No artigo anterior, escrevi a respeito de uma nova abordagem de terapia, a Terapia Regressiva Evolutiva (T.R.E) criada por mim, fruto dos meus 21 anos (desde 1985) trabalhando com a T.V.P (Terapia de Vidas Passadas). A Terapia Regressiva Evolutiva trabalha os dois lados do paciente: a) Bloqueios de seu passado, através da regressão de memória; b) Crescimento pessoal e espiritual, através do(a) mentor(a) espiritual do paciente que o orienta em relação à sua vida pessoal e profissional, propiciando-lhe a perspectiva de um novo caminho e um crescimento pessoal e espiritual, e até mesmo faz previsões corretas – desde que haja a permissão do Plano Maior (Espíritos Superiores) – sobre acontecimentos futuros de sua vida com muita profundidade e sabedoria.
Neste sentido, a T.R.E. trabalha não só com a regressão de memória, mas também com a progressão de memória (previsões de acontecimentos futuros da vida do paciente) - se assim o(a) mentor(a) espiritual achar necessário.
No inicio de meu trabalho em T.V.P, por ser ainda jovem e inexperiente, achei que se eu podia levar meus pacientes ao seu passado, regredindo-os. Obviamente poderia então levá-los ao seu futuro, usando a progressão de memória. Foi o que fiz com uma paciente. Após regredi-la em suas vidas passadas, em seguida, levei-a ao seu futuro, fazendo-a ver como seria a sua vida daqui a 10 anos.
A paciente me descreveu: “Estou me vendo numa casa bem confortável, espaçosa, seu tamanho dá o dobro da casa onde moro atualmente.
É muito bonita! Eu me vejo com o meu filho que está agora um rapaz, com 18 anos (pausa). Mas eu não estou vendo o meu marido...
Onde está o meu marido?! Não o vejo nessa casa (pausa). Subitamente, a paciente começou a chorar e a gritar desesperadamente!
Perguntei-lhe o que estava acontecendo...
Em prantos e soluçando, ela me disse que viu um flash de uma imagem pela qual seu marido veio a falecer num acidente de carro. Disse-me que não queria mais continuar com a progressão.
Apesar de acalmá-la, saiu de meu consultório ainda espantada com o que vira, e não quis mais continuar com o tratamento. O futuro a chocou por demais. Não estava ainda madura o suficiente para saber a respeito de acontecimentos futuros em sua vida. Desde então, decidi que nunca mais iria trabalhar com a progressão de memória.
No entanto, anos depois desse incidente, tudo mudou em minha vida quando uma paciente, numa das sessões de regressão me disse: “Dr. Osvaldo, eles estão falando para dizer ao senhor que vão ajudá-lo a conduzir a sessão de regressão”.
Atônito, perguntei à paciente: “Eles quem?!”
- O meu mentor espiritual e os amigos espirituais do Astral Superior - disse a paciente.
A partir daí, me conscientizei que eu era parte integrante de uma equipe do Astral. Compreendi que o(a) mentor(a) espiritual do paciente era a pessoa mais indicada não só para “descortinar o seu véu do passado”, como também - se for para a melhoria dele - revelar algo a respeito de seu futuro. O(a) mentor(a) espiritual do paciente o conhece muito mais do que ele próprio, pois vem acompanhando-o em várias encarnações.
No final da sessão de regressão, é comum o(a) mentor(a) mostrar ao paciente eventos futuros de sua vida. Pude observar que o valor terapêutico dessas revelações é significativo, pois o ajuda muito emocionalmente. O paciente sai da terapia com outra visão a seu respeito, com relação às pessoas e à vida. Passa a tomar decisões de forma mais segura e tranqüila, e a fazer escolhas de forma mais ponderada e consciente, pois sabe o que o futuro lhe reserva. Sem dúvida alguma, a experiência da progressão, propiciada pelo(a) mentor(a) espiritual do paciente, o ajuda muito a se equilibrar emocionalmente, e a ter maior auto-estima e autoconfiança em sua vida.
Caso Clínico:
Por que os homens se afastam de mim?
Mulher de 43 anos, solteira.
A paciente veio ao meu consultório querendo entender o motivo dos homens se afastarem dela. Eles se mostravam bastante interessados inicialmente e, após alguns encontros, se afastavam dela sempre com alguma desculpa.
Pensava com freqüência em se suicidar, tinha crises de depressão constantes. E nessas crises, queria ouvir as músicas do cantor falecido Elvis Presley. Chorava muito ao ouvir as músicas dele. Tinha também pavor de envelhecer e ficar sozinha, bem como medo de sair de casa. Ficava em dúvida, insegura, sonolenta, adiava ao máximo ter que sair de casa. Quando tinha 17 anos, ao acordar viu um vulto de um homem sentado no sofá em frente à sua cama observando-a. A imagem sumiu em seguida.
Ao regredir me relatou:
“Vejo a imagem de uma moça se despedindo de um soldado (pausa). Essa moça sou eu numa vida passada. Eu ia me casar com ele, mas ele não voltou. É o dia marcado para o meu casamento, eu choro e grito porque o meu noivo morreu na guerra.
As pessoas estão me segurando, eu estou descontrolada com a notícia.
Estou vestida de noiva, parecem os anos ‘40 (pausa). Vejo-me despedindo de meu noivo numa estação de trem.
Ele é magro, alto, usa um uniforme militar de soldado, carrega uma mochila nas costas e usa um quepe.
Nós dois somos jovens, aparentamos ter uns 23 anos. Eu uso uma saia rodada, um pouco abaixo dos joelhos, meus cabelos são curtos, uso uma blusinha de manga curta, calço um sapatinho fechado. Eu recebi a notícia da morte de meu noivo no dia de meu casamento (pausa). Vejo um caixão lacrado e, em cima, uma bandeira americana. É um cemitério aberto, é um campo.
Eu abraço o caixão e digo a ele que nunca mais vou ficar com mais ninguém, com nenhum homem (pausa).
As pessoas agora me afastam do caixão. Um soldado toca uma corneta - ele usa um uniforme militar de gala preto, cinto branco, botões dourados e usa um quepe. Estou com um véu e toda de preto. Eu me sinto abandonada, sozinha, desolada (paciente chora intensamente).
Vejo uma amiga que me abraça, me consola, fala para eu não ficar assim (pausa). Agora os soldados carregam o caixão para enterrá-lo. Eles tiram a bandeira de cima do caixão e a dão para mim. Descem o caixão dentro da cova com uma corda.
Digo para ele que o amo muito, e que só ficarei com ele. As pessoas jogam flores no caixão, e eu jogo uma rosa vermelha (pausa).
Dr. Osvaldo, o meu noivo está aqui no consultório, em espírito! Ele fala para eu não deixá-lo (chora copiosamente). Ele está segurando a minha mão.
Vejo-o fardado de uniforme militar de gala, exatamente como foi enterrado. Eu não quero deixá-lo também”.- Escute o que ele tem a lhe dizer – peço à paciente.
“Ele diz que me ama muito, que me acha linda, que não queria ter morrido. Diz ainda que nas trincheiras carregava a minha foto perto de seu coração, no bolso. Parece que caiu uma bomba na trincheira onde ele estava e o matou.
Ele diz que sempre me acompanhou e que odeia quando um homem se interessa por mim. Ele me influencia no meu dia-a-dia, sussurrando em meu ouvido que esses homens não servem para mim. Ele está de pé, do meu lado direito, aqui no consultório. Eu o vejo. Ele é loiro, é jovem e tem uns dentes muito bonitos (pausa).
Ele fala que me localizou na vida atual quando na minha adolescência eu estava vendo uma foto do Elvis (pausa)”.
- Veja o que mais ele tem a lhe dizer - pergunto à paciente.
“Ele fala que a gente vai ficar sempre junto. Vejo agora uma mulher que está do lado dele, aqui no consultório. Ela é um ser de luz; ela segura a minha mão. É a minha mentora espiritual. Ela fala para mim que está na hora de ele ir embora, mas ele se recusa a ir. Ela insiste dizendo que ele precisa ir.
Ele passa a mão nos meus cabelos, fala que me ama muito, dá um beijo na minha testa. Ele está muito cansado, a minha mentora o ampara com muito carinho e dedicação.
Ela vai levá-lo embora, ele solta a minha mão, A minha mentora está levando-o embora... Ele deu uma última olhada para trás. Eles flutuam em direção a uma luz branca - igual à dos raios solares. Entraram nessa luz branca... Não os vejo mais (paciente chora copiosamente)”.
Na sessão seguinte, a paciente me relata:
“Estou me vendo de preto, de luto em minha casa - moro com os meus pais. Sinto muita tristeza, minha mãe insiste para eu comer, mas não tenho vontade. Fico no meu quarto, olhando pela janela, está nevando. Eu não saio de casa, não tenho vontade. Eu me sinto só, triste (paciente chora copiosamente). É como se uma parte de mim tivesse morrido. Não faço mais nada, não saio mais de casa, não tenho mais vontade de viver. Minha amiga - aquela que me consolou no enterro de meu noivo - quer que saia, mas não quero. Minha mãe fica muito triste”.
- Avance mais para frente nessa cena, anos depois - peço à paciente.
“Estou fraca, não me alimento direito, não me sinto bem, minha cabeça está meio atordoada. Resolvi sair de casa e ir para a igreja. É noite, está frio, nevando. Estou andando pela calçada, peço a Deus para superar todo esse sofrimento.
Estou atravessando a rua em direção à igreja. Vejo uma luz forte vindo em minha direção, é do farol de um caminhão. Ele me atropela, e me joga longe. Foi tudo muito rápido. Vejo o motorista descendo do caminhão. Ele desce para ver como estou. O acidente ocorreu bem perto de minha casa. Vejo a minha mãe gritando e chorando.
Vem uma ambulância, o enfermeiro me coloca numa maca. Eles me levam para o hospital, tentam me reanimar, mas não conseguem. Meus pais chegam em seguida no hospital. Minha mãe passa a mão nos meus cabelos, chorando muito (pausa)”.
- Avance mais para frente nessa cena - peço à paciente.
“Estou em espírito num lugar que tem uma luz branca. Eu me vejo com um roupão branco, meus cabelos são ruivos, tenho um pouco de sardas, meus olhos são bem verdes. Estou com a minha mentora, sentada num banco, meio encurvada. Ela está em pé com a mão no meu ombro.
A minha mentora me diz que eu preciso reencarnar porque morri muito cedo, e não era ainda minha hora. Eu falo para ela que quero reencontrá-lo, vê-lo novamente. Pergunto-lhe que me diga onde ele está...
Ela fala: “Filha, você tem que ir!”
Eu a interpelo e lhe pergunto novamente: “Mas ele não vai reencarnar comigo”? - Ele não - diz a minha mentora. Ela me explica dizendo que não sabe onde ele está”.
- Pergunte à sua mentora por que os homens se afastam de você na vida atual - peço à paciente.
“Ela diz que é porque eu estou ainda muito presa ao meu noivo dessa vida passada. Diz ainda que inconscientemente não quero me envolver com nenhum homem, e que na verdade eu ainda espero por ele, porque eu tinha muita coisa para viver com ele naquela vida passada. Fala que eu mereço ser feliz, diz para deixar que os homens se aproximem de mim porque na vida atual ele não vai poder estar junto comigo. Ela entende que estamos sofrendo muito, mas que precisamos nos desligar. Diz que o nosso amor é muito verdadeiro, mas que só iremos ficar juntos numa outra encarnação”.
- Pergunte-lhe se o seu noivo estava realmente interferindo nos seus relacionamentos amorosos na vida atual – peço à paciente.
“Ela diz que sim, mas que eu também realimentei essa interferência porque não aceitei a morte dele. Diz ainda que eu até tento gostar de outros homens, mas que acabo os afastando”.
- Pergunte à sua mentora o por quê desse medo de sair de casa, do sono, da insegurança - peço à paciente.
“Fala que eu reproduzo na vida atual as mesmas sensações de sono, falta de vontade de viver, de sair de casa, após a morte de meu noivo nessa vida passada. Hoje, inconscientemente, como eu sei que não vou mais vê-lo, não tenho vontade de sair de casa. Como eu fiquei sozinha na vida passada, na vida presente trago o mesmo medo de ficar sozinha. Diz que eu não vou ficar sozinha como naquela vida passada. Fala que brevemente vou conhecer um homem que vai me amar muito, e que talvez eu não tenha um filho por causa de minha idade (43 anos) e também por eu ter endometriose (inflamação da mucosa uterina). Mas que esse homem irá entender tudo isso. E que serei feliz com ele.
Diz ainda para eu não me preocupar, parar com essa insegurança de achar que vou perder o meu emprego. Ela fala que o meu chefe me respeita muito, não só pela minha competência profissional, mas como o ser humano que sou. Esclarece que o meu noivo da vida passada está em tratamento no Astral Superior; ele vai entender muitas coisas em relação ao seu passado, e daqui a um mês vai estar bem melhor, e vai me ver de outro jeito.
Faz também uma recomendação para eu não ficar comentando com as pessoas a respeito do que vi na regressão porque nem todos têm a mente aberta para entender e quer me ver feliz.
Falou para orar sempre a Deus, que tudo vai dar certo. Está agradecendo ao senhor (referindo-se a mim) por ter conseguido ajudar o meu noivo. Ela diz que ele achou o caminho dele, pois estava muito perdido e não sabia que estava “morto”, em espírito.
Esclarece que na vida atual a minha idéia constante de me suicidar era porque eu queria ficar com ele, e que ele me chamava também.
Diz que a minha tristeza vai diminuir, e que vou ter mais amor pela vida. A minha energia vai melhorar, e isso vai atrair mais felicidade. Diz ainda que preciso fazer algo que me acalme mais, alguma prática oriental que cuide mais de meu espírito porque muitas pessoas só cuidam do corpo físico e se esquecem de cuidar da alma, do espírito. Essa prática vai me trazer uma paz interior e diminuir a minha ansiedade. Fala para eu escutar mais o meu coração e, com isso, vou saber o momento certo das coisas. Está agora indo embora em direção a uma luz branca”.
Após passar por mais quatro sessões de regressão, a paciente não pensava mais em se suicidar, as crises de depressão desapareceram, pois estava mais esperançosa. Estava também saindo de casa, sem insegurança ou medo. Disse-me que pensava no seu noivo da vida passada com carinho, mas sem saudosismo ou tristeza, pois sabia que ele estava bem.
Sobre o autor
Osvaldo Shimoda é terapeuta com mais de 40 anos de experiência e 60 mil sessões de regressão já realizadas. Criador da Terapia Regressiva Evolutiva TRE, professor e pesquisador das terapias integrativas e do desenvolvimento espiritual, com atuação dedicada ao estudo da consciência, dos processos terapêuticos profundos e da formação de novos terapeutas. Reconhecido por sua abordagem ética, responsável e acolhedora, Osvaldo Shimoda desenvolveu e estruturou metodologias terapêuticas que auxiliam pessoas em seus processos de autoconhecimento, equilíbrio emocional, expansão da consciência e desenvolvimento espiritual. Email: [email protected] Visite o Site do Autor