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Sensibilidade + Amor = Mulher

Sensibilidade + Amor = Mulher
Publicado dia 05/03/2009 16:15:33 em Corpo e Mente

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Neste começo de mês comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Comemorações, festas, homenagens, mas será que isso representa o que se passa dentro de cada mulher? Minha experiência no consultório diz que não! São mulheres bonitas, inteligentes, algumas realizadas profissionalmente, mas no íntimo, infelizes, insatisfeitas, decepcionadas, machucadas, tristes, doentes emocionalmente, mas todas em busca da essência que há em todas: força, coragem, garra, luta e, principalmente, a sensibilidade e a capacidade de doar amor, apesar de nem todas terem essa consciência, ainda!

Por outro lado, temos os homens e, infelizmente, há ainda muitos contaminados pela educação machista, de que não devem chorar, demonstrar seus sentimentos e, assim, negam cada vez mais o que sentem e com medo, inconsciente claro, fogem. Fogem da entrega, do amor. E com isso, homens e mulheres, perdem. Perdem a oportunidade de crescerem e, mais ainda, de amarem e serem amados. Questiono o porquê de tantos desencontros, tristezas e lágrimas. E percebo que as emoções sempre são as origens dos conflitos, das brigas, da infelicidade. É mais do que certo que realização profissional e conquistas materiais não são suficientes para fazer alguém feliz. A emoção sobrepõe-se a todas as outras conquistas. Ainda buscamos uma relação saudável, um companheiro para dividir cada momento da vida, alguém para trocar acima de tudo, amor.

Algumas mulheres podem dizer que isso não acontece com elas, são realizadas, tiveram, ou não, seus filhos, um bom emprego, ou negócio próprio, mas será que são felizes em sua relação afetiva? São correspondidas em seu amor? Estão satisfeitas com a maneira que estão conduzindo suas vidas? Devemos lembrar que muitas vezes a imagem de alguém independente, livre, pode ser apenas superficial para proteger um lado emocional fragilizado e machucado. Muitas mulheres se contentam com o conforto material que seus companheiros oferecem, mas porque talvez saibam que eles são incapazes de dar o amor que, na verdade, desejam.

Quantas mulheres desejam o divórcio, mas não têm coragem de pedi-lo? Quantas são as que amam e não se sentem amadas? Quantas se sentem sozinhas mesmo acompanhadas? Quantas estão sós e buscam alguém que as amem? Ou ainda, mulheres donas de casa, que abriram mão de sua própria vida para cuidar da casa, dos filhos, dos pais, marido e não são sequer reconhecidas? Quantas não buscam uma atividade profissional por se sentirem incapazes? Parece que somos capazes de cuidar de tudo, mas neste tudo, parece que esquecemos muitas vezes, de cuidar de nós mesmas. Por que fugir do desafio de cuidar de si mesma? Sim, cuidar de si mesma para muitas é um verdadeiro desafio.

Na verdade, o que explica muitos dos conflitos e que reflete diretamente nos relacionamentos, é a busca de simplesmente querer ser cuidada, protegida, ainda que inconscientemente. Alguém pode dizer: “eu não!” Você sim! Qual o erro em querer um relacionamento baseado no companheirismo, amizade, cumplicidade, troca e acima de tudo, baseado no amor? Qual o erro em querer alguém que se preocupe com você tanto quanto você se preocupa? Que lhe dê atenção, carinho, afeto? Quem não gosta de poder contar com um abraço, um colo, depois de um dia difícil? Não há mal nenhum nisso, seja homem ou mulher. O que precisamos é sermos coerentes com aquilo que sentimos e demonstramos, do contrário viveremos em conflito, não só com o outro, mas com nós mesmas.

O que leva a verdadeira independência não é só ser capaz de se manter financeiramente, mas principalmente, ser capaz de enfrentar os medos, os desejos, de ser consciente do que sente e acreditar que é possível encontrar alguém que valorize tudo aquilo que você doa sem que seja pedido. Alguém que saiba reconhecer que além de um corpo ou rosto bonito, existe um ser humano com sentimentos, que chora, reclama, pede, espera, mas também acolhe, cuida, torce, e deseja acima de tudo, troca. Afinal, somos capazes de parar seja o que for e lembrarmos de dar um telefonema só para que o outro se sinta importante. Somos capazes de mesmo cansadas, lembrar de dar um abraço e perguntar como foi o dia, mesmo que o próprio tenha sido péssimo. É, somos capazes acima de tudo, de amarmos e continuarmos amando, mesmo machucadas.

Por isso e muito mais, é que temos que continuar demonstrando o que sentimos, sem negações, fugas ou culpas. Temos que valorizar cada vez mais o quanto somos únicas e especiais, para que assim, mesmo não sendo reconhecidas por quem amamos, nós mesmas conseguiremos nos aprovar e reconhecer nosso valor! Quando acreditarmos em nós mesmas, não permitiremos mais sonhos vazios, relações doentes, falta de respeito e amor, nem mendigaremos migalhas, pois neste momento seremos capazes de nós amarmos e estaremos finalmente livres para amar, ser amada e enfim, sermos felizes, com quem realmente nos valoriza! Um dia, quem sabe você se libertará da necessidade que alguém perceba e valorize a simplicidade de seus desejos, o dom inato de doar e amar incondicionalmente. Tenha certeza, nosso ser é único! E parabéns pelo nosso dia!


por Rosemeire Zago

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Sobre o autor
Rosemeire Zago é psicóloga clínica CRP 06/36.933-0, com abordagem junguiana e especialização em Psicossomática. Estudiosa de Alice Miller e Jung, aprofundou-se no ensaio: `A Psicologia do Arquétipo da Criança Interior´ – 1940.
A base de seu trabalho no atendimento individual de adultos é o resgate da autoestima e amor-próprio, com experiência no processo de reencontrar e cuidar da criança que foi vítima de abuso físico, psicológico e/ou sexual, e ainda hoje contamina a vida do adulto com suas dores.
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