A mediunidade é um fenômeno espiritual que ocorre com muito mais freqüência do que muitas pessoas imaginam.
Potencialmente, todos somos médiuns. Ou seja, a mediunidade é uma condição natural do ser humano, pois se trata de uma faculdade inerente ao espírito. Neste sentido, ela faz parte da natureza do homem e, portanto, não há nada de sobrenatural.
Quero ressaltar neste artigo que a mediunidade não é propriedade dos espíritas, isto é, não foi “inventada” pelo Espiritismo como muitos crêem. Da mesma forma que o inconsciente não é propriedade dos psicanalistas pelo fato de Sigmund Freud, o criador da psicanálise, ter estudado o inconsciente, a mediunidade não é privilégio exclusivo dos espíritas. Neste sentido, a manifestação mediúnica sempre existiu em todos os tempos, em todos os países ocidentais e orientais e em todas as religiões. Os Xamãs e os povos primitivos da antiguidade se comunicavam com os espíritos de seus antepassados através da mediunidade.
Lamartine Palhano Jr., autor do livro Transe e Mediunidade, lembra que “o espírito humano não está preso no corpo como se estivesse dentro de uma caixa. Ele irradia por todos os lados, podendo receber e emitir irradiações mentais (pensamentos) de níveis diferentes adotando aqueles pensamentos que lhe são mais afins. Então, somos potencialmente médiuns e, se não temos a devida vigilância, corremos o risco de estarmos vivendo o pensamento de outrem, e não o nosso próprio”.
Ele lembra ainda que “a mediunidade é um tipo de transe e que esse transe pode ser provocado de forma mediúnica por espíritos bons ou maus e pela indução hipnótica”.
Na minha prática clínica, em meu consultório, é muito comum meus pacientes entrarem em transe mediúnico (estado alterado de consciência) após a indução hipnótica e pela ação dos espíritos de elevada evolução, ou de pouca evolução.
É por isso que na entrevista inicial de avaliação fico atento às queixas de dores e doenças relatadas pelos pacientes que, embora tenham passado por todos os exames médicos necessários, não acharam em suas queixas, nenhuma causa de origem orgânica.
Muitos deles descobrem, ao passarem pela regressão, que têm uma mediunidade “aberta”. Pude observar o seguinte quadro clínico apresentado por esses pacientes:
• Dores pelo corpo que se manifestam ora em um lugar, ora em outro;
• Frio nas extremidades das mãos e dos pés;
• Sintomas vários de doenças, queda de pressão, falta de ar, arrepios;
• Dores na nuca, enjôo e cabeça pesada;
• Calafrios no corpo todo, chegando a apresentar febre, embora sem nenhum foco infeccioso;
• Instabilidade emocional: agitação, nervosismo, impaciência, crises de choro, depressão sem causa aparente.
A seguir, leia o caso de uma paciente cuja instabilidade emocional era decorrente de sua mediunidade.
Caso Clínico: Interferência espiritual
Mulher de 25 anos, solteira.
A paciente me procurou por estar sentindo dores na nuca, cabeça pesada, muito frio nas extremidades das mãos e pés, crises de choro, sentia seus olhos tremerem, as pupilas dilatadas, sobrancelhas do lado direito contraídas, arrepios (do lado direito do corpo) e sensação de ficar fora de si.
Fez todos os exames médicos necessários, mas estes não acusaram nada. Esses sintomas físicos se manifestaram após o falecimento de seu irmão. Era muito apegada a ele e não se conformava com sua morte. Tinha muita vontade de morrer, de ir embora, embora não pensasse em suicídio. Chorava de saudade, tristeza, tinha vontade de dormir e não acordar mais. Seu desejo era se reencontrar com o seu irmão. Após sua morte, tinha também muita vontade de tomar água (o irmão quando estava internado no hospital, tinha muita sede). Ao regredir me relatou:
“Estou vendo minha casa, é um castelo, é muito bonito. Vejo um portão dourado e um jardim. Nós moramos aqui. Nessa existência passada, o meu irmão é o meu marido. A gente é muito feliz, nós nos amamos muito. Ele usa uma roupa vermelha e dourada, meias brancas, sapatos dourados, chapéu com uma pena. Está sorrindo para mim. Eu tenho cabelos pretos, bem compridos, meu vestido é longo, branco e florido. Tenho 19 anos, sou clara (pausa)”.
- Avance mais para frente nessa cena – peço-lhe.
“Estamos passeando no jardim, de mãos dadas. Ele está sempre sorrindo para mim; a gente se ama muito. Vejo também muitas pessoas trabalhando para nós, são os nossos criados”.
- Peça mentalmente para o seu mentor espiritual que explique o porquê dessas manifestações físicas na vida atual - peço-lhe (pausa).
“Estou vendo um homem vestido de branco, acompanhado de outras pessoas. O meu irmão está com elas (começa a chorar). Todos estão usando roupas brancas, com exceção dele que está usando um vestido comprido, azul claro. Estão todos aqui no consultório. Ele está olhando para mim. Não consigo ver o rosto dele. Ele não fala nada, acho que não pode falar. Essas entidades espirituais são homens e mulheres, no total de nove. Um deles, um homem bem alto e forte fala comigo, mas eu não consigo me comunicar, não entendo o que fala - ele não move os lábios”.
- Para se comunicar com as entidades espirituais, use o pensamento. Pergunte mentalmente para ele o porquê de suas manifestações físicas – peço-lhe.
“O homem alto e forte é o mentor espiritual do meu irmão. Ele está do meu lado direito, me chama de ‘filha’ e diz que eu tenho uma missão de vida. Fala que eu vou saber qual é essa missão no seu devido tempo. A missão é espiritual. Diz também que o meu irmão ainda sofre com a sua partida. Meu irmão está muito emocionado (paciente chora muito). Afirma que ele está sempre junto de mim aqui na vida terrena e não consegue ainda se desprender. Isso explica as minhas manifestações físicas. É sempre muito difícil levá-lo de volta para o astral. O mentor diz ainda que preciso me preparar espiritualmente para que um dia eu possa falar com o meu irmão sem intermediários. Vamos saber disso no momento certo. Ele fala que vou precisar de muita força para suportar a ausência dele. Diz também que em muitas vidas passadas, estivemos juntos como grandes companheiros (pausa).
Agora eles estão me dando energia com a imposição das mãos. Vejo também o meu guia espiritual. Acabou de chegar. Ele surge do nada, não anda, flutua. Sempre senti sua presença, mas nunca o vi. Ele está aqui do meu lado direito, sorrindo para mim (paciente me relata isso deitada no divã). O cabelo dele é encaracolado e seu rosto é bem sereno. O meu irmão está do meu lado esquerdo. Ele tem muita ajuda desses espíritos evoluídos (pausa).
O mentor espiritual do meu irmão está me dizendo que é para eu ter muita calma, paciência e continuar sempre nessa empreitada da existência atual. Por isso eu preciso ler muito, ter fé e rezar bastante“. - Você gostaria de dar um recado para o seu irmão? Pergunto à paciente.
“Eu só quero dizer que o amo muito (chora emocionada). O meu mentor espiritual me diz que vai estar sempre comigo onde quer que eu esteja. Ele fala que vai voltar junto com o meu irmão nas próximas sessões. Diz que agora vai embora porque o meu irmão precisa ir (pausa).
Ele está se despedindo me dando um beijo na testa. Ele irradia muita luz. Aliás, a sala toda está iluminada pela presença deles”.
No final da sessão, a paciente me disse que estava muito emocionada e que não conseguia expressar em palavras essa experiência única, especial que acabara de vivenciar. Saiu de meu consultório com uma expressão serena e um olhar de encantamento.
Sobre o autor
Osvaldo Shimoda é terapeuta com mais de 40 anos de experiência e 60 mil sessões de regressão já realizadas. Criador da Terapia Regressiva Evolutiva TRE, professor e pesquisador das terapias integrativas e do desenvolvimento espiritual, com atuação dedicada ao estudo da consciência, dos processos terapêuticos profundos e da formação de novos terapeutas. Reconhecido por sua abordagem ética, responsável e acolhedora, Osvaldo Shimoda desenvolveu e estruturou metodologias terapêuticas que auxiliam pessoas em seus processos de autoconhecimento, equilíbrio emocional, expansão da consciência e desenvolvimento espiritual. Email: [email protected] Visite o Site do Autor