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A existência interdependente


Lama Gangchen explica, em seu livro Autocura Tântrica III (Ed. Gaia): “O resultado da causa e condição de surgir interdependente negativo de nossa necessidade de se agarrar a esta vida é a nossa existência surgida interdependentemente, o forte impulso mental que se manifesta durante o processo da morte, quando o hóspede que é nossa mente finalmente deixa sua velha hospedaria. Nosso estado mental no momento em que a consciência grosseira se dissolve e a respiração cessa, determina o programa que selecionaremos em nosso disco do espaço interno. Por isso, é especialmente importante estar com a mente feliz e em paz durante a morte. Ligando-nos à energia de cristal puro do Lama Curador e da companhia espiritual nesse momento, poderemos selecionar um bom programa em nosso disco do espaço. Morrendo com uma mente feliz, positiva e em paz, garantimos um renascimento feliz dentro do samsara, mesmo tendo feito muitas coisas ruins durante a vida. No momento da morte, a única companhia útil será a energia pura de nossa mente cristalina natural, nosso Guru e os Seres Sagrados. Portanto, de hoje em diante, precisamos imediatamente cultivar a companhia espiritual, começando a nos apoiar nos amigos especiais que permanecerão conosco no momento em que nossos amigos comuns não poderão mais nos ajudar”.

Como assimilar a importância de nos prepararmos para nosso último estado mental se não incluímos as questões da morte em nossos planos de vida?

A cultura ocidental capitalista nos incentiva a viver em função dos acontecimentos imediatos. No entanto, estamos emocionalmente atados aos traumas do passado que geram expectativas e temos medo quanto ao futuro. De fato, raramente estamos com a mente consciente no momento presente.

A questão é que não nos damos conta de nossa natureza cíclica. Simplesmente vivemos. Em geral, aqueles que dizem não temer a morte, associam-na a mais um momento passageiro que irá ocorrer como qualquer outro. Neste sentido, é dada à morte um tom de leveza tão excessivo quanto o peso de temê-la como algo terrível ou uma punição.

Acredito que o grande desafio para nós ocidentais, seja adquirir a sabedoria de perceber a natureza cíclica de nossa mente, esteja ela presa ou não ao sofrimento. A meta principal do budismo consiste em levar o praticante a atingir o estado mental denominado Iluminação, no qual sua mente é livre da cadeia sem escolhas de morte e renascimentos presos ao sofrimento. Assim, o Ser Iluminado é capaz de escolher onde e como renascer para ajudar outros seres a romper os 12 elos que formam esta corrente interdependente de sofrimento!

Mas, como poderemos compreender profundamente este caminho à Iluminação se não assimilarmos profundamente nossa natureza cíclica?

Atualmente, o interesse pelos estados pós-morte tem sido crescente, tanto pelos espiritualistas quanto pelos cientistas da física quântica e da neurociência. O brasileiro Raul Marino Jr., profundo estudioso de teologia e neurociência, esclarece de forma simples e clara a teoria da continuidade da consciência quando escreve seu o livro “A religião do cérebro” (Ed.Gente): “É interessante estabelecer uma comparação entre esses fenômenos quânticos e os meios corriqueiros de comunicação através dos campos eletromagnéticos dos aparelhos de rádio, TV, telefones celulares, laptops e outros equipamentos sem fio. Não tomamos conta da vastíssima quantidade de campos eletromagnéticos que constantemente atravessam nosso corpo, paredes e edifícios. Somente nos damos conta deles no momentos em que ligamos um desses aparelhos e passamos a detectá-los sob a forma de imagem ou som, no momento em que conseqüências de causas que nos são invisíveis se tornam observáveis aos nossos sentidos e sua percepção atinge nossa consciência. As imagens e os sons não estão dentro dos aparelhos nem a internet está dentro de computadores. Ao desligá-los, a recepção desaparece, mas a transmissão continua e a informação permanece nos campos eletromagnéticos. Segundo a teoria da continuidade da consciência de Van Lommel, se a função do cérebro fosse perdida, como na morte clínica ou cerebral, as memórias e a consciência continuariam a existir, perdendo-se apenas a recepção pela interrupção da conexão. Ao tempo da morte física, a consciência continuaria a existir e a ser experimentada em outra dimensão, num mundo não-visível e imaterial - o espaço-fase - que contém o passado, o presente e o futuro”.

Segundo o budismo, este espaço-fase é conhecido por Bardo: o estado intermediário entre a morte e o renascimento. A experiência humana inclui seis tipos de bardo: o bardo da vida presente, o bardo da meditação, o bardo do sonho, o bardo da morte, o bardo luminoso da realidade última, e o bardo do vir-a-ser. Os três primeiros bardos manifestam-se no curso da vida. Os três posteriores referem-se ao processo de morte e renascimento, que termina no momento da concepção no início da existência seguinte.

Portanto, somos responsáveis não apenas pelo destino desta nossa vida, mas das futuras também!

Última atualização em 21/8/6


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Bel Cesar é psicóloga, pratica a psicoterapia sob a perspectiva do Budismo Tibetano desde 1990. Dedica-se ao tratamento do estresse traumático com os métodos de S.E.® - Somatic Experiencing (Experiência Somática) e de EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimentos Oculares). Desde 1991, dedica-se ao acompanhamento daqueles que enfrentam a morte. É também autora dos livros `Viagem Interior ao Tibete´ e `Morrer não se improvisa´, `O livro das Emoções´, `Mania de Sofrer´, `O sutil desequilíbrio do estresse´ em parceria com o psiquiatra Dr. Sergio Klepacz e `O Grande Amor - um objetivo de vida´ em parceria com Lama Michel Rinpoche. Todos editados pela Editora Gaia.
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