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Agora que voltei para casa - Capítulo 35 - Final


Estamos chegando ao fim dessa jornada que empreendi com muito entusiasmo e com muita emoção, mas também com toda a insegurança de quem não sabia onde este caminho iria me levar.
Mais uma vez compreendi que o que importa não é a meta, mas o caminho percorrido.
Certamente não sou mais a mesma de quando comecei a relembrar minha história, e isso eu devo a este trabalho.
De todos os “exercícios” que me foram propostos, este foi certamente o mais difícil, mas também o mais gratificante.
Poder compartilhar momentos às vezes muito íntimos de minha vida com pessoas cujos rostos não conheço, mas que me fizeram chegar todas suas emoções como se fôssemos velhos amigos, foi uma experiência única.
Isso me faz lembrar uma imagem que uma vez um terapeuta usou para ilustrar sua proposta: nosso espaço é como aqueles refúgios alpinos, que ficam constantemente com a porta aberta, onde os viajantes cansados podem entrar, restaurar suas forças, repor aquilo que retiraram, colocar o que quiserem, sem ser preciso se conhecer nem agradecer.
Após estes nove meses de gestação que o trabalho levou, o que veio à luz (pelo menos para mim) é a ilustração das imagens que Izabel Telles leu em minha mente, e que desembocaram no convite para narrar no site o que estava urgentemente pedindo para ser compartilhado.

Foi no grupo de trabalho com S. que fiquei sabendo da existência de Izabel.
A primeira vez que fui me consultar, entrei em contato com imagens impressionantes que me mostravam o quanto tinha me isolado do mundo. Ao mesmo tempo, as imagens que Izabel leu em minha mente também davam conta de uma imensa capacidade de construção, de criação, que eu mesma não sabia que tinha. As imagens finais mostravam que com essa mesma força eu conseguia reverter aquele isolamento e reatar os laços com o mundo exterior.
Este foi meu primeiro contato com as maravilhosas revelações sobre o funcionamento da mente que o trabalho de Izabel me proporcionou. Naquela ocasião, fiquei chorando o tempo todo que durou a leitura de Izabel, por reconhecer e lamentar o quanto tinha me afastado não só dos outros, mas principalmente de mim mesma.

Um ano depois da primeira consulta, num momento de particular incerteza, resolvi ter uma nova experiência com as imagens mentais.
Izabel sentou na minha frente, fechou os olhos, e começou a descrever uma cena à primeira vista sem pé nem cabeça, absolutamente surrealista.
Ela me via dependurada numa corda, do lado de fora de um helicóptero, evidentemente apavorada, sobrevoando paisagens as mais variadas.
De repente, quando o helicóptero estava sobrevoando uma aldeia medieval, ao chegar em cima de um poço, a corda se solta e eu caio, com o impacto que se pode imaginar, dentro do poço.
Com o barulho, muitos habitantes da aldeia se aproximam, querendo me ajudar a sair. Eu afasto todos, alegando estar dolorida demais para ser puxada para fora. Dando de ombros, um a um os últimos voluntários se afastam, desistindo da empreitada.
Depois de algum tempo, completamente sozinha, aos poucos, com muita dificuldade, começo a ensaiar algum movimento: ponho para fora do poço um pé, a perna toda, outro pé, outra perna, um braço, outro braço até que, num esforço sobre-humano, consigo sozinha sair para fora do poço.
Juntando as forças, devagarzinho, me ponho a caminhar, toda curva e retorcida, pela ruela em que me encontro. De repente, da janela de uma casa por onde estou passando, alguém joga uma bacia de água fria que me molha de cima a baixo.
Completamente exausta, desanimada e desesperançada, sento no chão embaixo daquela janela, com as pernas estendidas, e me ponho a chorar. Acabo adormecendo de exaustão.
Já de madrugada, ao abrir os olhos, vejo chegar na minha direção um cachorrinho que começa a latir para mim e me mostra com a cabeça, do outro lado da rua, uma portinhola que tanto poderia ser de uma casa como de uma venda.
O cachorrinho late sem parar e começa a puxar minha roupa com os dentes, sempre apontando com a cabeça na direção da casa. É muito insistente e eu resolvo atendê-lo, embora isso me custe um imenso sacrifício.
Vamos até aquela casa, e bato àquela portinhola. A porta se abre, e aparece um homem de pijama e pantufas, esfregando os olhos de sono, que me vê, faz uma enorme cara de surpresa, me chama pelo nome, e demonstra um carinho imenso ao me rever depois de tanto tempo. Não pára de demonstrar sua alegria, e ainda sou obrigada a refrear seu entusiasmo ao querer me abraçar, por causa do corpo todo dolorido.
Ele me abre caminho e eu, seguida pelo cachorrinho, entro atrás dele numa casa que se revela ter um enorme pátio interno, deslumbrante de flores, videiras carregadas de uvas, fontes, pássaros, pessoas trabalhando na terra, uma costureira fazendo seu trabalho, numa operosidade que revela um imenso amor pela terra, pela natureza, pelas tarefas artesanais.
O homem me faz sentar a uma mesinha do jardim, e me traz os alimentos de que dispõe para me nutrir. Eu continuo a agradecer, em italiano: “Grazie a Dio, grazie a Dio”.
Peço-lhe para sentar comigo e me contar sobre sua vida. Ele pega minhas duas mãos, e diz que agora nada disso importa, o importante é eu ter voltado.
Ele me diz que estava tão certo de minha volta, que meu quarto está pronto.
Leva-me então para um quarto que me acolhe com seus sólidos móveis antigos: a cama alta forrada de imaculados lençóis bordados, coberta de um edredom gostoso e travesseiros de pluma; o amplo guarda-roupa com um lindo espelho de cristal; a cômoda com um jarro e uma bacia esmaltados, pintados à mão. Tudo está impecavelmente limpo e encerado, um forte perfume de rosas impregna todo o ambiente.
Convida-me a descansar e, quando deito na alta cama, ainda coloca perto de mim uma antiga caixinha de música, que toca uma suave melodia ao piano, para me ninar.
Quando ele me deixa, com um beijo na testa, eu sorrio de felicidade e todo meu corpo se estica, meu rosto perde todas as rugas de preocupação, é como se eu tivesse rejuvenescido.
Levanto, vou até a janela do quarto, que dá para uma varanda toda florida, de onde avisto a paisagem familiar que me remete à doçura da vida em família, onde alguém está preparando o almoço, alguém está assando o pão, camponeses estão extraindo vinho das uvas.
Como é bom voltar para casa, encontrar as paisagens familiares, os velhos afetos seguros que nunca nos esqueceram, nunca nos traíram, nos acolhem e nos nutrem sem nada perguntar nem nada pedir.É com esta fantástica sensação de ter achado o porto seguro que, quando Izabel abre os olhos e me pergunta se tudo isso faz sentido, sinto dentro de mim uma leveza, uma felicidade, uma sensação de alívio tão nova, que só há lugar para o sorriso e o agradecimento.
Ela me pergunta se há alguma coisa que gostaria de saber e eu, movida pela confiança que toda a situação me transmite, falo-lhe dessa minha antiga vontade de compartilhar todas as minhas experiências, sem saber muito bem como canalizá-las.
Então ela me faz o convite para escrever no site e eu, em lugar de inventar mil empecilhos, como certamente minha antiga insegurança teria me sugerido, sinto que chegou o momento de confiar, sem hesitações, e aceito com uma naturalidade que sou a primeira a achar espantosa.
A minha vida inteira usei minhas melhores energias para buscar as confirmações que apaziguassem minha alma.
Desta vez não tenho a menor dúvida, a magia da sincronicidade está aí para confirmar que, realmente, agora voltei para casa.
FIM



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clube Angela Li Volsi é colaboradora nesta seção porque sua história foi selecionada como um grande depoimento de um ser humano que descobriu os caminhos da medicina alternativa como forma de curar as feridas emocionais e físicas. Através de capítulos semanais você vai acompanhar a trajetória desta mulher que, como todos nós, está buscando...
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