Solidão
Autor Osvaldo Shimoda
Assunto Vidas PassadasAtualizado em 04/11/2002 11:57:23
“Se você não consegue ser íntimo
de outras pessoas é porque não
sabe como ser íntimo de sua
criança interior. A criança que existe
em você está amedrontada e magoada.
Proteja essa criança.”
- Louise L. Hay.
Solidão é um estado de alma. Um vazio interior, uma insatisfação que a maioria das pessoas busca preencher externamente, ou seja, através de bens materiais, trabalho, comida, sexo, dinheiro, etc.
Ficam atormentadas, esperando que alguém lhes dê uma receita mágica para tirá-las desse vazio. Existem três coisas que nós corremos atrás durante toda nossa vida: Felicidade, amor e paz interior. Felicidade no final de cada experiência; amor em nossos relacionamentos e paz de espírito. Mas estamos fadados ao fracasso. Mas porquê? Porque buscamos estas coisas lá fora. Dirigir um BMW pode fazer você feliz. Mas também fará de você um escravo. Que preço você paga para obtê-lo? Você está disposto a pagá-lo? Você vai pagar?
Muitas pessoas condicionam sua felicidade em fatores externos, impondo até determinadas condições para ser feliz. Exemplos: “Só vou ser feliz se conseguir encontrar a minha alma gêmea”... “Só vou ser feliz quando eu comprar a minha casa própria”.
Colocamos uma série de condições para sermos felizes. É tudo no se... e quando eu... Será mesmo que você vai ser verdadeiramente feliz ao conseguir concretizar essas condições? Muitos se queixam, reclamam e se entristecem pela falta de dinheiro e companhia.
No entanto, ao melhorar suas condições, continuam queixosos, insatisfeitos, reclamando de tudo e de todos. Isso se chama ilusão. Ninguém pode buscar nos outros uma resposta que está dentro de si. Então, toda felicidade presente se inviabiliza quando a condicionamos no futuro. Como dá para ser feliz se você impõe uma série de condições? As queixas são muitas: “Me sinto só, desamparada, sou casada, tenho tudo, marido bom, filhos saudáveis, um ótimo emprego, mas não sei porque me sinto infeliz”.
“Não tenho sorte no amor. Meus relacionamentos não dão certo. No começo é uma maravilha, mas depois sempre acaba dando em nada”.
“Me sinto muito só, não tenho amigos, meus parentes moram longe. Minha vida é só de trabalho”.
É preciso informar aqui que existem dois tipos de solidão: A solidão real e a imaginária. Na solidão real, a pessoa realmente está só, vive isolada em São Paulo, por exemplo, longe de seus familiares e amigos. Já na solidão imaginária, a pessoa está rodeada de gente, mas se sente só. Já te aconteceu de você ir a uma festa e sentir-se solitário? De estar junto com seus familiares e não preencher o vazio que há em seu coração? Temos também o que eu chamo de solidão a dois. O casal, apesar de estar junto, um ou ambos se sentem só, há um vazio, um tédio interminável. Em contrapartida, há muitas pessoas que vivem sozinhas e, no entanto, não sentem solidão. Para elas, viver só significa liberdade, alegria e até privacidade. Então, o que faz a diferença entre uma pessoa que sente solidão e a que não sente?
A causa da solidão, além do desamor, está no auto-abandono. Desamor por si mesmo, significa que você é disfuncional do ponto de vista amoroso, não é amoroso consigo mesmo e, por isso, vive em permanente estado de déficit de amor. Vive numa verdadeira penúria de afeto, daí experimenta a dolorosa sensação de solidão. Há uma mesquinhez de afeto e, quando isto acontece, você não se permite ser íntimo com as pessoas. Sua capacidade de dar e receber amor está comprometida.
A dificuldade de fazer amizade, de se envolver afetivamente nos seus relacionamentos é conseqüência do medo da intimidade, da entrega. E isso acontece em todas as classes sociais e em todos os países, o que prova que a situação financeira é fator menos importante. As estatísticas revelam que a maior causa do suicídio tem sido a solidão. Observe a ocorrência freqüente desse ato em países como Suécia, EUA, Alemanha, Dinamarca, etc., onde esse índice é muito alto. Então, qual é o antídoto para a falta de amor? É sair dessa mesquinhez de afeto e resgatar a capacidade de se amar e amar o próximo. Aqui vai um lembrete para as pessoas solitárias: Se você está sendo ruim com você há muito tempo, um pingo de amor faz uma diferença enorme. Quando você aprende a se amar verdadeiramente, sua vida se torna mais fácil e produtiva e seus relacionamentos se tornam mais carinhosos e nutritivos. Experimente e verá!!!
Caso Clínico:
Tristeza e solidão profunda.
Mulher, 35 anos, solteira, veio ao meu consultório porque sentia muita tristeza, solidão e um vazio profundo. Na regressão, se vê como uma menina de 9 anos, olhos grandes e castanhos, cabelos nos ombros, cor de mel, uma fita nos cabelos, vestido branco e sapatos da mesma cor com fivelas.
Se vê brincando sozinha, correndo atrás de seu cachorro. Seus pais estão na sala de sua casa, conversando. A casa é grande, têm um jardim e uma escada de frente. A casa não tem portão e dá de frente para uma lagoa. O ano é 1800, na Inglaterra. Seu nome é Elizabeth. Ela me diz que uma luz branca a acompanha. Identifica esta luz como sendo o seu irmãozinho de 3 anos, John, seu irmão caçula. Sua mãe lhe disse que o irmão havia caído da escada e foi isto que ocasionou a sua morte. Descreve a mãe como uma mulher de olhos azuis, cabelos longos, também cor de mel, vestida de camponesa. O pai é magro, cabelos escuros, liso, alto e pele clara. Subitamente, a paciente desata a chorar e me diz: "Eu não quero sair da minha casa. Se sairmos, vou ficar sozinha e John não vai mais brincar comigo. Vou sentir muita saudade dele. Eu não quero mudar de casa (chora copiosamente)”. A família acaba mudando para outra cidade.
Após a mudança, tudo muda em sua vida. Seus pais não conversam mais com ela e mesmo entre eles. Ela me diz: “Eu não gosto desta casa. Ela é escura, fria, não têm jardim, escada, nem cachorro. Fiquei sozinha depois da morte de meu irmão. Meu pai não conversa mais com a minha mãe”. Na verdade, ela descobriu que sua mãe tinha bebido e derrubado seu irmão da escada. Este foi realmente o motivo de sua morte e de seu pai ter decidido mudar daquela casa. Peço para que ela avance na cena alguns anos depois. Se vê com 15 anos, cabelos longos, lisos, mexendo em uma prateleira na casa de seus pais. Diz que sabe costurar e cozinhar. Vê sua mãe doente, deitada numa cama. O pai foi trabalhar, têm uma loja. E é ela que cuida de sua mãe. Não gosta de cuidar dela. Seu pai é muito triste. Ela sente carinho por ele. Desde o acidente, ele ficou muito amargo e calado.Anos depois, seu pai veio a falecer do coração. Estava andando na rua e teve uma parada cardíaca, no dia de seu aniversário quando ela completava 20 anos. Peço novamente para que ela avance na cena, agora no momento de sua morte. Ela me diz: “Estou sozinha, moro sozinha, minha mãe morreu também. Estou com 45 anos. Continuou morando na casa de meus pais. Sinto uma dor, angústia no peito. Não tenho mais ninguém. Sinto uma solidão profunda. Fico pensando no meu irmão, na sua morte. A dor de não vê-lo mais ainda é muito grande. Estou sentada numa cadeira, visto uma roupa velha, cabelos desalinhados, com expressão de tristeza. Não tenho mais vontade de viver. Pressinto que chegou a minha hora. Subitamente aparece uma luz branca na minha frente. É o meu irmão que veio me buscar. Eu estou feliz. Ele me estende a mão e diz que ficará comigo para sempre. Dói o meu peito. Dou um último suspiro. Morri”!
Após o término desta sessão de regressão, ela me confidenciou emocionada que a luz branca estava presente o tempo todo ao lado dela durante a regressão. No encontro seguinte, a paciente me disse que estava bem melhor e que não sentia mais aquela tristeza e solidão profunda. Disse-me que seu irmão apareceu para ela em sonho. Fizemos mais quatro sessões de regressão e demos por encerrado o nosso trabalho.








in memoriam