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Agora que voltei para casa - Capítulo 29

Agora que voltei para casa - Capítulo 29
Publicado dia 26/11/2004 12:48:57 em Espiritualidade

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À medida que os progressos do Instituto foram consolidando sua importância e a repercussão que estava tendo na vida de seus freqüentadores, foi tomando corpo um projeto que L., seu fundador, resolveu pôr em prática.

Tratava-se de um curso de formação de terapeutas que, com o nome de Oshoterapia, treinaria os participantes, durante mais ou menos um ano e meio, numa série de técnicas que abordariam os mais variados aspectos. O programa, completamente elaborado por L., baseava-se em práticas inspiradas nos ensinamentos de Osho, que seriam realizadas durante fins-de-semana mensais, em que o grupo ficaria concentrado num determinado lugar. Como suporte, uma série de textos escritos por Osho eram reunidos de acordo com o tema de cada fim-de-semana.
É claro que eu aderi com entusiasmo a essa proposta e me dispus a ser o mais obediente aluno desse curso.
É impossível tentar reencontrar os diferentes estados de espírito que a experiência me provocou.
Só posso dizer que é como se tivesse subido numa montanha-russa cheia de efeitos especiais, em que cada giro me reservava uma surpresa mais forte do que a outra.

Pela primeira vez em minha vida estava sendo desafiada a entrar em contato com meus sentimentos verdadeiros e, contrariamente a tudo que estivera fazendo até então, deveria revelá-los publicamente, sem rodeios e sem falsos pudores.
Nunca vou esquecer a seguinte cena: estamos todos juntos sentados em círculo, nos encarando. Quando chega minha vez, preciso dizer, em voz alta, olhando diretamente para cada pessoa, o que vejo de desagradável nela. Para mim, é como se tivesse de esbofetear, a sangue frio, cada um de meus companheiros. Se esse exercício é extremamente difícil, mais penoso ainda é ouvir de cada um deles o que eles vêem de desagradável em mim.
Pela primeira vez estava me familiarizando com o conceito de “pré-julgamento”, e vendo quão destrutivo é este hábito que, mesmo inconscientemente, todos nós cultivamos.

Fiquei muito chocada ao perceber que não tinha me dado conta até então de que todos meus relacionamentos, desde os familiares, até os profissionais e sociais, sempre estiveram impregnados dessa prática.
Também pela primeira vez ouvi falar de “controle”, esta palavra que não sabia ser tão perigosa e deletéria.
Resumindo: começava a vislumbrar uma série de características minhas que nunca tinha me passado pela cabeça não só contestar, mas nem sequer perceber.
De descoberta em descoberta, comecei timidamente a levantar o véu de toda uma série de padrões, condicionamentos, barreiras, medos, que certamente estavam na base de todas as minhas limitações.

Todas as práticas propostas tinham a característica de exigirem o máximo esforço de que éramos capazes, em todos os sentidos. Com muito tato, carinho, mas também com muita firmeza, L. tinha o poder de nos levar a ultrapassar todos nossos limites, seja físicos que emocionais.
Aliás, se tivesse de resumir o que significa, para mim, a filosofia sannyasin, eu diria que é o esforço constante para superar os próprios limites.
O que eu via acontecer à minha volta, durante aquelas vivências, era o oposto daquilo que tinha praticado na minha vida inteira. Via a possibilidade de dizer exatamente aquilo que pensava, de manifestar aquilo que sentia, de me abandonar a meus impulsos e desejos.
Em outras palavras, estava começando a sentir o gosto da verdadeira liberdade.

Quando já estávamos praticamente no final da formação, L. fez uma proposta para quem quisesse começar já a pôr em prática aquilo que estava aprendendo como aspirante a terapeuta.
Quem quisesse aderir teria toda a liberdade de escolher a atividade a ser exercida dentro do Instituto, seja como terapeuta, seja trabalhando na manutenção do próprio Instituto.
A idéia era que cada um pudesse exercitar sua habilidade específica, ao mesmo tempo que ajudaria o Instituto a se manter.
Eu estava me sentindo tão confiante, tão cheia de energia e de entusiasmo, que aderi sem titubear.
Iria trabalhar aplicando Reiki, que já tinha há muito tempo escolhido como a terapia que me fazia sentir mais à vontade, por ser a menos invasiva e a mais descomplicada.

O grupo de aspirantes a terapeutas de que fazia parte estava vivendo um momento de grande efervescência interior, que não era outra coisa senão o reflexo da efervescência que L., nosso coordenador, estava imprimindo a todos seus projetos. Nada parecia nos cansar ou constituir uma barreira: todas as propostas eram abraçadas com entusiasmo.
Nos reuníamos em volta de L., após as costumeiras meditações, para discutir longamente todos os detalhes do novo projeto, que se chamaria “Escola de meditação”. Havia em volta de L. uma aura tão brilhante, uma luz tão intensa, que era impossível não querer segui-lo.
Foi nesse exato momento que ele teve a idéia de formar um novo grupo, que passaria pelos mesmos passos pelos quais nós, da primeira turma, tínhamos passado uma vez por mês, só que agora seria um grupo residencial que ficaria quinze dias concentrado num lugar especial, nosso velho conhecido, afastado de São Paulo.
Eu fui convidada a fazer parte do grupo, como assistente, mas tive de desistir porque tinha acabado de participar de trabalhos particularmente cansativos, e achei que fisicamente não iria conseguir agüentar o esforço.

Depois de uma semana do início desse grupo intensivo, ainda fui convidada a participar da segunda parte, se ainda quisesse.
Mais uma vez, senti que devia recusar.
Eu acho que meus protetores quiseram me poupar de uma experiência que certamente teria sido muito traumática.
Uma certa manhã fui acordada pelo telefone, de onde ouvi sair uma voz que deixava a seguinte mensagem: “Angela, Angela... L. deixou o corpo. À tarde será velado no Instituto”.
Mais uma vez, o telefone me transmitia uma informação impossível de registrar à primeira vista, tão devastador seria seu efeito em minha vida.

por Angela Li Volsi

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Sobre o autor
clube Angela Li Volsi é colaboradora nesta seção porque sua história foi selecionada como um grande depoimento de um ser humano que descobriu os caminhos da medicina alternativa como forma de curar as feridas emocionais e físicas. Através de capítulos semanais você vai acompanhar a trajetória desta mulher que, como todos nós, está buscando...
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