É comum as pessoas acharem que só o amor une. No entanto, o ódio também une as pessoas. Em outras palavras, a ligação entre as pessoas - estejam encarnadas ou desencarnadas - acontece tanto pelo amor como pelo ódio. Pelo amor, há afinidade e prazer; pelo ódio, insatisfação e angústia. Essas ligações persistem enquanto os envolvidos alimentarem esses sentimentos de amor ou ódio.
No meu consultório, são freqüentes as queixas de pacientes com problemas de relacionamento com seus pais, filhos, cônjuges, irmãos, parentes, colegas de trabalho e chefes. Ao passar pela regressão de memória percebem que esses conflitos interpessoais, na maioria dos casos, são muito antigos, advêm de vidas passadas e vêm se perpetuando há séculos, através das várias encarnações. Muitos, também, no astral (mundo espiritual) ficam se agredindo mutuamente. E quando um encarna, mas o outro não, o que ficou no plano astral acaba obsediando, aproveitando-se de sua invisibilidade para prejudicar o seu arquiinimigo encarnado que pode chegar a sofrer de crises de pânico, ansiedade, angústia, negativismo e medos como conseqüência da obsessão espiritual.
Desta forma, quem sofre de obsessão espiritual precisa compreender que para se libertar de suas crises de pânico (Síndrome do Pânico) é necessário se reconciliar com o seu desafeto desencarnado (obsessor), pedindo-lhe o perdão. Todavia, o perdão tem que ser sincero.
Por outro lado, se o obsediado não mudar seus padrões de pensamentos e sentimentos e continuar cultivando, no seu dia-a-dia, o ódio, o desejo de vingança, o rancor, a mágoa, a insegurança e a negatividade, estará se ligando ao seu obsessor pelos mesmos sentimentos.
É preciso, portanto, que o obsediado limpe o seu coração cultivando bons pensamentos, compreendendo as dificuldades dos outros, tendo vontade de perdoar, esquecendo as ofensas, e não se irritando gratuitamente. Agindo assim irá se sintonizar com as forças do bem, com o seu guia espiritual. Todos possuímos um guia espiritual que nos orienta, ajuda e aconselha e vem nos acompanhando há várias encarnações. Ele é o responsável pela nossa evolução espiritual, nos conhece mais do que a nós mesmos e tem um profundo amor, apreço por nós.
É por isso que na TVP (Terapia de Vidas Passadas) peço a ajuda do guia espiritual do paciente para que esclareça as indagações do mesmo a respeito de seus problemas. Sem dúvida alguma, o guia espiritual é a pessoa mais indicada para falar da causa do(s) problema(s) do paciente.
Leia, a seguir, as orientações do guia espiritual de um paciente que sofria de síndrome do pânico, insegurança, medo de sair de casa, excessiva ansiedade e baixa energia (sensação de prostração).
Caso Clínico:
Crises de Ansiedade
Homem de 42 anos, casado.
Veio procurar ajuda por conta de sua síndrome do pânico, insegurança, medo de sair de casa, excessiva ansiedade, baixa energia (cansaço físico) a ponto de não conseguir tomar banho.
Ao regredir, relatou:
“A impressão que tenho é de uma época de final de uma guerra. Estou num quarto, vestido de soldado; sou um oficial. Estou escondido nesse quarto; perdemos a guerra e estou com muito medo de ser capturado. Não vejo direito o meu rosto, mas tenho a impressão de que uso um bigode. Eu me sinto angustiado, perdido. Não sei o que fazer, que decisão tomar. Estou sozinho nesse quarto”. (pausa)
- Vá prosseguindo nessa cena e veja o que acontece com você - peço-lhe.
“A impressão que tenho é que acabei disparando um tiro colocando o cano do revólver no céu da minha boca... Estou caído no chão”. (pausa)
- Veja o que acontece com você após sua morte física – peço-lhe.
“Vejo soldados carregando o meu corpo e me jogam numa valeta. Eles derramam gasolina em meu corpo e ateiam fogo nele. Vejo-me saindo do corpo, flutuando, subindo... visto uma camisola branca”.
- Veja para onde você vai - peço-lhe.
“Só me vejo subindo... Existem pessoas (espíritos) tentando me puxar pela camisola. Elas estão se rastejando pelo chão. Mas eu continuo subindo. Ficou tudo escuro. (pausa) Agora estou num hospital do astral (mundo espiritual); o lugar é claro. Estou conversando com um homem, ele é o meu guia espiritual. Ele usa uma roupa franciscana”.
- Pergunte-lhe a razão de suas crises de ansiedade na vida atual - peço ao paciente.
“Ele fala que é a ansiedade de final de guerra. Diz que eu fiquei muito aflito, angustiado, sem saber o que fazer. É a ansiedade de acabar logo com aquela situação de espera, sem saber que decisão tomar. Diz ainda que continuo apegado a esses sentimentos do meu passado. É por isso que na vida atual sinto medo de sair de casa, tenho essas crises de pânico. Fala que tenho um grande potencial, mas que eu não o utilizo porque fico parado, esperando as coisas acontecerem como ocorreu naquela vida passada em que eu esperava o término da guerra”.
- Pergunte ao seu guia espiritual o motivo dessa falta de energia que você sente na vida atual - peço ao paciente.
“Diz que é causada pela minha rigidez mental que bloqueia a energia. Tenho medo de liberar, soltar a energia da agressividade, do ódio e da vingança por ter perdido a guerra. Ele diz para eu ser mais tolerante comigo, ter mais compaixão e me preocupar menos em querer receber, ser mais altruísta e me abrir mais que essa energia irá fluir para o lado positivo. Fala que aos poucos essa energia voltará ao normal. Diz ainda que essas crises de ansiedade na vida atual serviram para eu quebrar os laços com o meu passado. Fala para eu não ter medo dos meus sentimentos, porque tudo o que aconteceu pertence ao passado (pausa). Vejo agora um rosto cadavérico usando um chapéu de soldado”.
- Peça para ele se identificar – peço ao paciente.
“O chapéu dele é de guerra, de soldado. Ele fala que o traí. Ele diz que eu o matei”.
- Pergunte-lhe porque você o matou? – peço ao paciente.
“Ele diz que num acesso de fúria eu disparei uma arma contra ele. Diz que ele era o meu companheiro nessa guerra, não era inimigo”.
- Pergunte-lhe quando ocorreu esse incidente – peço ao paciente.
“Diz que foi numa vida passada e que está desencarnado há bastante tempo e que eu não podia ter tirado sua vida porque a gente estava lutando junto”.
- Você gostaria de dizer alguma coisa a ele? – peço ao paciente.
“Eu peço desculpas por ter tirado a vida dele". (Paciente chora emocionado).
- Pergunte-lhe se ele quer ser ajudado – peço ao paciente.
“Ele diz que sim, que era o meu amigo naquela vida (pausa). Estou falando que vou orar para ele encontrar o seu caminho e conseguir a paz interior”.
- Peça agora para ele solicitar ajuda aos espíritos de luz para tirá-lo das trevas, da escuridão – peço ao paciente.
“Vejo agora uma luz puxando-o. Eles estão subindo em direção a uma luz maior (pausa). Quebrou o elo entre nós. Vi a imagem de um cordão que nos ligava se quebrando quando ele estava subindo em direção à luz”.
Após passar por mais quatro sessões de regressão, o paciente me disse que estava se sentindo mais seguro e mais calmo. Estava conseguindo sair de sua casa sem medo e mais disposto. Não estava mais sentido aquele cansaço físico.
Sobre o autor
Osvaldo Shimoda é terapeuta com mais de 40 anos de experiência e 60 mil sessões de regressão já realizadas. Criador da Terapia Regressiva Evolutiva TRE, professor e pesquisador das terapias integrativas e do desenvolvimento espiritual, com atuação dedicada ao estudo da consciência, dos processos terapêuticos profundos e da formação de novos terapeutas. Reconhecido por sua abordagem ética, responsável e acolhedora, Osvaldo Shimoda desenvolveu e estruturou metodologias terapêuticas que auxiliam pessoas em seus processos de autoconhecimento, equilíbrio emocional, expansão da consciência e desenvolvimento espiritual. Email: [email protected] Visite o Site do Autor