Análise Transacional - Parte 3

Análise Transacional - Parte 3
Publicado dia 10/29/2004 6:15:40 PM em Vidas Passadas

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O Dr. Eric Berne, criador da Análise Transacional (AT), dizia que é preciso saber se comunicar bem consigo mesmo para se comunicar melhor com as pessoas. Mas para se comunicar bem consigo mesmo é necessário saber como se processa o diálogo interno “bate-papo” entre as partes da personalidade.
Ele baseou sua teoria da personalidade em três verdades absolutas, inquestionáveis:

a) Todos nós tivemos pais ou alguém que fez a função de;
b) Todos têm um adulto, isto é, um lado lógico, racional da personalidade;
c) Todos já fomos crianças um dia.
Os três aspectos comunicam entre si continuamente dentro de nossa cabeça em forma de diálogos internos.

Análise Estrutural da Personalidade:

a) Pai: É o lado autoritário, exigente, crítico, preconceituoso, carinhoso e nutritivo, que incorporamos de pessoas influentes em nossa vida, tais como: pai, mãe, avós, tios, professores, irmãos mais velhos que conviveram conosco. Nós experimentamos essas pessoas em forma de “vozes” que falam com a gente em nossa cabeça, que nos repreendem ou conversam conosco em forma de diálogos internos. Exemplo:
“Você tem que”...
“Você deveria fazer, porque senão”...
Desta forma, o objetivo da AT é fazer a pessoa reencontrar sua autonomia, isto é, resgatar a capacidade de escolhas do indivíduo, a liberdade em optar. Neste sentido, uma pessoa autônoma (e não autômato) é aquela que se 'desrobotizou', ou seja, aprendeu a pensar, sentir e agir por si mesma e não sob a influência dos pais.
Em verdade, toda nossa educação foi baseada no binômio: Permissão X Proibição. Muitas pessoas no seu processo educacional tiveram, por exemplo, permissão para pensar, para serem inteligentes, questionarem e resolverem seus problemas no dia-a-dia, porém a proibição de sentir, isto é, demonstrar seus sentimentos.
È o caso dos homens. Muitas vezes os pais proíbem os meninos de chorar, demonstrar tristeza, o que não ocorre com as meninas que têm permissão para chorar; portanto, podem sentir e demonstrar sua tristeza.
“Proibir”, isto é, desestimular uma criança a pensar, é fazer por ela, pensar por ela, não a estimulando a pensar por si, fazendo as tarefas escolares de seu filho, por exemplo. Assim, o grau de autonomia, isto é, a liberdade de pensar, sentir e agir aumenta na medida em que se aumenta o nosso autoconhecimento.

b) Adulto: É o lado racional, lógico, coerente da personalidade que funciona como um “computador disponível” e que filtra todas as informações da realidade externa, isto é, testa a realidade para se resolver os problemas do dia-a-dia. É o nosso bom senso, por exemplo, quando tentamos persuadir uma pessoa, buscando convencê-la através do dialogo, de uma argumentação lógica, coerente e sensata.

c) Criança: É o lado infantilizado, isto é, a criança que fomos em nossa infância e que se perpetua na fase adulta. É o lado de nossa personalidade que é dominado por nossas emoções (medo, raiva, tristeza, alegria, inveja, ciúmes, insegurança, etc.), que costuma, por exemplo, ter acessos de fúria, é impaciente (sócio do “clube do pavio curto”), como fazia quando tinha cinco anos de idade.
É o lado de nossa personalidade que entra no vitimismo, isto é, se sente um coitadinho, culpando, responsabilizando os outros pela sua infelicidade e que fica na maior parte do tempo reclamando, se queixando, ao invés de buscar soluções, respostas para os seus problemas. Quem tem uma criança mal resolvida dentro de si, tende a se tornar uma péssima mãe ou pai, pois não vai ser capaz de compreender, perceber ou mesmo dar proteção e apoio aos filhos.

É o caso do pai que tem ciúmes do filho pelo fato de sua esposa dar mais atenção a ele. Acaba se sentindo rejeitado, não amado e fica com raiva de seu filho. Ou ainda aquele pai que não suporta ver seu filho se sair melhor do que ele financeiramente. Busca competir com ele, tendendo sobrepujá-lo. O mesmo se dá com a mãe que, ao invés de cuidar da filha, quer inverter os papéis, ser cuidada. Por sua vez, a filha não a vê como mãe, mas como uma irmã.
Conheci uma mãe que seduzia todos os namorados da filha, buscando competir com ela. Temos o mau hábito de medir nossa maturidade pela idade. Na verdade, maturidade se mede pelas atitudes.
Muitas pessoas se comportam como crianças mimadas, mesmo ao atingir 30, 40, 50 ou mais anos de idade. Portanto, entrar em contato com essa criança interior que se perpetua na vida adulta, detectando suas carências, é a maneira mais segura de reconstruir o nosso Eu verdadeiro.

Caso Clínico:
Dificuldade de tomar decisões
Mulher de 40 anos, solteira.


A paciente me procurou por conta de sua insegurança em tomar decisões. Ficava num conflito muito grande ao ter que tomar uma decisão, principalmente no aspecto carreira. Isso a fazia perder inúmeras oportunidades de melhorar sua condição financeira e profissional.
Mudava constantemente de opinião na hora de tomar uma decisão por medo de errar, de vir a se arrepender e sentir culpa caso viesse a errar nas suas decisões. Evidentemente, isto a deixava muito angustiada e estressada diante de situações que exigiam dela uma tomada de decisão, uma escolha. Desta forma, queria saber o por quê de tanta indecisão e insegurança em sua vida.

Ao regredir, me relatou:
“Vejo uma rua movimentada, bem movimentada”.

- Você consegue se ver nesta cena – pergunto-lhe.
“Uso botas, saia comprida, tenho cabelos compridos, sou jovem, devo ter por volta de 20 anos (pausa). Nessa rua movimentada passam muitos bondes. Estou andando na calçada, de mãos dadas com uma menina. Ela é a minha irmã, deve ter por volta de sete anos, usa um vestido comprido e tem cabelos castanhos”.

- Para onde vocês estão indo – pergunto-lhe.
“Acho que vamos fazer umas compras”.

- Avance mais para frente nessa cena – peço-lhe.
“Eu tenho que cuidar dela, mas ela não pára, é muito inquieta. A rua é muito movimentada e a gente tem que atravessar. Ela larga de minha mão e não consigo ir atrás dela... Ela sai correndo no meio da rua (paciente começa a chorar). Ela é atropelada por um bonde. Oh, meu Deus! (Paciente grita e chora desesperadamente). Eu não consegui segurá-la, fiquei com medo de ir atrás dela porque a rua é muito movimentada. Tive também muito medo de ser atropelada. Ela está toda ensangüentada. Meus pais vão ficar muito tristes. Eu não tive culpa, eu não tive culpa (repete várias vezes aos gritos). Eu fico desesperada, não sei o que fazer. Fico pensando nos meus pais”.- Prossiga na cena e veja o que aconteceu com sua irmã – peço-lhe.
“Ela foi parar no hospital. Eu a acompanho, mas me sinto culpada; fico angustiada, com medo dela morrer, do que os meus pais vão falar. Acho que eles vão me culpar. Quando ela soltou a minha mão, eu devia ir atrás dela, mas tive muito medo de ser atropelada. Na hora não soube o que fazer... Eu fico muito triste porque gostava de minha irmã”. (chora copiosamente).

- O que aconteceu com sua irmã? – pergunto-lhe.
“Ela morreu (pausa). Meus pais ficaram muito tristes e revoltados com a morte dela. Fiquei muito envergonhada, me sentindo culpada. Não sabia o que fazer. Eu me sentia burra porque achei que poderia ter evitado o atropelamento. Embora eles não falem, sinto que me culpam. Eu fico com medo porque eles não confiam mais em mim. Eu perdi a confiança em mim também”.

- Avance mais para frente nesta cena – peço-lhe.
“Estou na minha casa, na sala. Estou sentada conversando com as pessoas. É uma festa. Estou triste porque sinto que os meus pais me desprezam. Eles ficam distantes de mim, indiferentes. É como se eles tivessem perdido a consideração por mim. Eu vou ficando muito insegura. Eu começo a me menosprezar, me desvalorizar. Fico muito medrosa, insegura, acho que alguma coisa de ruim vai acontecer novamente. Estou sempre tensa, preocupada, triste”.

- E os seus pais? – pergunto-lhe.
“Eles tentam aparentar uma certa normalidade, mas sei que não é verdade. Eles conversam comigo, mas não são calorosos. Antes eles me tratavam normalmente. Agora, eles ficaram mais tristes, mais distantes”.

- Avance na cena, anos depois – peço-lhe.
“Eu continuo na casa de meus pais. Devo estar com 30 anos. Estou mais velha, uso um vestido comprido. Meus pais estão mais velhos. Estou no quintal conversando com eles”.

- Como você se sente – pergunto-lhe.
“Eu ainda me sinto culpada, acho que eles nunca vão entender ou aceitar que eu não tive culpa pela morte da minha irmã. Não tenho muito que fazer, não adianta explicar (pausa). Agora estou casada, tenho um marido e um filho de três anos. Minha mãe ficou muito neurótica, traumatizada. Ela está sempre de mau humor, pessimista. Está sempre preocupada com tudo. O pior é que eu também penso assim. Ela me deixa insegura. A nossa relação é muito tensa. É como se eu sempre tivesse com medo de alguma coisa, como se eu não me achasse capaz. É difícil tomar decisões. Eu sempre penso que as coisas vão dar errado. Eu nunca penso na possibilidade das minhas decisões darem certo. Mas eu não consigo ser otimista. Aí fico com medo de tudo. Eu espero que as pessoas tomem decisões por mim. Eu me acomodo para não ter responsabilidade. Eu tenho medo de errar e sofrer novamente. Eu fico tensa, preocupada com o meu filho. É como se eu quisesse ser perfeita. Não quisesse errar de novo. Eu acordo sempre preocupada, sem motivo algum. Eu não consigo me relaxar“.

- Avance bem mais para frente nessa cena – peço-lhe.
“Minha mãe está doente, estou cuidando dela. Eu me sinto triste, obrigada a cuidar dela. Ela foi uma pessoa muito amarga”.

- O que você sente pela sua mãe – pergunto-lhe.
“Eu sinto pena dela, mas ao mesmo tempo raiva por ela ser tão amarga. Ela desconta suas frustrações em mim e nas pessoas. Ela nos magoa. Sei que ela não faz por mal, mas é uma pessoa muito amarga”.

- E o seu pai?- pergunto-lhe.
“Ele já morreu. Sinto falta dele, como se eu devesse alguma coisa. Eu fico frustrada por que não consegui mudar o que eles pensavam a respeito do acidente. Eles ficaram muito amargos em relação a tudo”.

- Prossiga agora bem mais para frente nessa cena, anos depois - peço-lhe.
“Minha mãe morreu. Eu me sinto aliviada, mas ainda me sinto culpada pela morte da minha irmã. Não consigo me livrar dessa culpa”.

- Vá para o momento de sua morte nessa vida – peço-lhe.
“Eu fico doente, fraca. Estou numa cama. O meu filho está do meu lado. Acho que o meu marido morreu”.

- Quais foram os seus últimos pensamentos e sentimentos no momento de sua morte - pergunto-lhe.
“Eu fico arrependida por ter vivido com medo de tudo. Eu não aproveitei a vida porque estava sempre preocupada, pensando no depois e nunca vivendo o momento. Eu fico frustrada, triste. Foi uma vida sem graça, pois vivia com medo. Não fiz nada de muito importante. Eu desperdicei uma vida”.

- Você consegue agora estabelecer uma conexão de seu medo de tomar decisões na vida atual com essa vida passada?- pergunto-lhe.
“Eu trago ainda na vida atual esse medo, essa culpa de errar novamente. É como se eu estivesse pisando em ovos. Fico muito preocupada das coisas darem errado novamente como na vida passada. Agora entendo o porquê na hora de tomar uma decisão, fico insegura, angustiada. Eu penso sempre no lado negativo quando vou tomar uma decisão. Eu fico com medo também de desapontar as pessoas, caso venha a tomar uma decisão errada”.
Realmente, a culpa não foi minha pelo atropelamento de minha irmã. Foi ela que se desprendeu de minha mão. Entendo também que eu me cobrei demais e carreguei uma culpa que não faz sentido. Eu assumi também a culpa dos meus pais por eles terem ficado infelizes com a morte da minha irmã. Eu desapontei os meus pais. Percebo agora que eu não fui negligente.
Reconheço, fui muito severa comigo mesma”.

Ao término da sessão, a paciente me disse que tinha tirado um peso de suas costas. Estava se sentindo muito bem, mais lúcida em relação à causa de sua insegurança, de seu medo de errar ao tomar uma decisão. Após mais 4 sessões, a paciente se libertou definitivamente dessa culpa em relação ao seu passado. Agora estava se sentindo mais segura ao tomar uma decisão.



Sobre o autor
Shimoda
Osvaldo Shimoda é terapeuta com mais de 40 anos de experiência e 60 mil sessões de regressão já realizadas. Criador da Terapia Regressiva Evolutiva TRE, professor e pesquisador das terapias integrativas e do desenvolvimento espiritual, com atuação dedicada ao estudo da consciência, dos processos terapêuticos profundos e da formação de novos terapeutas. Reconhecido por sua abordagem ética, responsável e acolhedora, Osvaldo Shimoda desenvolveu e estruturou metodologias terapêuticas que auxiliam pessoas em seus processos de autoconhecimento, equilíbrio emocional, expansão da consciência e desenvolvimento espiritual.
Email: [email protected]
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