Você é teimoso ou perseverante?

Você é teimoso ou perseverante?
Publicado dia 3/18/2005 12:44:25 PM em Vidas Passadas

Compartilhe

Facebook   E-mail   Whatsapp

Qual é a diferença entre teimosia e a persistência?
Quando é que estamos sendo perseverantes, determinados, firmes em nossos propósitos sem esmorecer ou sendo teimosos, como uma “mula velha”, que empaca, não desiste, apesar das evidências dos fatos provarem que estamos no caminho errado?

Você lembra do Felipão (técnico da seleção brasileira de futebol) que apesar das pressões da mídia e dos torcedores em convocar para o seu time o craque Romário, em nenhum momento cedeu a essas pressões...
Não colocou o jogador e ainda por cima acabou ganhando a Copa Mundial de futebol e se tornou Pentacampeão. No entanto, antes dessa conquista foi xingado, rotulado de “burro”, “teimoso”. Após a conquista, foi ovacionado, aplaudido, venerado pelos mesmos detratores. Agora, se ele tivesse perdido o campeonato, a história seria outra... Em verdade, o rótulo de “teimoso” foi logo esquecido pelo resultado positivo que alcançou.

Assim também ocorreu com os grandes inventores, músicos, romancistas, pintores. Muitos só foram reconhecidos e consagrados após sua morte. Thomas Edison, o grande inventor, tinha o desejo ardente de iluminar o mundo. Muitos o rotularam de “louco”, “lunático”. Para ele inventar a lâmpada tentou inúmeras vezes, e, apesar do insucesso contínuo, não desistiu. Foi teimoso ou perseverante?

Então, o que é ser teimoso e perseverante? Qual a diferença? Segundo o dicionário Aurélio, perseverante é aquela pessoa que “procura conservar-se firme e constante, permanecer sem se mudar ou variar de intento. E teimoso é aquele que ”teima exagerado; é obstinado; insistente; birrento; boneco que um peso na parte inferior obriga a estar sempre de pé (O ‘João teimoso’).

Por esta definição fica claro que, em muitos casos, existe uma linha tênue, muito fina para sabermos distinguir a teimosia da perseverança. Em outras palavras, quando é que deixamos de ser perseverantes e começamos a ser teimosos? No meu entender, a diferença está no resultado. Ser teimoso é persistir nos mesmos erros, em algo que não funciona, que não o(a) deixa feliz. É resistir à verdade e cultivar a ilusão. É continuar a fazer algo que o(a) infelicita e que produz dor e sofrimento.

Quando um paciente me pergunta o porquê de sua infelicidade, eu costumo lhe responder: “Existe aí uma teimosia de sua parte que se recusa em mudar, em se desapegar de uma ilusão”. É por isso que o grande mestre Jesus costumava dizer: “A verdade vos libertará”. O contrário, a ilusão (mentira, ignorância, teimosia), nos aprisiona, gera dor e sofrimento. É comum uma pessoa teimosa não admitir que é teimosa e que está, portanto, iludida. Ela não se julga teimosa, mas alega categoricamente que é “persistente”, “determinada”.

Muitos continuam teimando em suas idéias, convicções, crenças e atitudes, mesmo depois de mortos. É comum em meu consultório aparecerem espíritos desencarnados durante a regressão do paciente. Este, por ser médium de vidência, visualiza esses espíritos atormentados, perdidos, que não percebem que estão mortos fisicamente.

Certa ocasião, uma paciente me disse durante sua regressão, estar vendo uma entidade espiritual do meu lado. A paciente a descreveu como sendo uma mulher aparentando ter uns 30 anos, vestida com um roupão preto e que estava de pé nos observando.

- Pergunte a ela o que está fazendo em meu consultório – pedi à paciente.
Ao perguntar à visitante, ela disse que estava de passagem e achou muito interessante a minha “palestra”.

- Pedi novamente à paciente perguntar-lhe se estava consciente de que estava morta fisicamente.
Indignada, a entidade espiritual respondeu: “Como morta... se estou conversando com vocês”?

- Perguntei-lhe então se ela via seu corpo físico...
Respondeu que, embora não o visse, sentia o seu corpo.

- Pergunte-lhe ainda se ela sente seus pés apoiados no chão.
Irritada, respondeu que não, e que não andava, mas deslizava, flutuava.
Em seguida, disse-nos gritando (segundo a paciente) que ia embora porque eu estava “confundindo” sua cabeça. E foi embora...

Desta forma, fica evidenciada neste caso, a teimosia, a obstinação da entidade espiritual em querer preservar sua crença de que não estava morta fisicamente.
Freud, o pai da psicanálise, chamava de negação esse mecanismo de defesa psíquico do ser humano em não querer aceitar sua nova realidade de vida. Portanto, é óbvio que uma pessoa que defende o intelectualismo materialista, que acredita que não existe uma vida após a morte, tende a continuar defendendo a sua crença obstinadamente, mesmo desencarnada.
Neste sentido, podemos afirmar que uma pessoa está sendo teimosa quando resiste, recusa em saber a verdade dos fatos, preferindo cultivar a ilusão. É evidente que, por conta de sua inflexibilidade, irá colher o fruto da dor e do sofrimento.

Caso Clínico: Vontade de Morrer.
Mulher de 50 anos, viúva.

Desde criança, sempre teve vontade de morrer, embora não soubesse o porquê. Na sua adolescência, um incidente agravou mais ainda a sua insatisfação em querer viver. Seu cunhado (marido de sua irmã mais velha) tentou estuprá-la. Ao contar o ocorrido para sua mãe e irmã, ambas a acusaram que ela se “insinuou” de forma provocativa ao cunhado.
Após o incidente, por não ter o apoio familiar (ao contrário, foi rotulada, taxada de “sem vergonha”), acabou tentando o suicídio (tomou 40 comprimidos) e foi parar no hospital. Felizmente, sobreviveu sem nenhuma seqüela física. Mas não tinha ânimo, vontade de viver. Ao regredir me relatou: “Estou deitada no caixão, estão jogando terra para me enterrar, mas eu ainda estou viva! (grita).
Sinto falta de ar, eu quero sair daqui! (começa a gritar e a chorar desesperadamente). Sinto desespero, eu não consigo respirar, eu quero sair daqui! Eu quero sair daqui! (pausa).
Agora estou enxergando uma luz branca e azulada. Sinto o ar mais suave, consigo respirar melhor. Mas continuo sentindo que estou deitada. Vem uma sensação de paz e tranqüilidade“
(pausa).

- Volte antes dessa cena para ver o que foi que aconteceu com você – peço-lhe.
“Vejo um campo, um pasto bem verde, não vejo casas, só verde”.

- Você consegue se ver nessa cena – pergunto-lhe.
“Sim. Uso um vestido antigo, é simples, mas é bonito. Sou clara, minhas mãos são finas, dedos longos, meus cabelos são ruivos. Sou bonita, devo ter uns 19 anos”.

- Que lugar é esse onde você está – pergunto-lhe.
“Agora estou vendo uma aldeia, as casas são simples, os telhados são baixos, cobertos com palhas secas. Os moradores estão dentro dessas casas”. - Avance mais para frente nessa cena – peço-lhe (pausa).
“Aaaiii! (paciente grita), uma mulher está me espancando e me xingando! Ela me xinga falando palavrão. Ela é magra, feia, deve ter uns 50 anos. Parece ser uma camponesa”.

- Quem é essa mulher – pergunto-lhe.
“Ela é a minha mãe (minha irmã na vida atual). Apesar de ela ser a minha mãe, não gosta de mim. Sinto que ela tem inveja da minha beleza. Por isso, por qualquer motivo, ela me espanca”.
(pausa).

- Avance mais para frente nesta cena – peço-lhe.
“Aaaiii! (paciente grita novamente). Que homem horroroso, nojento”! (começa a chorar).

- O que está acontecendo? – pergunto-lhe.
“Este homem me obriga a fazer sexo com ele. Ele mexe no meu corpo e eu não gosto. Ele é grosseiro, nojento! Eu prefiro morrer a fazer sexo com ele”!

- Quem é esse homem – pergunto-lhe.
“Ele é meu padrasto, é um homem que a minha mãe arrumou. Eu não tenho pai, ele morreu quando eu era criança. Esse homem asqueroso mora com a gente. Ele vive me molestando (pausa). Ele está me pegando no paiol, me faz coisas horrorosas, ele me abusa sexualmente, mas eu vou matá-lo! (paciente fala com ódio). Eu me sinto suja, imunda! (grita chorando). Eu faço coisas que não quero. Minha mãe sabe que ele me abusa, mas não faz nada. Mas eu vou matá-lo, desgraçado! Miserável, miserável”!
(grita e chora intensamente).

- Avance mais para frente nessa cena - peço-lhe (pausa).
“Eu peguei o machado e meti na cabeça dele. Minha mãe viu a cena no paiol e me deu uma paulada na cabeça e fiquei tonta”. (pausa).

- Prossiga nessa cena – peço-lhe.
“Eu fui enterrada viva. Os homens da aldeia me enterraram viva. Minha mãe falou a eles que eu estava morta. Eu acordei dentro do caixão. Foi por isso que senti falta de ar, angústia no início da regressão”.

- Vá agora para o momento de sua morte e perceba quais foram os seus últimos pensamentos e sentimentos – peço-lhe.
“Após passar pela angústia e desespero pela falta de ar no caixão, eu morri (pausa).
Vem agora a sensação de liberdade. Ele não vai mais me molestar”.

- Veja o que acontece com você após sua morte física – peço-lhe.
“Eu fui levada para um lugar onde tem paz. Estou agora vestindo uma túnica com tecido grosso. Não enxergo os meus pés, pois o vestido é cumprido, mas sinto que estou descalça”.

- Quem te levou para esse lugar – pergunto-lhe.
“Vejo um homem que me conhece há muito tempo. Ele é alto, meia idade, olhos amendoados, tem uma fisionomia serena. Ele veste uma camisa rústica e uma calça de sarja simples. Nós saímos voando, flutuando. Ele me conduz pelas mãos como se desse um impulso para voar. Eu o sigo ao seu lado (pausa). Agora ele me coloca num lugar tranqüilo, com muitas árvores, mas não vejo pessoas. Ele fala que eu preciso descansar.

- Você o conhece? – pergunto à paciente.
“Ele é o meu mentor espiritual”.

- Pergunte para ele qual a causa de sua insatisfação, de não querer viver na vida atual – peço à paciente.
“Ele diz que a minha insatisfação na vida atual é decorrente dessa culpa, dessa sensação de me sentir suja, que eu ainda carrego no meu perispírito (corpo espiritual), por conta desse abuso sexual que sofri nessa vida passada. Ele me explica que esse abuso se repetiu na minha adolescência na vida atual. Como resgate carmico, minha mãe veio como minha irmã na vida atual e o meu padrasto da vida passada hoje veio como meu cunhado. O resgate carmico de todos consiste em nos perdoarmos mutuamente. Ele diz que a lei divina nos convida a resgatar os valores internos de bondade e caridade. Diz ainda para eu viver um dia de cada vez, sem me preocupar demasiadamente com o futuro (paciente confessa que é muito preocupada). É como descer cada degrau, um degrau por vez e que tudo virá ao seu tempo. Portanto, diz para eu não me preocupar. Poderão vir tempestades, mas o sol sempre nascerá. Fala para eu confiar na vida e que ele estará sempre do meu lado”.

Após passar por mais quatro sessões de regressão, a paciente me disse que não tinha mais vontade de morrer, pois compreendeu que aquela culpa por ter sofrido o abuso sexual pertencia ao passado. Sentia que havia soltado alguma coisa de suas costas, se libertado de um peso muito grande. Estava se sentido livre, mais disposta em viver.


Sobre o autor
Shimoda
Osvaldo Shimoda é terapeuta com mais de 40 anos de experiência e 60 mil sessões de regressão já realizadas. Criador da Terapia Regressiva Evolutiva TRE, professor e pesquisador das terapias integrativas e do desenvolvimento espiritual, com atuação dedicada ao estudo da consciência, dos processos terapêuticos profundos e da formação de novos terapeutas. Reconhecido por sua abordagem ética, responsável e acolhedora, Osvaldo Shimoda desenvolveu e estruturou metodologias terapêuticas que auxiliam pessoas em seus processos de autoconhecimento, equilíbrio emocional, expansão da consciência e desenvolvimento espiritual.
Email: [email protected]
Visite o Site do Autor




Energias para hoje




publicidade








Siga-nos:
Youtube     Instagram     Facebook     x     tiktok

As opiniões expressas no artigo são de responsabilidade do autor. O Site não se responsabiliza por quaisquer prestações de serviços de terceiros.

Siga-nos:
Youtube     Instagram     Facebook     x     tiktok

 


  Menu
Somos Todos UM - Home