O trato com a obsessão deve ser iluminado pelo amor fraterno. Os espíritos são gente como a gente. É gente que sofre e que, portanto, precisa de compreensão e paciência.
São pessoas em conflito consigo mesmas e, portanto, com os outros, com o mundo, com a vida, com Deus e com o próprio amor.
É um ser humano, uma pessoa. O que ele deseja, embora nunca o admita espontaneamente, é que tenhamos paciência para ouvi-lo, compreendê-lo, cuidar da sua dor, ainda que conscientemente também não a reconheça”.
- Hermínio Correa Miranda, respeitado pesquisador, escritor, autor de mais de 30 obras do gênero).
A obsessão espiritual, na qualidade de doença ainda não catalogada nos manuais de medicina - que se estrutura em bases materialistas (o critério cientifico vigente é puramente organicista) e, portanto, não leva em consideração a existência da alma, do espírito -, mostra-se um dos mais antigos flagelos da humanidade, uma verdadeira epidemia.
Nas minhas observações clinicas em meu consultório tenho constatado que 95% de meus pacientes tem como causa de seus problemas o assédio de espíritos obsessores. A obsessão ocorre pela ação de espíritos desencarnados não esclarecidos, vingativos, que foram prejudicados em vidas passadas pelos pacientes.
Os efeitos da obsessão não se limitam às perturbações mentais do paciente, mas podem causar doenças mais complexas nem sempre diagnosticadas pela medicina, portanto, ainda não inseridas nos tratados de patologia médica.
Desta forma, se de um lado a obsessão espiritual é ignorada pela ciência materialista, do outro a Igreja a deturpa, considerando-a como atuação dos demônios. O filme “Exorcista” que foi passado há tempos nos cinemas, ilustra claramente a visão deturpada da Igreja Católica no trato com a obsessão espirítica.
É importante ressaltar que obsessores não são demônios, porque demônios não existem. O que existem são seres humanos como nós, dotados de razão e sentimentos, que sofrem e que também precisam de ajuda (embora a maioria não reconheça que precisa de ajuda, pois são movidos pelo ódio e desejo de vingança).
Aliás, não gosto dessa palavra “obsessor”, prefiro o termo “presença espiritual”, pois obsessor tem uma conotação discriminatória, vendo-o como o “algoz” e o obsediado (paciente) como a “vitima”. Em verdade, o paciente é “vitima” hoje, mas em vidas passadas foi o algoz, pois prejudicou o seu obsessor assassinando-o, estuprando-o, humilhando-o, etc.
Portanto, o algoz de hoje não passa de uma vitima do passado.Desta forma, na obsessão, o que ocorre é uma inversão de papéis. Em muitos casos, tais inversões (algoz e vítima) perduram em várias encarnações.
Neste aspecto, enquanto o ser humano alimentar sentimentos de ódio e vingança, a obsessão espiritual existirá ainda por muito tempo na crosta terrestre.
Certa ocasião, um paciente veio em meu consultório por conta de um zumbido que escutava ininterruptamente (24 horas) e que ia se agravando no decorrer do tempo.
Submeteu-se a todos os exames médicos necessários (audiometria, ressonância magnética) sem identificar a causa de seu problema.
Na primeira sessão de regressão, após iniciarmos, sua esposa que o acompanhava na regressão incorporou (era uma médium de incorporação consciente) uma entidade obsessora que disse ao paciente: “Canalha, lembra de mim? Ou está se fazendo de esquecido? (O véu de esquecimento do passado não nos deixa recordar as nossas lembranças reencarnatórias).
Doutor, esse canalha não vale nada!
Se o senhor soubesse quem é esse crápula, nem iria ajudá-lo mais. Ele tirou a minha vida, a minha esposa e roubou todo o meu dinheiro. Eu tenho todos os motivos para acabar com a vida dele. O senhor concorda comigo”?
Respondi que, enquanto terapeuta, não estava para julgar ninguém, mas para ajudar a todos, inclusive ele, caso quisesse.
Em seguida, perguntei-lhe se era ele que estava provocando o zumbido no paciente. Respondeu-me com uma sonora gargalhada.
Os obsessores espirituais utilizam diversas armas espirituais; no caso dele, introduziu no ouvido (perispírito) do paciente um artefato fluídico, imaterial, portanto, não detectável por nenhum aparelho médico, e que estava provocando esse zumbido com o intuito de perturbá-lo, enlouquecê-lo.
A cura da obsessão, conforme pregava o grande mestre Jesus, se dá através do amor e do perdão, ou seja, da reconciliação. Kardec, o codificador do Espiritismo dizia: “Em todos os casos de obsessão, a prece é o mais poderoso meio de que se dispõe para demover do obsessor o seu propósito maléfico”. (Allan Kardec, no livro ‘A Gênese’).
Portanto, a única terapêutica a ser aplicada para casos de obsessão espiritual é o perdão mútuo para que ambos - obsessor e obsediado - possam se libertar das amarras do passado.
Caso Clínico: Insucesso na Vida
Mulher de 35 anos, solteira.
A Paciente veio ao meu consultório depressiva, querendo saber o porquê de sua vida estar truncada, amarrada.
Sua depressão era resultado de sucessivas frustrações na área afetiva, profissional e financeira. Enfim, sua vida não prosperava. Tudo o que fazia, não dava certo.
Montou um negócio em sociedade e faliu; nunca namorou firme, pois os homens, do mesmo jeito que se encantavam inicialmente, se desencantavam logo, não querendo mais continuar no namoro.
Sempre quis constituir uma família, mas por conta desse insucesso amoroso, nunca conseguiu.
Recentemente, se apaixonou por um homem, mas veio a descobrir que o mesmo tinha uma namorada. Embora houvesse uma afinidade, uma paixão mútua, ele não se definia em assumi-la.
Desta forma, me procurou querendo entender o motivo de sua vida não fluir, não deslanchar naturalmente.
Ao regredir, pedi que ela atravessasse um portão - que é um recurso técnico que utilizo como um portal da espiritualidade, separando o presente do passado, o mundo terreno do mundo espiritual.
Ao atravessá-lo, a paciente me relatou:
“Vejo uma escuridão, umas névoas densas, escuras (astral inferior - é o mundo espiritual das trevas). Sinto uma presença espiritual, um vulto escuro, tenho a impressão que seja uma mulher...
Ela me diz que tenho que pagar tudo o que ela sofreu (pausa).
- Pergunte-lhe o que você fez para ela?
“Você me tirou tudo!”, diz gritando.
- Pergunte-lhe de que forma você tirou tudo dela - peço à paciente.
“Ela diz que eu tirei a vida dela e de seus dois filhos”.- Pergunte se ela sabe onde estão os filhos dela - peço novamente à paciente.
“Eu não sei, mas o que adianta se não vai trazê-los de volta”, me respondeu.
Eu falo que não lembro do que fiz a ela (o véu do esquecimento realmente não nos deixa acessar, lembrar de acontecimentos de nossas vidas passadas).
Doutor Osvaldo, ela cerra seu punho e me diz com ódio: “Sua vida está tudo aqui na minha mão, tudo que você quer está comigo (dinheiro, negócios, amor). Eu vou soltá-la na hora que eu quiser!
Agora ela não quer mais falar comigo, está indo embora (paciente fala chorando).
- Tenha calma, peça em pensamento para que o seu mentor espiritual - espírito diretamente responsável pela nossa evolução espiritual - te oriente - peço à paciente.
Apareceu um homem, de cabelos brancos, barba grisalha, usa uma bata branca que vai até os pés.
Ele diz que eu preciso pedir luz para ela, e que com isso, ela vai amolecer porque tem um coração muito duro. O meu mentor falou para eu encaminhar preces de perdão para ela - esse é o caminho.
Fala que eu preciso ajudá-la nessa libertação, pois a ajudando vou estar ajudando a mim mesma.
Pede para eu encaminhar o meu pensamento a Deus, pedindo muita luz e perdão. Não obstante, diz que ainda vamos nos tornar grandes amigas.
Informa que ela está nas trevas há mais de 180 anos. Parece uma eternidade para nós do mundo terreno, mas no mundo espiritual ele diz que não é nada.
Esclarece que ela está cansada e precisa reencarnar, pois tem muitas coisas a aprender (pausa).
Ele me acena e me diz: “Fique em paz e não se desespere, pois tudo virá ao seu tempo certo”.
Após passar por sete sessões, na oitava sessão de regressão, pedi para ela descer uma escadaria (é outro recurso técnico que utilizo para aprofundar o relaxamento hipnótico), a paciente me relatou: “Nessa escadaria, vejo um casal de crianças descendo comigo. Os dois são loirinhos, clarinhos, usam roupas antigas; é um menino e uma menina. Os dois estão de mãos dadas querendo me mostrar alguma coisa... Eles me mostram uma casa onde moravam. É uma casa de uma época antiga, têm outras casas dos lados. Parece um sobrado, mas não consigo ver com clareza. A impressão que tenho é que essas crianças querem me mostrar o que aconteceu nessa casa (pausa). Agora estou vendo melhor, a casa foi incendiada e elas dizem que fui eu que a incendiei. Nesse incêndio, morreram essas duas crianças e a mãe.
Elas morreram sem mágoas de mim, mas a mãe ficou presa na escuridão com muito ódio de mim. É isso que elas queriam me mostrar. Elas querem que eu resgate a mãe das trevas para ela parar de sofrer. Vejo agora as crianças indo à minha direita, sempre de mãos dadas, saltitantes, alegres, e, do lado esquerdo, vejo a casa queimada. (Pausa)
Estou vendo se consigo localizar a mãe delas...
Vejo-a na escuridão, ela chora, estende os braços e diz: ‘Meus bebês’!
Ela está emocionada, chorando muito, ela os viu. Deixa tentar falar com ela...
Tento falar com ela, mas ela não me vê. Não sei o que fazer, não consigo falar com ela”.
- Pede ajuda para o seu mentor espiritual - peço à paciente.
“Ele fala que eu toquei num ponto muito doloroso e sensível dela, e que agora tenho que estender as mãos para tirá-la da escuridão.
Estou tentando trazê-la, ela chora muito, mas não consigo...
Vou tentar falar com ela (pausa).
Ela não está mais com raiva de mim, mas ficou muito triste. Ela quer se libertar, mas preciso ajudá-la, ela quer sair da escuridão (pausa). Agora ela está vindo... Estou estendendo os meus braços, ela vem chorando muito.
Diz que só quer os bebês dela de volta. Falo para ela que agora eles estão bem. Ela me agradece por trazê-los de volta (em verdade, foi o mentor espiritual da paciente que os trouxe do plano espiritual de luz para sensibilizá-la a pedir ajuda).
Digo que preciso que ela se liberte para eu também me libertar. Ela concorda, quer ir para a luz, não tem mais medo.
Ela me diz: ‘Eu te liberto, eu devolvo a sua vida! Eu te perdôo porque agora eu sei que os meus filhos estão bem. Eles não são lindos’?
Falo que hoje jamais faria o que fiz com eles no passado. Peço perdão para ela (paciente chora copiosamente).
Ela me diz que agora entende, me agradece e pede um abraço.
Diz que ainda vou ter um filho nos meus braços, e que vou sentir a alegria de ser mãe como ela sentiu.
Pede para eu esquecer a besteira que o meu namorado falou para mim (a paciente me relatou que o seu namorado lhe disse que nunca iria ter um filho com ela). Explica que, na verdade, o que ele falou não veio dele, e sim dela. Ela o influenciou para que dissesse aquilo para me humilhar e, com isso, queria que eu desistisse dele.
Diz para eu não me preocupar porque tudo vai voltar ao normal.
Pergunto se ela vai me ajudar a ter tudo de volta: trabalho, marido, filhos!
Ela me diz:
‘Calma, você vai ter tudo, mas tudo ao seu tempo! O que é seu vai ficar com você, vou te ajudar. Só quero que você continue orando por mim para eu conseguir me elevar. O seu mentor espiritual foi sábio quando lhe disse que ainda iríamos nos tornar amigas. Reze por mim e fique em paz. Estou no caminho da evolução e ainda preciso de sua ajuda’.
Ela me agradece, acena para mim. Está flutuando, entrando num lugar iluminado. Tem uma entidade espiritual de luz que a recebe. Ela está entrando e a luz está se extinguindo.
O meu mentor me fala: ‘Não foi tão difícil assim, não é mesmo’? Está sorrindo, satisfeito.
Comenta que ela estava sofrendo muito, que demorou, mas encontrou a luz.
Pede para ter paciência, calma, continuar orando para ela, pois assim que ela estiver bem, diz que irá me ajudar muito. E brevemente terei tudo de volta.
Diz ainda que daqui para frente, minha vida irá deslanchar. Pede novamente um pouquinho de paciência, porque a fase pior já passou. Fala para eu ficar na paz, está se despedindo de mim, me acena e vai em direção àquela Luz Maior”.
Sobre o autor
Osvaldo Shimoda é terapeuta com mais de 40 anos de experiência e 60 mil sessões de regressão já realizadas. Criador da Terapia Regressiva Evolutiva TRE, professor e pesquisador das terapias integrativas e do desenvolvimento espiritual, com atuação dedicada ao estudo da consciência, dos processos terapêuticos profundos e da formação de novos terapeutas. Reconhecido por sua abordagem ética, responsável e acolhedora, Osvaldo Shimoda desenvolveu e estruturou metodologias terapêuticas que auxiliam pessoas em seus processos de autoconhecimento, equilíbrio emocional, expansão da consciência e desenvolvimento espiritual. Email: [email protected] Visite o Site do Autor