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Curso Gratuito de Ética - Parte III - Ética dos Bens



3.6 Ética dos Bens e Ética Platônica
A ética platônica relaciona-se com conceitos metafísicos, epistemológicos, políticos e psicológicos, sobre os quais se apóia. Para Platão, conhecer é recordar o que já se sabia. A alma é imortal. Após a morte, está liberta de todas as impurezas da matéria.
. São virtudes que atuam em coordenação e cuja harmonia constitui a justiça. A justiça é, para Platão, a harmonização das atividades da alma e de suas respectivas virtudes.
A moral não é adquirida e praticada individualmente, mas na coletividade. O estado não é somente organizador de poder, mas cabe a ele a formação espiritual, conduzindo os indivíduos a realizarem o valor do bem, tornando-os felizes.
Para Aristóteles, a ética tem como fim descobrir o bem absoluto, que é o ponto máximo de chegada. Chama o bem absoluto de felicidade, que tem que ser exercida constantemente pela virtude. A virtude tem que ser um hábito na vida dos homens; não basta praticá-la uma vez ou outra, tem que ser constantemente exercitada.
Para Epicuro e a ética epicurista, a felicidade consiste no prazer. O prazer do espírito. Os prazeres podem ser naturais e necessários, naturais e não necessários, ou nem naturais nem necessários. O primeiro, podemos exemplificar como a satisfação do apetite, o segundo é a gula, e o terceiro seria a glória.
A ética consiste em duas finalidades: a crítica, que são superstições que afetam os morais, e a construtiva, que consiste em assimilar as regras que farão feliz o indivíduo.
Mas a busca da felicidade nos traz dois temores: a morte e os deuses. Se pensarmos na morte, ela não existirá enquanto somos vivos; quando chegar a hora, chegou. Aos deuses também não devemos temer, pois são seres perfeitos e distantes, não estão preocupados com a imperfeição humana.
A ética epicurista se volta para o individualismo: o interesse do bem-estar é de cada um, não dos outros. Mas este individualismo leva a muitas guerras e, para acabar com os confrontos, surgiu então a justiça, que servia para não prejudicar ninguém.
O Estado tem o dever de cumprir com suas obrigações, punindo os infratores. Pode-se perceber que a ética epicurista é um eudemonismo hedonista, além de ser individualista e egoísta.
Para a ética estóica, a palavra-chave é “virtude”: viver virtuosamente de acordo com a natureza concebida pela razão. Um dos ideais estóicos é libertar-se das afeições; através de vínculos afetivos, os homens escravizam-se, devendo se desprender das coisas do mundo exterior, apagando-as até chegar à indiferença de sentimento. O prazer deve ser deixado de lado, usando assim somente a virtude que consegue combater qualquer tipo de prazer.

3.7 A Ética formal
As duas formas anteriores se prendem a resultados do atuar humano. O empirismo só se atém ao que realmente ocorre, a partir, portanto, do produto da atuação humana. A Ética dos bens se preocupa com a relação estabelecida entre o proceder individual e o supremo fim da existência humana.
Já para Kant, em sua filosofia prática, a significação moral do comportamento não reside em resultados externos, mas na pureza da vontade e na retidão dos propósitos do agente considerado. Afere-se a moralidade de um ato a partir do foro íntimo da pessoa. Kant quis provar a falsidade de qualquer doutrina moral de base empírica. Ele se baseava na lógica, física e ética. Uma das sugestões do conceito de Kant seria a boa vontade, considerada ética do êxito ou a moral pragmática.
A partir de Kant, só se considerava a atitude interior da pessoa. As atitudes da moral podem ser:
1) ações conforme o dever, mas que não são realizadas com o dever;
2) ações realizadas por dever;
3) ações contrárias ao dever.
Outro fator importante é o dos imperativos. Os fenômenos da natureza que se originam de leis naturais; os fenômenos humanos derivam de princípios. A determinação da vontade por leis objetivas chama-se constrição. O que impera é o “deve ser” e divide-se em categórico e hipotético. O imperativismo categórico generaliza uma conduta, enquanto o hipotético é uma escolha para que o indivíduo se beneficie.
Kant distinguiu máxima, como princípio subjetivo, a regra de acordo com a procedência do sujeito; e lei moral, como princípio objetivo, uma regra universal a qual a pessoa deve conduzir-se.
A autonomia e heteronomia também são conceitos importantes para Kant.

3.8 A Ética dos valores
É uma inversão da tese Kantiniana. Para Kant, o valor de uma ação depende da relação da conduta com o princípio do dever, o imperativo categórico. Para a filosofia valorativa, o valor moral não se baseia na idéia de dever, mas dá-se o inverso: todo dever encontra fundamento em um valor.
Tudo o que tem valor, deve ser. O valor passa a ser essencial para o conceito ético. Nós por nossa natureza podemos definir o que é valioso, porém, descobrimos o valor, e não o criamos.
Nossa sociedade obedece a regras que são impostas, nenhuma sociedade é capaz de viver organizadamente sem um código moral.
Os valores não pertencem ao mundo material dos homens, por não podermos submetê-los ao tato; pertencem ao mundo imaterial: sabemos que existem porém são abstratos, não integram a ordem da realidade.
Podemos considerar os valores como hierárquicos, da forma “quanto mais alto, ...:
a) ... quanto mais duradouro é;
b) ... quanto menos participa da extensão e da divisibilidade;
c) ... quanto mais profunda é a satisfação ligada à intuição do mesmo;
d) ... quanto menos fundamento se acha por outros valores;
e) ... quanto menos relativa seja sua percepção sentimental à posição de seu depositário.
Não se tem tempo nem data pré-fixada quanto ao valor; sua vigência é infinita.
O prazer se iguala ao desfruto, não pela posse do valor. Há valores que são agradáveis. Os valores da vida que são relativos aos seres vivos. E há valores puros como os valores morais, que tem caráter absoluto.
Os valores existem mesmo que não descobertos pelos indivíduos. É a consciência estimativa que dá o testemunho da atualidade dos valores. Porém os valores são princípios da esfera ética real.
O “dever ser” conquista um destacamento especial na doutrina da realização de valores. É uma noção Kantiniana suprema, assim sendo, indefinível.
Para se realizar o valioso consiste num dever para o homem; o dever impõe conduta teleológica: se decido aceitar uma norma, devo seguir dois processos: a determinação primária e a determinação secundária. A primeira é por intuição, a segunda é a deliberação da vontade.
O nexo teleológico admite três momentos:
1. Postulação do fim – alguém se propõe a realizar determinada finalidade.
2. Eleição dos meios – para chegar aos fins tem que se passar pelos meios.
3. Realização – inserta no fluxo do futuro.
Normalmente o homem traça objetivos para chegar até sua meta. A realização de meta só é concebida quando existe a causalidade e a teleologia.

Continua...

No próximo bloco: A Moral Cristã


“Uma sociedade florescente e feliz não pode existir enquanto a maior parte de seus membros são pobres e desafortunados.”
Adam Smith
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Publicado dia 2/7/2007
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Autor: Monika Alves de Almeida Picanço   
Teóloga, jornalista, radialista, professora. Pós-graduada em Filosofia. Licencianda em Letras. Palestrante. Cantora e compositora. Mestranda em Teologia Histórica e em Ciências Sociais da Religião. Autora dos livros Redescobrindo o Ser Ético: http://migre.me/exvRM Reflexões Teológicas Vol. 1: http://migre.me/exw2i Contatos: monika@vivos.com.br
E-mail: monika@vivos.com.br | Mais artigos.

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