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Ramakrishna e o macaco bêbado - Parte 1

por Wagner Borges em Espiritualidade
Atualizado em 05/11/2008 17:45:07


(Toques de Shradha do Mestre da Simplicidade)

Foi ali, numa viagem espiritual para fora do corpo, que eu O encontrei novamente. Ele riu com gosto, como sempre.
Parecia uma criança arteira. E, no entanto, eu estava diante de um dos maiores mestres iogues que o mundo já viu.
Olhei para ele como um filho olha para seu pai, e perguntei-lhe:
“É chegada minha hora? Não sei se agüento tanto amor chegando em meu pequeno coração. Sinto saudade dos espaços livres, como você também sentia quando estava na Terra. Mas eu não tenho desenvolvida a capacidade que você tinha de transformar tudo em luz e simplicidade. Eu não sou mestre de coisa alguma. Sou só eu mesmo, tentando crescer e fazendo o melhor possível em cada situação. E não é fácil, nunca foi.
Diga-me: a Mãe Divina mandou você me buscar? É hora de voar para outras paragens? Esse grande amor que sinto vai me arrebatar definitivamente para além do pequeno coração? Está na hora de escutar música em outros sítios? E de rir em outros planos, junto com os amigos espirituais?”

Então, Ele riu mais ainda e começou a pular na minha frente, fazendo caretas e gestos engraçados. E me disse:
“Você parece um macaco bêbado tentando se equilibrar nos galhos. Desse jeito não dá para lhe explicar nada. Quem lhe disse que eu sei o tempo de vida de alguém? Quem sabe tudo é só a Mãe Divina. Pergunte a Ela diretamente. Mas, antes, deixe-me mostrar-lhe umas coisas”.

Em seguida, Ele me pegou pelo braço e me levou pelos ares. De grande altura, Ele apontou para o mundo abaixo de nós e disse-me:
“Veja com o olho espiritual e sinta com o coração. Olhe bem as emanações escuras que envolvem a humanidade em seu momento atual. Veja as faixas escuras que pressionam invisivelmente os homens. Perceba a grande intoxicação psíquica causada pelo materialismo e pelo egoísmo que grassam em seus corações. Escute os gritos de dor, dos homens e dos espíritos, que poucos escutam. A fome de amor é grande e o vazio existencial machuca a alegria de viver. E o resultado disso é o sofrimento, psíquico e físico.
Diante de tanto trabalho de esclarecimento espiritual a ser feito entre os homens, você quer ir embora? Quer voar livre enquanto seus irmãos choram agrilhoados às correntes do mundo?
Acha que é hora de voltar para casa, quando há tanto a ser feito no mundo dos homens tristes? Pensa que sua vida é só sua?
Eu sei... Projetar clarinadas espirituais no seio do mundo não é tarefa fácil. Também sei das repercussões decorrentes disso e da solidão que se sente (e que até mesmo companheiros de jornada não poderão compreender integralmente).
Sei das saudades e de como é difícil ancorar um grande amor num corpo humano. E das dificuldades que um tarefeiro repleto de Shradha passa diante das dúvidas e vaciladas em torno, até mesmo de quem lhe é próximo.
Mas as clarinadas espirituais que um trabalho firme projeta no meio humano têm o valor que só o mundo espiritual é que sabe. Nunca mensure o seu efeito apenas pelo ambiente físico e pelas pessoas em torno. Clarinadas espirituais ocasionam efeitos em diversos planos e transformam consciências. Elevam o padrão de discernimento e amor e fomentam muitos trabalhos de assistência extrafísica.
Isso, olhe para baixo e veja o mundo de provas e expiações. Esse é o seu lugar! Para aprender e trabalhar, como homem, igual a todos. Para espetar o materialismo exacerbado com os toques conscienciais.
Como é que você quer ir embora, quando as clarinadas espirituais são tão necessárias?
Não sei quando será sua hora, mas sei que não é agora. Aprenda a transformar o grande amor em mais luz e força na jornada e não espere receber amor igual e nem compreensão a respeito do que faz.
Quem lhe ama mesmo é a Mãe Divina! Ela sabe quem respira junto com seu coração e é da mesma Luz. Ela sabe quem lhe acompanha, em espírito e verdade. Conhece o seu (Darma – do sânscrito `Dharma´ – dever, missão, programação existencial, mérito, bênção, ação virtuosa, meta elevada, conduta sadia, atitude correta, motivação para o que for positivo e de acordo com o bem comum.) dharma(*) e sabe quem soma mais apoio e companheirismo na jornada, de coração.
Agora, deixe de se comportar como um macaco bêbado e não me pergunte mais nada. Continue sendo você mesmo. Basta isso.
Desce um grande amor em seu pequeno coração para que ele cure os homens e os espíritos. Para agüentá-lo, não procure reconhecimento ou compreensão de ninguém. Apenas escute os gritos de dor de seus irmãos e compreenda porque um grande amor desce entre os homens. Compartilhe-o, em silêncio. Se for preciso, chore quietinho, para aliviar suas emoções como homem, mas nunca deixe de fazer o que você faz.
Viva simplesmente. Como homem de bem. Sentindo-se igual a todos. Faça sua música. Você sabe: viva no mundo, mas sem ser do mundo. E, na hora certa que a Mãe Divina determinar, eu virei buscá-lo. Mas, até lá, há muito dharma a realizar neste mundo.
Deixe de ser como macaco bêbado, rapaz!”

Então, Ele me deu um tapinha no ombro e eu caí de grande altura para dentro do corpo, com as inevitáveis repercussões físicas (solavanco intenso e sensação de ter despencado do alto e caído abruptamente dentro da matéria).
Abri os olhos imediatamente e refleti em tudo o que Ele me disse. E até agora estou refletindo.
Aqui, em Curitiba, está chovendo e fazendo frio. O próprio clima convida à introspecção. Mas eu estou quietinho por outros motivos, que não são daqui.
O Grande Amor está aqui, em meu pequeno coração. E eu penso na imensa trama dhármica tecida pela sabedoria da Mãe Divina. A mesma trama que um dia me levou aos pés de (Paramahamsa Ramakrishna: mestre iogue que viveu na Índia do século XIX e que é considerado até hoje um dos maiores mestres espirituais surgidos na terra do Ganges. Para se ter uma idéia de sua influência espiritual, posso citar que grandes mestres da Índia do século XX se referiram a ele com muito respeito e admiração, dentre eles o Mahatma Ghandi, Paramahamsa Yogananda e Rabindranath Tagore.) Paramahamsa Ramakrishna(*) e que me permitiu viver e aprender por um tempo com esse grande mestre cheio de simplicidade e alegria.
Talvez um dia eu compreenda o porquê de Ela ter me dado o presente de conviver com Ele. Sim, talvez algum dia eu saiba o porquê de tanto amor descer nesse meu pequeno coração de macaco bêbado.
Até lá, irei driblando a saudade e fazendo o melhor possível e sendo eu mesmo, sempre enamorado da Luz.Om ( Viveka – discernimento espiritual.) Viveka(*)!
Om ( Shradha – sobre essa expressão específica, deixo na seqüência um texto antigo onde explico a mesma em detalhes. Segue-se o texto abaixo ) Shradha(*)!
Om ( Prema – amor divino, incondicional. ) Prema(*)!

Paz e Luz.
(Texto postado originalmente na lista interna do Grupo de Estudos e Assistência Espiritual do IPPB)
Wagner Borges (seu colega de evolução, tentando deixar de ser um macaco bêbado).


SHRADHA

Quando a ( Shradha: confiança espiritual baseada no discernimento e na intuição.) Shradha(*) de um homem enfraquece, o lótus do coração murcha e o brilho da espiritualidade desaparece de seus olhos. Sem Shradha, o horizonte fica turvo e a vida fica sem significação. Há queda de qualidade espiritual e o homem fica pobre internamente. Sua esperança é tragada na miséria de seus anseios e, por fim, o " (`Crocodilo da tristeza´ é uma expressão baseada nos ensinamentos de Paramahamsa Ramakrishna.) crocodilo da tristeza(*)" abocanha sua dignidade, arrastando-o para a toca do vazio espiritual.

Muitos têm as chances de crescimento adequadas. Mas a Shradha de seus corações é tão fraca!
É por isso que titubeiam tanto no trato com as verdades da alma. Querem mergulhar no oceano de luz, mas seus olhos não brilham. Buscam a espiritualidade com real admiração, mas os "cupins da dúvida" destroem seus estudos.

São Paulo, 27 de julho de 1997.

“Invocamos Shradha pela manhã.
Invocamos Shradha ao meio-dia.
Ao pôr-do-sol também invocamos Shradha.
Oh, Shradha! Cubra-nos de fé!
- in “RIG VEDA” -



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Wagner Borges é pesquisador, conferencista e instrutor de cursos de Projeciologia e autor dos livros Viagem Espiritual 1, 2 e 3 entre outros.
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