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Quem não comunica se trumbica

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O cérebro é mole e pesa cerca 1,3 quilo. Por meio de um microscópio eletrônico, é possível ver que ele parece um emaranhado de fios — os prolongamentos de seus 100 bilhões de neurônios. Estudos recentes mostram que eles são capazes de se multiplicar 250 mil vezes por minuto nos dois primeiros meses de gestação. Mas provavelmente metade morre antes de o bebê nascer, como se apenas os mais sociáveis, aqueles que se comunicam direito, pudessem seguir em frente.

"Durante muito tempo, a gente se preocupou em observar como os prolongamentos dos neurônios cresciam para formar sinapses, isto é, para encontrar outros neurônios que muitas vezes estavam a centímetros de distância", conta a pesquisadora Story Landis, do Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos, nos Estados Unidos. "É fascinante que durante o desenvolvimento do sistema nervoso uma célula ‘saiba’ em que direção estão as destinatárias de suas mensagens", diz a cientista que, no entanto, já não considera isso o mais importante. "OK, dois neurônios esticaram seus prolongamentos no rumo certo até se encontrarem, mas a partir daí como decidem em que língua irão conversar?", pergunta.

A linguagem das células nervosas são moléculas chamadas neurotransmissores. De um lado, o neurônio transmissor deve começar a fabricá-las escolhendo entre mais de cinqüenta tipos. E, de outro, o neurônio interlocutor deve criar receptores para encaixá-las perfeitamente em sua membrana. "Se esse acordo inicial não for bem feito, há muita chance de problemas — emocionais, de memória, de raciocínio", afirma Dennis O’Leary, do Instituto Salk, em San Diego. "Embora possam parecer coisas bem diferentes, todos esses processos não passam de um bate-papo entrosado, em que não faltam nem sobram neurotransmissores".

Os traumas marcam os neurônios

Muitas vezes, quando a cabeça da gente não vai lá muito bem, não faltam moléculas mensageiras e, sim, receptores para elas. Tanto um problema como o outro, no início, eram atribuídos a defeitos nos genes. Numa conferência de San Diego (1996), os cientistas constataram que nem sempre é assim. Em muitos casos, os genes fizeram seu serviço direito e o cérebro nasce de bem com a vida. Mas depois as coisas saem dos eixos. Em ratos, ao menos, o estresse constante causa danos em duas estruturas cerebrais envolvidas com a emoção — a amígdala cerebral e o hipotálamo. Coincidência ou não, os ratos com lesões são muito mais medrosos, de acordo com pesquisadores da Universidade de Wisconsin.

"A mesma substância associada ao estresse dos ratos —um hormônio chamado CRF produzido pelo próprio cérebro— é mais encontrada no organismo de quem passou por fortes experiências traumáticas: estupros, assaltos e catástrofes como terremotos", afirma o médico americano Charles Nemeroff, da Universidade Emory. Ele e seus colegas passaram o ano de 1996 examinando vítimas desses episódios traumáticos com ressonância magnética. E notaram que elas apresentam a glândula hipófise ligeiramente maior do que a média da população, enquanto o hipocampo costuma ser menor. "Vários estudos indicam que o estresse psicológico intenso produz alterações sem volta", diz à SUPER Dennis Charney, da Universidade Yale, nos Estados Unidos. "O que antes seria razão apenas para melancolia passa a ser motivo de uma profunda depressão, por causa dessas alterações. A tendência em Medicina é assumir que a maioria das vítimas de traumas vai precisar tomar remédio para sempre, como um diabético necessita de insulina".

Fonte: Superinteressante

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