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Aceitação

por Elisabeth Cavalcante
Publicado dia 07/03/2008 14:56:46 em Espiritualidade

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Todos nós ouvimos, em algum momento da vida, que precisamos exercitar nossa capacidade de aceitação. Porém, aceitação é um aprendizado bastante difícil, talvez um dos maiores testes da existência.

Nossa tendência natural é aceitar apenas aquilo que nos agrada, nos beneficia e nos dá prazer. O grande desafio é aceitar, de todo o coração e sem mágoa, ódio ou revolta, as dificuldades e as decepções que a vida nos reserva.

Todos os dias são oportunidades para que treinemos nossa capacidade de aceitação, visto que nossos anseios e desejos estão sempre passando pelo filtro da realidade. Muitas vezes dizemos a nós mesmos que aceitamos determinada situação, porém, em nosso coração, continuamos a rejeitá-la e a nutrir um sentimento de que fomos vitimas de uma injustiça.

A verdadeira aceitação não traz nenhuma relutância e consiste em trabalhar com o que se apresenta como a única realidade possível, com a qual teremos de aprender a lidar.

Lao Tsé, o grande mestre do taoísmo, costumava dizer que devemos aceitar absolutamente tudo o que a vida nos enviar, seja bom ou ruim, sem qualquer luta ou resistência. Segundo ele, a entrega pacífica aos ditames da vida não constitui uma atitude de passividade ou inércia, mas de uma integração total com o fluxo da existência, que nos faz viver totalmente harmonizados com as forças do Universo.

Mas para isso, é preciso uma consciência permanente de que temos um destino a cumprir nesta nossa passagem pelo planeta e que cada evento, bom ou ruim, que a vida nos envia, é parte essencial do processo de evolução que nossa alma se propôs a experimentar na presente caminhada.

”Aconteceu que um homem costumava ir até o místico Eknath por muitos anos. Ele era um devoto, mas havia dúvidas em sua mente que continuamente o beliscavam.
E porque sempre havia muitos discípulos ele não conseguia perguntar. Assim, um dia ele foi muito cedo, antes do sol nascer. Eknath estava vindo do rio. Ele tinha ido tomar um banho antes de sua meditação matinal no templo. Ele chegou até Eknath e disse, ‘Desculpe-me por perturbá-lo nesta hora, mas eu tenho carregado uma pergunta por toda minha vida’. Ele era um jovem saudável e forte...

... Eknath disse, ‘Qual é o problema’?
Ele disse, ‘O problema é que há muitos anos eu venho aqui para vê-lo, mas eu nunca o vi triste. Eu nunca o vi com raiva. Eu nunca o vi com inveja; eu nunca o vi em um estado negativo da mente. Você está sempre rindo, alegre e relaxado como se não tivesse nenhum problema ou preocupação no mundo. Você não se afeta nem mesmo com a morte. Você conduz isso tão facilmente. E o problema é que uma dúvida surge em mim: você é um ator ou realmente é iluminado?

... Eknath disse, ‘Espere um minuto. Antes de responder à sua pergunta, eu não posso me esquecer de algo que eu queria lhe dizer... Há três ou quatro dias, aconteceu de eu olhar a sua mão e fiquei muito assustado. O seu tempo de vida chegou ao fim, apenas uma pequena fração permanece, de modo que você ainda viverá no máximo sete dias. No sétimo dia, quando o sol estiver se pondo, você morrerá. Eu estava me esquecendo disso, que é tão importante quanto a sua pergunta. Agora nós podemos conversar sobre a sua pergunta’.

O homem se levantou e disse, ‘Eu não tenho pergunta alguma e não tenho tempo para conversa. Se a morte está chegando em sete dias, por que eu deveria me preocupar se você é verdadeiro ou não? Isso é assunto seu; não é um problema meu’.
O homem começou a descer as escadas. Havia muitas escadas no templo, e Eknath ficou observando. Apenas cinco minutos atrás ele chegou muito forte e jovial, agora ele se vai como um velho, cambaleando, apoiando-se no corrimão, onde nunca se apoiou antes, com medo de cair. E quando ele chegou em casa, foi direto para a cama, embora não fosse a hora, era de manhã e ele tinha acabado de se levantar. Ele reuniu toda a família e contou o que Eknath lhe disse.

Era inconcebível que Eknath mentisse; não havia sentido em mentir. Então só havia choro e lamento, e o homem parou de comer. Para que comer, agora que vai morrer?
Mas uma coisa estranha começou acontecer assim que ele se conformou com a idéia de que a morte estava chegando e que nada poderia ser feito. ‘Por que não usar esse tempo para a meditação, a qual eu tenho adiado por muitos anos’?

Eknath diz continuamente todos os dias para meditar, para colocar energia na descoberta de si mesmo, e eu tenho adiado isso, pois, para que ter pressa? Eu sou jovem e essas coisas, meditação e autoconhecimento pertencem às pessoas velhas que já não têm mais o que fazer...

... O homem deitou-se e, pela primeira vez, começou a observar a sua mente. Em dois ou três dias, ficou completamente silencioso... ele não estava interessado em coisa alguma... Pelo quarto dia... ele estava com a aparência tão bela, tão cheia de graça, tão silenciosa. Todo o seu quarto tinha quase a mesma qualidade que existia ao redor de um homem de silêncio ou que existe num templo vivo, onde existem não apenas estátuas, mas a presença de algum mestre vivo.

... No sétimo dia ele abriu os olhos e perguntou à sua família, ‘Quanto tempo falta para o sol se pôr’? (...) E as pessoas diziam, ‘O sol já está quase se pondo, faltam poucos minutos’. E ele estava mostrando tanta graça, tanta alegria, tanta felicidade, que a família não podia acreditar na metamorfose que aconteceu nesses sete dias.

... Exatamente na hora em que o sol estava se pondo, todos começaram a chorar e se lamentar. E ele estava lhes dizendo, ‘Fiquem quietos. Não há nada com que se preocupar’.

Naquele momento, Eknath chegou. Toda a família tocou-lhe os pés e lhe disseram, ‘Salve-o! Você pode fazer algo”? Eknath disse, ‘Com a morte não existe possibilidade. Deixem-me vê-lo.’
Assim, todos eles, respeitosamente, se afastaram e deram passagem para Eknath. O homem estava sentado silenciosamente com os olhos fechados, quase parecendo uma estátua de mármore do Gautama Buda... Eknath chamou-o pelo nome e disse, ‘Eu vim vê-lo e para lhe contar que aquilo foi um dispositivo. Você não vai morrer. Você ainda tem uma vida muito longa... Você viveu apenas metade da vida, existem muitos anos para você viver. Esta foi uma maneira de responder à sua pergunta.’

... Eknath disse, ‘Não havia outro jeito. Qualquer coisa que eu tivesse respondido a você, as dúvidas iriam permanecer. Um homem que consegue, por anos, fingir que é feliz, também consegue mentir, dizendo que é iluminado. Eu queria lhe dar alguma experiência sobre isto, de que isso não era uma representação teatral. E esses sete dias lhe deram essa experiência. Você recebeu a resposta ou não’?

O homem pulou da cama e se levantou... tocou os pés de Eknath e disse, ‘Sua compaixão é grande. Você mentiu apenas porque a sua compaixão é muito grande. Mas você respondeu à minha pergunta’.

...Eknath disse, ‘Não interessa se você vai morrer daqui a sete dias ou daqui a setenta anos. Uma vez que você se torna consciente de que vai morrer, não interessa quando’.

A consciência da morte faz você viver a vida tão totalmente e tão alegremente quanto possível. A morte não é sua inimiga. Na verdade, ela é um convite para você viver intensamente, totalmente, para espremer e desfrutar toda gota do sumo de cada momento. A morte é um tremendo desafio e convite. Sem a morte não haveria nem Gautama Buda, nem Jesus, nem Lao Tzu..

É a morte e a consciência dela que faz você viver tão totalmente, tão profundamente e tão conscientemente quanto possível. Antes que a morte bata em sua porta, você deveria ser capaz de ver a vida eterna dentro de si. Então não haveria morte alguma; a morte é uma ficção. Ela é uma realidade apenas para aqueles que não viveram, não viveram em sua completude, em sua inteireza...


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Sobre o autor
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Elisabeth Cavalcante é Taróloga, Astróloga, Consultora de I Ching e Terapeuta Floral.
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