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Indo para dentro


Um dos maiores desafios no caminho do autoconhecimento é aprender a olhar para dentro. Geralmente, costumamos procurar a raiz de nossos problemas e dificuldades no mundo exterior. O outro, as circunstâncias de nossa vida, o destino, são sempre, a nosso ver, os causadores de nossas derrotas, medos e angústias.

Ao iniciarmos a busca pela origem de nossos problemas, é fundamental que aprendamos a exercitar a auto-observação, um foco permanente na forma como reagimos ao mundo e às pessoas. Quanto mais dependente do exterior for nosso equilíbrio, mais difícil será nos libertarmos de nossas aflições.

O teste é simples: basta, a cada momento, observar como reagimos às opiniões e atitudes dos outros para conosco, ou aos acontecimentos que contrariam nossa vontade. Se ruminarmos por horas, ou até mesmo dias, aquilo que nos desagradou, ofendeu, magoou, estaremos alimentando cada vez mais o ego, a parte de nosso ser que precisa de aprovação, atenção e incentivos permanentes para poder ser feliz.

Observar os sentimentos e as emoções é apenas o primeiro passo. Quanto mais fundo formos nesse mergulho e encararmos nossas dificuldades com coragem, entendendo que elas são fruto de toda uma vida de condicionamento imposto a nós pelo mundo exterior, mais rapidamente entraremos em contato com nosso Self.

Ele constitui a dimensão mais elevada do ser humano, a conexão direta com o divino poder criador, que sempre esteve presente e sempre estará em nós, independente da forma física que assumirmos, pois sua natureza é eterna. Reencontrá-lo é uma bênção, uma dádiva que está ao alcance de todos, desde que estejam dispostos a vencer o medo da viagem.

“Um famoso ditado Sufi diz: aquele que conhece os outros, é erudito; aquele que conhece a si é sábio. Ser erudito é fácil, para ser sábio tem que ter vísceras, coragem. Por que? Por que no mundo é preciso ser corajoso para conhecer a si? Existem razões.

A primeira razão é: existe um medo de que se você mergulhar em si mesmo, poderá não encontrar alguém lá... E de certa maneira este medo está certo. Você não vai mesmo encontrar alguém lá. Esta apreensão está certa.

... Alguma coisa vai ser encontrada lá, mas é algo que não se define, é algo que não se expressa em palavras. E este algo não é sua posse; este algo é tanto seu quanto é de todo mundo. Você encontrará algo, mas será o centro universal. Você não encontrará qualquer indivíduo lá, nenhum ego será encontrado. Por isto, o medo. Você irá desaparecer.

No autoconhecimento você irá desaparecer completamente. Por isto as pessoas conversam a respeito dele, perguntam a respeito dele, lêem livros a respeito, mas nunca entram. Um medo inconsciente impede seu caminho.

... Quem sabe no que você vai tropeçar quando mergulhar em si? Pesadelos, monstros... Quem sabe o que está lá dentro? Por que abrir a caixa de Pandora? Mantenha-a firmemente fechada e sente-se em cima. Isto é o que todo mundo está fazendo. E, sob certo sentido, o medo está certo - mas somente sob certo sentido.

No começo você encontrará baratas, rinocerontes, répteis e todo tipo de coisas horríveis - porque estas são as coisas que você esteve reprimindo em si mesmo, estas são as coisas que você não permitiu. Você reprimiu a raiva, o ciúme, a possessividade, o ódio. Você reprimiu a violência e o assassinato. Todas estas coisas estão ali. Esta é a barata que está dentro de você. A violência tornou-se uma perna, a possessividade tornou-se outra e o ciúme uma outra mais...

Quando mergulhar dentro de si, você terá que encarar tudo isto. Naturalmente, esta não é a história toda. Se você puder encarar a barata, se você puder ir cada vez mais fundo, sem qualquer medo, e observar tudo o que estiver acontecendo, e lembrando-se que ‘eu sou apenas um observador, uma testemunha a tudo isto. Eu não posso ser a barata porque eu posso ver’... o que você consegue ver não é você.

Guarde isto como uma chave, uma lembrança constante: tudo o que você vê, não é você. Você vê a raiva? Então você não é ela. Você vê a fome? Então você não é ela. Você vê a sexualidade? Então você não é ela. Você é aquele que testemunha tudo isto. Lembre-se da testemunha e, pouco a pouco, todas as baratas desaparecerão, assim como todos os rinocerontes e tudo o mais que é feio.

O testemunhar é um fenômeno tamanho que dissolve tudo que é feio. Pouco a pouco, somente a testemunha permanece. Mas esta testemunha não será você; ela é Deus. Esta testemunha não pode ser confinada em um Eu - ela é puro ser.

Há poucos dias eu lhes disse que existem duas inscrições gravadas no templo de Apolo em Delfos: ‘Conheça-te a ti mesmo’ e ‘Nada em excesso’. Há uma relação entre estas citações. O homem era aconselhado a conhecer a si mesmo, e no seu conhecer ele deveria evitar extremos. Quais são os extremos?

Dois são os extremos: o inferno e o céu, as baratas feias e as lindas borboletas. Você tem que permanecer uma testemunha de ambas. Você não é nem a barata nem a borboleta com cores psicodélicas. Nem isto nem aquilo - neti neti. Você é apenas o observador, o espelho que reflete a barata e que reflete a borboleta.

De acordo com os sacerdotes de Delfos, um extremo era a tentativa de ir além de sua finitude, agir como se fosse infinito. Isto acontece. Se você for para dentro, ou começa a sentir que é alguma coisa como uma criatura do inferno, ou começa a sentir que você é um anjo, uma criatura celestial. Mas em ambos os casos você novamente criou um ego. Evite os extremos, porque o ego consegue existir apenas com os extremos. Ele morre no meio. O meio dourado é a sepultura do ego.

... de vez em quando é bom descansar por uns dias num retiro nas montanhas, só para um descanso, mas você tem que voltar para o mundo. Sim, é bom meditar por algumas horas, mas depois você tem que voltar para o mundo. ...Não comece a pensar que você está separado, porque o autoconhecimento não pode ser alcançado na separação. Ele é alcançado na união.

E a união mais íntima possível é com outra pessoa. Como você pode estar em comunhão com as árvores se você não consegue estar em comunhão com pessoas? Como você pode estar em comunhão com as pedras se você não consegue estar em comunhão nem mesmo com seu amado ou sua amada? Isto é absurdo! Toda esta idéia é absurda.

... Eu tenho visto pessoas vivendo anos e anos nas montanhas.....elas podem viver num silêncio, mas o silêncio será das montanhas, não é uma realização delas. A não ser que você consiga viver o silêncio na praça do mercado, ele não será uma realização sua.

Ao retornar do Himalaia você, de repente, ficará chocado, pois continuará sendo a mesma pessoa que era antes de ter ido para lá, talvez você esteja até pior. Você não será capaz de tolerar o barulho, o tumulto do mundo. Que tipo de realização é esta? Em lugar de se tornar mais capaz, mais integrado, você terá se desintegrado, terá se enfraquecido. Você não ganhou força. ... Autoconhecimento é um conceito muito estranho, e você precisa compreendê-lo, porque este é todo o trabalho de um Sufi: como conhecer a si mesmo...
Autoconhecimento é um tipo de conhecer, mas não de conhecimento. É um tipo de consciência, luminosidade, mas não conhecimento.

... Hassan costumava orar todos os dias diante do mosteiro, sentando-se na rua. E ele chorava em prantos, olhava para o céu e dizia: ‘Deus, abra a porta! Eu tenho esperado há tanto tempo. Não foi o suficiente? Terei eu que passar por mais testes? Você ainda não me testou o suficiente? Abra a porta! Eu estou chorando. Eu estou em prantos. Eu estou gritando - abra a porta!’

Esta era a sua constante prece, toda manhã e toda tarde. Onde quer que estivesse, ele ia ao mosteiro, sentava-se na rua e orava. Rabia estava passando um dia. Ela bateu na cabeça do Hassan e disse, “Que tolice você está falando? A porta está aberta! Mas você está tão absorvido em seus gritos ‘Abra a porta! Escute-me, Senhor. Por que você não abre a porta’? Você está tão ocupado com essas tolices, que você não consegue ver que a porta está aberta. Ela sempre esteve aberta”.

Eu concordo com Rabia... Tudo está disponível. Você não precisa lutar. Você nem mesmo precisa se entregar. Porque a entrega é a polaridade oposta à luta. Você tem apenas que estar no meio. Tem que estar no estado de não-fazer, nem lutar e nem se entregar. E de repente você será capaz de ver que a porta está aberta. Você nunca foi a nenhum outro lugar. Você sempre esteve aqui. Onde mais você poderia ir? Estar dentro é a sua natureza. E então tudo é revelado como um relâmpago. De repente a escuridão desaparece e tudo é luz...

OSHO – The Perfect Master



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Elisabeth Cavalcante é Taróloga, Astróloga, Consultora de I Ching e Terapeuta Floral.
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