um sentimento de descrença dizendo: ”Estou me sentindo como se tivesse inventado tudo. Será que não foi imaginação, uma fantasia tudo o que eu acabei de recordar? Em contrapartida, muitos ficam intrigados com a vividez das imagens e dos sentimentos, que pareciam reais.

Em verdade grande parte desse ceticismo vem do fato de muitos pacientes acreditarem, erroneamente, que não estão em transe hipnótico e, portanto, não regrediram verdadeiramente.
Na realidade, muitas pessoas têm a noção preconcebida de que ao regredir entram em transe profundo e, portanto, adormecem, ficando inconscientes. Daí a pergunta de muitos: “Vou lembrar de tudo após passar por essa regressão”?

Aliás, a palavra hipnose é equivocada, pois vem da palavra grega “hypnos” que significa sono. A neurociência, através dos exames modernos, prova que em estado hipnótico, a pessoa não está dormindo. Nem mesmo os pacientes que entram nos níveis mais profundos de hipnose adormecem, pois reagem a todos os comentários do hipnotizador.
Poucas pessoas se esquecem totalmente do que houve numa sessão de regressão. A maioria tem plena consciência do que está sendo dito. Por conta dos mitos que existem a respeito da hipnose, muitos a vêem com grande ceticismo, achando que é uma forma muito perigosa de controle da mente. Em verdade, qualquer situação comum na vida diária pode induzir uma pessoa a um leve estado de transe. Dirigir durante muito tempo na chuva durante a noite, numa estrada reta com os limpadores de pára-brisa funcionando ritmicamente pode fazer com que as pálpebras de uma pessoa fiquem pesadas e cansadas e tirando a atenção do ato de dirigir. Escutar um palestrante que fala sem dinamismo, de forma monótona, repetitiva, além de falar pausadamente, leva a entrar num estado alterado de consciência, em alfa. O cérebro passa para o estado alfa e o hemisfério direito de cérebro (intuitivo) passa a ser dominante. A meditação e a oração também são estados leves de auto-hipnotismo.

Aliás, as grandes respostas e as soluções para os seus problemas ocorrem quando você não pensa, isto é, sua atenção fica flutuante.
Na prática meditativa, você anula o seu lado racional (hemisfério esquerdo do cérebro) e as informações vêm espontaneamente. Observe que toda a nossa educação foi muito voltada para o racional, o lado lógico e analítico.
Portanto, na nossa cultura, o hemisfério direito do cérebro (intuitivo) é fortemente bloqueado.

Aqui se explica o porquê de algumas pessoas encontrarem dificuldades em regredir.
Dentro do processo regressivo o hemisfério direito de cérebro é muito utilizado, pois a lembrança e o reconhecimento de pessoas que convivem conosco na vida atual e que fazem parte de nossas vidas passadas se dão de forma intuitiva.

Costumo comentar em minhas palestras que pessoas muito racionais como engenheiros, economistas, contadores, por exemplo, são os que encontram mais dificuldades de se entregarem no processo regressivo. É importante que essas pessoas se livrem da tirania do ego, isto é, não deixem que a mente racional, crítica, interfira no processo regressivo, não deixando que o conteúdo do inconsciente apareça espontaneamente.
É por isso, que antes de iniciar a regressão dou uma explicação das condições que irão favorecer o processo regressivo. Peço ao paciente que desista de controlar a situação de filtrar o material que for surgindo e de censurar o que for revelado. Sugiro também que ele deixe aflorar e sinta cada emoção que vier à superfície de sua mente.

Desta forma, pra ter sucesso terapêutico, é preciso que haja a anuência interna do paciente, ou seja, é necessário que haja um compromisso com estas recomendações mencionadas acima sem restrições. Não há terapeuta que faça uma regressão com êxito, se o paciente se negar, mesmo que inconscientemente, a relaxar e a entregar-se às suas memórias.

Neste sentido, a TVP (Terapia de Vida Passada) é um processo terapêutico que depende mais do paciente do que do terapeuta. Em verdade, o terapeuta é um condutor, um facilitador do processo de autoconhecimento profundo que essa técnica proporciona ao paciente para resolver seus problemas.

CASO CLÍNICO: Prisioneiro do Passado
Homem de 40 anos, solteiro.


Paciente veio ao meu consultório por não conseguir dar continuidade naquilo que fazia. Queria entender o porquê de não conseguir finalizar seus objetivos. E isso ocorria em todas as áreas de sua vida (amorosa, financeira e profissional).

Sentia-se travado, preso. Quando começava algo as coisas não davam certo ou desistia no caminho. Evidentemente, sentia-se frustrado e impotente por não conseguir se realizar. Disse-me também que desde criança não reagia diante dos acontecimentos da vida. Ficava passivo, parado, quieto. Não reagia frente às adversidades. Queria entender também porquê desde criança sentia uns “trancos” no corpo todo.

Na 1º sessão de regressão, o paciente me revela: “sou forte, grandão, mãos grossas, minha pele é branca e calço botas de couro. Vejo cavalos, carroças, feno, estou dentro de um celeiro. Devo ter por volta de 30 anos, tenho empregados, uns 4. Eu trabalho junto com eles.

O celeiro está meio escuro, embora seja de dia... Oh! Meu Deus! Os meus empregados estão tentando me matar!
Eles me encostaram na parede; estou preso à parede. Não consigo me movimentar. Eles seguram fortemente os meus braços e as minhas pernas.
Eu não consigo me movimentar! (começa a gritar e a chorar). Eu me sinto impotente, indefeso. Estou travado.
Eles estão me batendo! (grita contorcendo o corpo todo). Os três empregados me espancam e o 4º só fica olhando. É o líder do grupo. Eles batem, batem... Não sinto mais nada! Alguém falou: “caiu”.
Estou caído no chão. Estou desmaiado. Eles me traíram, me dominaram e me espancaram. Tentei reagir, mas não consegui porque eles me imobilizaram e me encostaram na parede. Na vida atual, sinto a mesma sensação de imobilismo e de travamento. Diante de um problema ou de uma situação estressante, não tomo nenhuma atitude. É a mesma sensação de quando eu fiquei travado nessa vida passada.Socorro!!! Me tirem daqui!!!
Estou morrendo, não consigo sair... Acho que eu morri. Sinto o meu espírito um pouco acima do meu corpo, mas estou preso ainda ao meu corpo. Está muito difícil me desprender de meu corpo. Existe algo que me impede de sair...
Tem uma crosta que fica na região do meu abdome, como se me prendesse. Eu estou me culpando por ter feito alguma coisa errada... Na verdade, eu sinto uma sensação de arrependimento. Eu prejudiquei muita gente, principalmente os meus empregados. Eu os maltratava e os humilhava, castigava. Foi por isso que eles me mataram”.

Observe agora o que acontece após sua morte, peço-lhe:
“Sinto uma força me tirando do meu corpo e tudo ficou leve. Vejo-me agora em um lugar branco, mais sossegado. É como se eu estivesse repousando... É só isso que vejo”.

Procure se recordar agora qual é o seu propósito para esta vida atual? Peço-lhe:
“Essa crosta maldita ainda trago para a vida atual. É ela que me impede de me realizar, de agir, é como se eu estivesse preso a ela. Eu preciso eliminá-la, limpando a minha mente. Eu preciso por fim a essa culpa pelo mal que fiz àquelas pessoas e a sensação de prisão ainda está aqui dentro. Eu não consigo esquecer o que fiz nessa vida passada e a energia na região abdominal está presa. Agora compreendo também o porquê na vida atual sinto aqueles ‘trancos’ no corpo todo. Quando me enterraram vivo eu queria sair daquele lugar mas não conseguia. Ao morrer, meu espírito queria se libertar do corpo, daí esses “trancos” que hoje sinto no meu corpo”.

Antes de encerrarmos a regressão, fizemos uma desprogramação e uma programação positiva para que ele libertasse seu passado, se perdoando.
Após passar por mais 6 sessões de regressão, o paciente se libertou definitivamente daquela crosta (sentimento de culpa).
Disse-me no final do tratamento que estava se sentindo mais solto, mais livre, e desta vez, não iria mais se sabotar, se auto-punindo ao não realizar os seus objetivos.


Sobre o autor
Shimoda
Osvaldo Shimoda é terapeuta com mais de 40 anos de experiência e 60 mil sessões de regressão já realizadas. Criador da Terapia Regressiva Evolutiva TRE, professor e pesquisador das terapias integrativas e do desenvolvimento espiritual, com atuação dedicada ao estudo da consciência, dos processos terapêuticos profundos e da formação de novos terapeutas. Reconhecido por sua abordagem ética, responsável e acolhedora, Osvaldo Shimoda desenvolveu e estruturou metodologias terapêuticas que auxiliam pessoas em seus processos de autoconhecimento, equilíbrio emocional, expansão da consciência e desenvolvimento espiritual.
Email: [email protected]
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