O que você faz com o que sente? Parte IV

O que você faz com o que sente? Parte IV

Autor Rosemeire Zago

Assunto Psicologia
Atualizado em 25/02/2026 15:53:28


Corregulação Emocional

Na Parte III dessa série, falamos sobre regulação emocional e fizemos um exercício prático.
Se você ainda não leu, recomendo que leia antes de continuar - porque agora vamos dar o próximo passo: a corregulação emocional.

O que é corregular?
Corregular é usar sua presença, seu corpo e sua voz para ajudar outra pessoa a acalmar o sistema nervoso dela. Não é apenas "sentir junto". É regular junto.
É estar presente.
É tocar.
É segurar a mão.
É abraçar.
É respirar junto.
É fazer uma técnica junto.

Diferença importante:
Autorregulação: eu me regulo sozinha, usando técnicas.
Corregulação: eu me regulo com outra pessoa.

Elementos da Corregulação
. Presença física: estar junto, verdadeiramente conectado
. Contato corporal: abraço, mão na mão, toque seguro
. Tom de voz calmo: palavras que transmitam segurança
. Fazer a técnica junto: respirar junto, sentir os pés no chão juntos

Algo imprescindível
Para você conseguir regular outra pessoa, você precisa estar regulado.
Antes de corregular, você precisa se autorregular.
Se o seu sistema nervoso estiver ativado, ansioso ou irritado, ele não conseguirá transmitir segurança. E o outro percebe - mesmo que você diga palavras tranquilizadoras. Não é só sobre o que você diz, mas sim o que você sente.
Vamos entender com exemplos.

Exemplo 1 - Seu filho está chorando
Seu filho está com medo ou chorando muito.
Primeiro, você faz algumas respirações sozinha. Você se autorregula.
Depois, você o abraça e diz: "Estou aqui. Você está seguro comigo."
Você respira profundo, e ele começa a respirar junto.
Seu sistema nervoso calmo comunica ao sistema nervoso dele que está tudo bem.
Ele se acalma porque você o ajudou a regular.

Exemplo 2 - Uma amiga em pânico
Uma amiga está ansiosa, em crise.
Você se autorregula primeiro. Depois segura a mão dela e diz:
"Eu estou aqui. Vamos respirar juntas."
Vocês fazem respirações profundas.
Você pede para ela sentir os pés no chão - uma técnica de aterramento que ajuda o cérebro a perceber segurança.

Exemplo 3 - Você na UTI com sua mãe
Você está com medo, preocupada. Sua mãe está na UTI.
Seu marido ou uma amiga segura sua mão e diz:
"Estou aqui com você. Vamos passar por isso juntos."
Ele respira junto com você. Você se acalma porque o sistema nervoso dele regulado ajuda o seu a se organizar.

Exemplo 4 - No trabalho
Um colaborador está ansioso antes de uma apresentação.
Você senta perto, coloca a mão no ombro dele e diz:
"Você não está sozinho. Vamos respirar juntos."
Vocês respiram juntos.
Ele se acalma porque não está mais sozinho na ativação.

O cérebro precisa de segurança
Guarde isso para sua vida: O cérebro precisa de segurança.
Quando você está calmo e presente, seu sistema nervoso comunica segurança ao sistema nervoso da outra pessoa através da neurocepção, conceito desenvolvido por Stephen Porges, criador da Teoria Polivagal.

O que é neurocepção?
É uma percepção automática e inconsciente de segurança ou perigo.
Como se fosse um detector interno que pergunta o tempo todo:
"Estou seguro?"
"Estou em perigo?"
Não é pensamento racional.
É o sistema nervoso avaliando o ambiente.
Quando estamos perto de alguém calmo, regulado e presente, nosso corpo percebe segurança - e começa a se organizar.
E isso começa desde a vida intrauterina e continua por toda a vida.
(E na Parte V vamos aprofundar exatamente isso.)


Corregulação NÃO é:
. Dizer "calma, vai ficar tudo bem" e sair de perto.
. Estar fisicamente presente, mas emocionalmente desconectado.

Por exemplo: uma mãe tentando acalmar o filho enquanto olha o celular.
Sem presença verdadeira, não há segurança percebida.

Corregulação é:
. Estar presente de verdade
. Estar conectado
. Estar atento
. Fazer a técnica junto
. Tocar, abraçar, segurar a mão
. Estar regulado antes de ajudar o outro

Uma pergunta importante
Você compartilha o que sente com alguém?
Compartilhar o que sentimos com alguém que nos escuta, valida e respeita também é uma forma de nos regular.
Mas para isso, precisamos de alguém que:
. Escute
. Valide
. Respeite
. Se importe

Porque o que regula não é a frase dita.
É o estado interno que a sustenta.
É a presença segura que você sente de verdade - consigo mesma ou com o outro.
E talvez você nunca tenha parado para pensar: essa experiência de segurança não começa na vida adulta.

A forma como você regula - ou tem dificuldade de regular - não começou hoje.
Ela começa muito antes.
Muito antes das palavras.

Na próxima parte, vamos compreender como o sistema nervoso começa a aprender sobre segurança ainda no útero materno - e como a corregulação na infância molda a sua vida até hoje.

Leia Também

O que você faz com o que sente? Parte III


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zago
é psicóloga clínica CRP 06/36.933-0, com abordagem junguiana e especialização em Psicossomática. Estudiosa de Alice Miller e Jung, aprofundou-se no ensaio: `A Psicologia do Arquétipo da Criança Interior´ - 1940.
A base de seu trabalho no atendimento individual de adultos é o resgate da autoestima e amor-próprio, com experiência no processo de reencontrar e cuidar da criança que foi vítima de abuso físico, psicológico e/ou sexual, e ainda hoje contamina a vida do adulto com suas dores.
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