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Como receber amor?

por Bel Cesar
Como receber amor?
Publicado dia 30/12/2009 03:16:30 em Espiritualidade

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Em novembro de 2009, Rinpoche esteve em Campos do Jordão para realizar uma série de cerimônias para abençoar o novo “Templo Lama Gangchen do Grande Amor”. Foram cinco dias consecutivos de entusiasmo, alegria e reflexão. No último dia, fiz-lhe uma pergunta que creio ser de todos nós: por que temos dificuldade de receber amor? Aqui transcrevo minha pergunta e sua resposta:

Bel: “Todos nós queremos receber amor. Não temos dúvida disso. Mas, na realidade, temos dificuldade de receber amor, mesmo tendo muita atenção. Parece que isso torna-se cada vez mais difícil. Podemos notar que as crianças e os adolescentes estão cada vez mais carentes. Devido à dificuldade de receber amor, nos tornamos fechados e arrogantes, mesmo sem nos dar conta que desta forma ferimos e afastamos aqueles que nos cercam. Parece que algo profundo em nosso interior está bloqueado. Porque nós recebemos amor, mas não conseguimos assimilá-lo. Será que não conseguimos reconhecê-lo? Como fazer para abrir a nossa mente-coração para receber amor?”

Lama Gangchen Rinpoche: “Essa é uma questão muito importante. Com muito significado e muito útil. Mas, não é bem uma pergunta. É algo que temos que praticar para obter a resposta. Como praticar?

Em primeiro lugar, precisamos aceitar aquilo que nos chega. Sabemos que isso não é fácil, mas precisamos aprender, de um modo geral, a aceitar. Para mim, é fácil fazer isso porque as pessoas são muito gentis comigo: aceitam o que eu proponho, me trazem sempre algo para comer, beber, me ajudam a pôr o sapato. Todos estão sempre me ajudando, onde quer que eu vá. Algumas pessoas até ficam com ciúmes de mim por isso. Elas observam e perguntam aos seus parceiros:”Você trata o Lama Gangchen tão bem, porque não faz o mesmo comigo”?

A dificuldade, tanto em dar e como em receber amor, não é um problema da natureza dos pais, das crianças ou dos adolescentes, mas sim de nossa cultura, que busca excessivamente a liberdade sem cultivar a gentileza.

A democracia é um sistema excelente. Está OK buscar libertar-se daquilo que nos oprime. Nós, no budismo, também estamos buscando a liberdade quando queremos atingir a iluminação para nos libertar do sofrimento.

O problema é que estamos contaminados por uma cultura de violência, quer dizer por uma educação de violência. Esta não é uma questão apenas dos pais, mas de nossa cultura que usa os cinco sentidos de modo violento.

Em geral, nosso modo de olhar é violento. É muito difícil receber algo de quem num certo momento nos olha ou nos olhou de modo negativo. Temos que mudar o modo como usamos nossos lindos olhos. Se olharmos para os outros com gentileza, eles irão receber facilmente o que estivermos lhes oferecendo.

Existem tantas formas de amor, com diferentes níveis e nomes. Com o nosso olhar, podemos tocar as mais diversas formas de amor. Mas nós não costumamos dar atenção a isso.

Procurem olhar com amor.

Se nosso olhar é negativo, fazemos mal aos nossos próprios olhos. Primeiro, ficamos com dor de cabeça, depois nossos olhos ficam vermelhos e acabamos usando óculos escuros. Na realidade, passamos a usar óculos escuros porque temos vergonha de nosso olhar violento.

Precisamos aceitar que precisamos fazer esta mudança.

Podemos observar também como não temos dificuldade de receber amor quando alguém nos dá algo com gentileza. Quando os Lamas, os médicos e os terapeutas oferecem algo com gentileza, vocês recebem sem dificuldade. Portanto, vocês sabem receber!

Também, quando oferecemos algo, muitas vezes o fazemos de uma maneira violenta. Como queremos que assim as pessoas recebam o que estamos querendo dar?

Existe a gentileza de dar, assim como a de receber. É preciso em ambos os lados sejam gentis um com o outro. Quando isso ocorre recebemos amor sem dificuldade. Precisamos nos reeducar neste sentido.

O mesmo ocorre com a maneira como tocamos uns aos outros. O toque violento nos faz sentir muito mal, enquanto que ser tocado com amor nos traz um enorme bem estar.

Em geral, falamos e escutamos com violência. Por isso, nossa tendência é a de negar e de reagir contra o que os outros nos dizem. Estamos fechados, bloqueados para escutá-los até quando eles têm algo bom para nos dizer, assim como temos dificuldade de passar algo positivo, pois percebemos que os outros não estão receptivos para o que queremos lhes oferecer.

Em geral, dizemos: “Sim, sim”, mas depois fazemos do jeito que queremos. Nossa mente está fechada. Como estamos bloqueados para os outros, não recebemos seu amor.

O problema está em nossa atitude mental e não em nossos cinco sentidos. Por isso, precisamos observar como nossa mente está se expressando por meio deles.
Então, para praticar receber amor temos que cuidar da maneira como usamos nossos cinco sentidos.

Temos tantas meditações, mantras, (Mudras: gestos e posturas para finalidades específicas, feitas com as mãos, para proteção, meditação, prece, compaixão, etc.) ) mudras(*) e visualizações poderosas com os quais podemos usar mesclar a nossa mente com os nossos sentidos de maneira positiva.
Desta maneira, temos a esperança de aprender a receber. Espero que vocês tenham recebido o que eu lhes ofereci aqui estes dias!

Certa vez, me perguntaram: “Como você faz para manter a atenção das pessoas o dia inteiro sentadas te escutando”? Quando usamos os cinco sentidos de forma pacífica, espontaneamente recebemos a mesma energia positiva que retorna para nós mesmos.
Se usarmos nossos cinco sentidos de maneira positiva, estaremos automaticamente praticando a generosidade, porque tudo que nós fizermos será de benefício.

Nossa esperança está em cultivar uma cultura de não-violência. O medo é um sentimento muito forte em nossa sociedade, mas se usarmos nossos cinco sentidos de forma pacífica, faremos uma bela maquiagem em nossa mente. Poderemos nos sentir bem tanto a sós como em grupo. Ficaremos cada vez mais bonitos! Teremos boa conexão com nossa família e com nossos amigos, além de um bom relacionamento com todos os seres”.


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Sobre o autor
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Bel Cesar é psicóloga, pratica a psicoterapia sob a perspectiva do Budismo Tibetano desde 1990. Dedica-se ao tratamento do estresse traumático com os métodos de S.E.® - Somatic Experiencing (Experiência Somática) e de EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimentos Oculares). Desde 1991, dedica-se ao acompanhamento daqueles que enfrentam a morte. É também autora dos livros `Viagem Interior ao Tibete´ e `Morrer não se improvisa´, `O livro das Emoções´, `Mania de Sofrer´, `O sutil desequilíbrio do estresse´ em parceria com o psiquiatra Dr. Sergio Klepacz e `O Grande Amor - um objetivo de vida´ em parceria com Lama Michel Rinpoche. Todos editados pela Editora Gaia.
Email: [email protected]aluz.com.br
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