Respire fundo.
Perceba seu corpo.
Agora seja honesto consigo: o que você anda evitando por medo?
Flávio Gikovate sempre foi direto e humano em suas reflexões: o medo faz parte da condição humana. Ele não via o medo como fraqueza, mas como um sinal interno de vulnerabilidade e autoproteção.
O problema não é sentir medo.
O problema é deixar que ele governe sua vida.
O medo não quer te sabotar, quer te proteger...
O medo nasce do instinto de sobrevivência. Ele avisa:
"Cuidado"
"Isso pode doer"
"Você pode perder"
Mas quando esse alarme toca o tempo todo, você começa a viver em estado de retração.
Gikovate ensinava que maturidade emocional não é ausência de medo, mas capacidade de agir apesar dele.
Coragem não é não sentir.
Coragem é atravessar.
Medo de rejeição: o mais comum e silencioso
Grande parte das nossas escolhas são moldadas pelo medo de não sermos aceitos:
- Ficar em relações ruins;
- Não dizer o que sente;
- Se esconder;
- Viver agradando.
Segundo Gikovate, isso gera um vazio interno: você existe para o outro, mas se abandona.
E abandono de si mesmo nunca gera felicidade.
Autonomia emocional: o caminho possível
Para Gikovate, felicidade está profundamente ligada à autonomia emocional.
Isso significa:
Saber quem você é;
Assumir suas escolhas;
Aceitar que nem todo mundo vai gostar de você;
Suportar frustrações sem desmoronar.
Quando você se torna emocionalmente adulto, o medo diminui.
Não porque some, mas porque perde o controle.
Amar sem se anular
Ele também falava muito sobre relações afetivas.
O medo de perder o outro muitas vezes nos faz perder a nós mesmos.
Amar saudável é:
Estar junto sem se fundir;
Cuidar sem controlar;
Se entregar sem se abandonar.
Quando você se respeita, o amor deixa de ser um campo de ameaça e vira espaço de troca.
A felicidade possível (e real)
Gikovate nunca vendeu a ideia de felicidade perfeita. Para ele, felicidade é:
Ter momentos de paz;
Ter relações razoavelmente boas;
Sentir sentido no que faz;
Conviver com angústias sem paralisar.
Isso é profundamente humano.
Não é euforia constante.
É equilíbrio emocional possível.
Escolha apenas um pequeno passo na direção da sua verdade.
Só um.
Reflexão final
Você não precisa eliminar o medo para ser feliz.
Você precisa parar de se esconder atrás dele.
A vida começa quando você aceita:
Que não controla tudo;
Que pode errar;
Que pode ser rejeitado;
Que pode cair;
Que pode levantar.
Felicidade não é viver sem medo.
É viver com coragem suficiente para não se abandonar.
E você.
Vai continuar esperando o medo ir embora?
Ou vai começar a viver apesar dele?
Um olhar inspirado em Flávio Gikovate, renomado psiquiatra, falecido em 2016, nos deixando um importante legado sobre relacionamentos e reflexões sobre a felicidade e a vida...
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