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A felicidade é uma escolha



Uma amiga minha conseguiu lidar melhor com a depressão durante algum tempo depois de escutar a sua irmã dizer que a felicidade é uma escolha. Sim, isto é verdade, uma das verdades simples e universais. Podemos escolher entre a gratidão e as reclamações, entre a busca pela paz e remoer sentimentos negativos… É mais fácil falar do que colocar em prática? Claro, o caminho não é fácil e eu sou apenas mais uma caminhante.

Muitas pessoas acham que a personagem Poliana é uma tola. Nada mais longe da verdade. Entendo que agradecer porque existem pessoas que estão em situação pior do que a minha pode se tornar algo cansativo, pode até perder o sentido para mim. Mas o que nunca vai perder o sentido é agradecer pelas pequenas coisas e até mesmo pelo aprendizado que experiências aparentemente negativas nos oferecem.

Se você acredita que há um propósito maior por trás de tudo o que acontece, então a ideia de que a felicidade é uma escolha faz sentido. Deus é bondade, amor, paz. Como Ele permitiria que acontecessem coisas realmente negativas? É claro que existem coisas aparentemente negativas. A nossa compreensão é muito limitada para apreender o sentido do que acontece na nossa realidade. Na verdade tudo está certo no Universo. Podemos escolher acreditar que o sofrimento é uma ilusão. Podemos escolher acreditar que não conseguimos vislumbrar o que há de bom em uma situação aparentemente negativa. É evidente que a adversidade traz consigo aprendizados. Talvez este seja o benefício mais fácil de perceber quando passamos por situações difíceis. Como escreveu Richard Bach, “você tem problemas porque precisa das dádivas trazidas por eles”.

O leitor poderá discordar, argumentando: “Mas o mal extremo existe! Como entender que há algo de positivo nisto? Como aceitar que tenhamos que pagar um preço tão alto pelo aprendizado?” Sim, o mal existe e para mim é um mistério o que há de bom nestas situações, por que Deus permite que certas coisas aconteçam… Segundo o Willian P. Young, autor do livro “A Cabana”, Deus permite a existência do mal por que nos ama a ponto de nos dar livre arbítrio. Li em algum lugar que a manifestação implica na dualidade: luz e escuridão, frio e calor... Não seria possível saber o que é a felicidade se não houvesse o sofrimento. Esta é outra explicação para a existência do mal. Mestres espirituais ensinaram que “tudo é ilusão”. Se a negatividade é ilusão não precisamos nos revoltar contra Deus. Mesmo assim eu não consigo assimilar a existência do mal…

E o espírito como fica depois de enfrentar estas situações extremas? Em certos casos o espírito aparentemente “quebra-se”… Aparentemente, pois o espírito é indestrutível. O que faz com que uma pessoa consiga enfrentar as adversidades? Uma qualidade que psicólogos chamam de resiliência (https://www.somostodosum.com.br/clube/artigos.asp?id=51982) E o que é a resiliência? É a capacidade que um indivíduo apresenta diante da adversidade, conseguindo se adaptar ou evoluir positivamente frente à situação. Sim, o sofrimento oferece aprendizado e depois de algum tempo é possível encarar o passado e até mesmo agradecer, pois as experiências aparentemente negativas levam à evolução e a mudanças positivas em nossas vidas.

Quanto a situações de extremo sofrimento, é possível simplesmente tentar aceitar que não entendemos por que certas coisas acontecem conosco ou com as pessoas que amamos. A partir deste “lugar” dentro de nós podemos buscar a paz, podemos parar de brigar com a realidade, parar de resistir… Eu sei que escrever sobre isso é fácil, colocar em prática é muito diferente… Aceitação, esta é  uma profunda lição espiritual. E aprender, evoluir é um processo.

Uma reação ainda mais positiva diante das adversidades foi retratada em cenas dos filmes “Divã” e “Noites de Cabíria”. No filme “Divã” a personagem de Lilia Cabral sorri e ao mesmo tempo chora depois de todas as experiências pelas quais passou, que incluem alegrias, amor, paixão e decepções, a morte de alguém querido… Nesta cena fica claro que a personagem consegue perceber a beleza da vida - a beleza do pôr do sol e da tempestade... A cena final do filme “Noites de Cabíria” transmite uma impressão parecida. A personagem principal é uma prostituta, que se apaixona e é roubada pelo homem que ama. Ela perde tudo e mesmo assim percebe a magia da vida e sorri, dança com um grupo animado que surge de repente. Somos muito pequenos para entender como a existência é mágica, não é verdade? Mesmo quando não enxergamos “uma luz no fim do túnel” a vida pode nos surpreender. Sim, situações de extremo sofrimento podem fazer com que uma pessoa abra os olhos para ver a magia da vida, abra o seu coração para receber Deus. Elizabeth Lesser trata deste tema no livro “Broken Open: How Difficult Times Can Help Us Grow”.
Sim, a vida sempre nos reserva surpresas! Já faz algum tempo eu participei de uma Conferência e uma mulher de meia idade contou que havia perdido o seu marido e o seu filho também havia falecido recentemente. Mas ela estava noiva e iría ganhar uma família inteira de presente, incluindo filhos e netos. Realmente a vida sempre pode nos surpreender!

Esta história me fez lembrar da sabedoria, da poesia do músico Henri Salvador. “Eu pensei que estivesse no fim da aventura, mas o meu coração... Ele me murmura que há muitos sonhos para viver ainda...” “A cada vez que você sorri é a vitória do amor sobre o tempo que passa sem ruído...” Acredito que estamos aqui, neste planeta azul, para aprendermos a amar melhor. Acho que este é o sentido da vida. Então se eu amar mais e melhor hoje, o que importa a passagem do tempo?

Falando sobre o amor, é claro que fazer o bem pode nos fazer mais felizes. Então por que não pensar em fazer um trabalho voluntário? Esta é uma situação na qual todos ganham!

Voltando a falar do que existe de bom em acontecimentos aparentemente negativos, há uma história oriental muito interessante. Duas pessoas, pai e filho, viviam de maneira humilde e eram felizes. O pai quis prosperar e comprou um cavalo. O animal fugiu. Então as pessoas do vilarejo disseram: “Que azar!” O homem, que era uma pessoa muito sábia, respondeu: “Se é algo bom ou algo ruim, quem é que sabe?” Procuraram o cavalo e o encontraram. O animal estava com uma manada de cavalos selvagens. Então as pessoas que conheciam aquele homem falaram: “Que sorte!” A resposta dele foi a mesma. Pouco tempo depois o filho daquele homem quebrou a perna ao montar um daqueles cavalos. As pessoas falaram: “Que pena! Ele vai ficar mancando e nenhuma moça irá querer casar com ele.” Mais uma vez o homem respondeu: “Se é algo ruim ou algo bom, quem é que sabe?” Houve uma guerra e o rapaz não foi recrutado. Então os vizinhos daquele homem falaram: “Nós estamos muito tristes, preocupados porque não sabemos se nossos filhos voltarão. Como você é feliz! Você sabe que seu filho está em segurança.” O homem deu a mesma resposta e a história não tem fim. A moral da história é muito clara: ninguém sabe o que é bom ou negativo. Então por que julgar, rotular os acontecimentos? Se quisermos rotular as experiências, então é melhor considera-las positivas. Afinal, podemos adotar a crença de que o Universo sempre conspira a nosso favor. Lourenço Prado, autor do livro “Alegria e Triunfo”, narra a história de um sacerdote que passou a batizar os acontecimentos como sucesso, “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!”

Como bem disse Carlos Drummond de Andrade:

“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,

e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...”


Que possamos aprender com o poeta! Sim, a dor é inevitável. Segundo o budismo, uma das grandes verdades é que a vida é sofrimento. Mas tudo depende de como enfrentamos o sofrimento. Podemos remoer sentimentos negativos ou aprender a deixar ir… Como disse Heráclito, não é possível banhar-se no mesmo rio duas vezes. Hoje eu não sou mais a mesma, as circunstâncias já não são as mesmas… Por que apegar-se à dor?

Cora Coralina, em um de seus poemas, também falou sobre escolhas:

"Mesmo quando tudo parece desabar,

cabe a mim decidir entre rir e chorar,

ir ou ficar,

desistir ou lutar;

porque descobri,

no caminho incerto da vida,

que o mais importante é decidir."

Sei que não é tão simples assim… Eckhart Tolle escreveu sobre o “corpo de dor”. Ele explica que ficamos viciados no sofrimento, pois os sentimentos negativos alimentam o ego. Em outras palavras, nos identificamos com eventos de dor do passado, no sentido de acharmos que somos aquela dor ou que ela faz parte de nossa identidade. Assim sendo, repetimos as experiências dolorosas no presente, confirmando que aquela crença é uma “verdade”. Quem sou eu sem a minha dor? Esta é uma boa pergunta. Sem a dor talvez restasse o vazio. Um vazio que talvez fosse preenchido pelo amor, por Deus. Os praticantes de meditação buscam este vazio, a paz. Talvez eu, uma pessoa comum, nunca chegue à iluminação, não nesta encarnação. Mas acredito que a prática da meditação pode pelo menos levar a um pouco mais de desapego, desapego do ego, desapego da dor.

Ainda falando sobre desapego, mestres espirituais ensinam que é mais rico, mais feliz aquele que precisa de menos coisas. Recentemente assisti ao documentário “Minimalism” (disponível no Netflix). Os “minimalistas” contam que depois que se desapegaram de muitas coisas sentiram-se mais leves e felizes. Provavelmente não vou chegar a ser minimalista, mas acho que vale a pena praticar o desapego.

Mestres espirituais falam sobre o poder de desejar algo. O livro "O Segredo" trata deste tema. Por outro lado, o budismo ensina sobre a importância do desapego. Qual é o caminho correto? Creio  que podemos desejar, sonhar... Claro que podemos! Mas se sonhamos e nos sentimos ansiosos ou sem esperança (muitas pessoas chegam a ficar realmente desesperadas ao pensar que não irão conseguir realizar os seus sonhos) isto irá sabotar os nossos esforços para alcançar os objetivos que temos em mente. Acho que a melhor atitude é desejar e entregar este sonho ao Universo, não se preocupar, não se apegar ao sonho. Afinal, a felicidade está dentro de nós. Esta frase é um "chavão", mas nem por isso é menos verdadeira.

Tom Shadyac, diretor dos filmes "O Professor Aloprado", "O Todo Poderoso" e "Ace Ventura: um detetive diferente" aparentemente tinha tudo: fama, dinheiro. No seu documentário "I Am - Você tem o poder de mudar o mundo" o cineasta conta que passou por uma fase difícil e acabou descobrindo que desejava uma vida mais simples. Ele decidiu  vender a sua mansão e começou a dar aulas de cinema em uma faculdade. Tom ía de casa para o trabalho e voltava de bicicleta.

Ao que parece dinheiro demais realmente não traz felicidade. É claro que precisamos do essencial para viver com dignidade. Porém, uma pesquisa realizada por Daniel Kahneman (ganhador do prêmio Nobel de Economia) chegou à conclusão de  que a partir de uma renda anual superior a 6000 dólares (mediana, para os padrões dos EUA) os bens materiais deixam de influenciar a felicidade dos americanos. (Fonte: Revista Veja, de 14 de fevereiro de 2018) E estudos na área de psicologia indicam que ganhar na loteria não faz com que as pessoas sintam-se mais felizes a longo prazo. E, ao contrário do que muitos acreditam, não é porque as pessoas gastam demais e perdem todo o dinheiro rapidamente. (Fonte: link ) Uma pesquisa com ganhadores da loteria realizada em 1978 mostrou que estes felizardos têm picos de felicidade logo após ganharem o prêmio, mas tendem a voltar ao estado de humor habitual algum tempo depois. Algo equivalente parece acontecer com pessoas que ficam paraplégicas em acidentes. Elas passam por um período de infelicidade, mas passado algum tempo chegam a níveis de felicidade semelhantes a antes do acidente. ( Fonte: link ) Então ao que parece a felicidade realmente é um estado de espírito, não depende tanto assim do exterior.

Como diría Gisela Rao, “feliz já”! É o que desejo para todos nós!

Sugestões de leitura: “Alegria e Triunfo” (Lourenço Prado), “O Poder do Agora” (Eckhart Tolle), “Broken Open: How Difficult Times Can Help Us Grow” (Elizabeth Lesser), “CURAR o Stress, a Ansiedade e a Depressão sem medicamento nem psicanálise” (Dr. David Servan-Schreiber), “Essencialismo” (Greg McKeown).

Vídeos: "Minimalism" (Netflix), Palestra de Monja Coen no II Congresso Internacional de Felicidade (  link ) e Palestra de Sri Prem Baba no mesmo Congresso: "Propósito e Felicidade Plena"  ( link ).


Publicado dia 14/1/2018
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Autor: Patricia M. Barros   
Sou jornalista e advogada. Atualmente sou funcionária pública e estudante de psicologia e psicanálise. Sempre me interessei por questões que envolvem comportamento e o desenvolvimento pessoal. Espero contribuir um pouco para o bem-estar e felicidade de algumas pessoas!
E-mail: patriciambarros@zipmail.com.br | Mais artigos.

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