LIBERTE-SE DO PASSADO

LIBERTE-SE DO PASSADO

Autor Willes S. Geaquinto

Assunto Autoconhecimento
Atualizado em 9/21/2026 8:46:07 PM





  Existem várias definições sobre o que é o passado. Uns dizem que é um depositário de memórias e histórias, uma espécie de arquivo de vida. No meu entender, é um tempo psicológico que acessamos em certos momentos, consciente ou inconscientemente. Para Freud, o passado não desaparece com o tempo, pois é inconscientemente atemporal. Embora tenha tocado brevemente sob alguns prismas, a questão fundamental nesta reflexão não é necessariamente explicar o passado. Mas, de certo modo, baseado em estudos, vivências pessoais e na minha atuação como psicoterapeuta, explicar que é possível libertar-se dele ou, pelo menos, reduzir a sua influência no presente.

Antes de entrar diretamente no assunto aventado, vale lembrar que, entre as diversas abordagens sobre o passado, algumas são reducionistas demais, outras fatalistas, além de diversos achismos subjetivos que mais atrapalham o entendimento do que esclarecem. Aliás, há que se ficar atento, pois, em tempos de internet, muitos espertalhões - pseudossábios - têm tratado assuntos sérios em relação à saúde mental de forma a ludibriar os incautos e buscadores de soluções mágicas.

Imagine por um instante que o passado é como um depósito onde você tem dois baús: um com suas memórias negativas ou traumáticas do passado e outro com suas recordações positivas, acolhedoras e reconfortantes. Agora observe e analise sem pressa: qual dos dois você visita mais? Qual exerce maior influência em sua vida presente?

Baseado nas premissas citadas, vou contar-lhes algo pessoal que aconteceu comigo aos vinte e oito anos de idade mais ou menos, quando estudava Filosofia na universidade federal, em Beagá, e passava por uma intensa crise existencial. Eu tinha acabado de ler um livro denominado Eu estou OK, de Thomas A. Harris, um dos criadores da Análise Transacional - abordagem que ressalta a capacidade humana de modificar seus sentimentos, reações, pensamentos e escolhas através do autoconhecimento e do empenho pessoal. Assim, inspirado pelo aprendizado absorvido e pela autoanálise, veio-me à mente intuitivamente o fato de que eu estava vivendo minha vida presente ancorado apenas pelos aspectos negativos que tinham marcado minha trajetória, principalmente na infância, adolescência e parte da juventude.

Explico melhor: até aquele momento, eu deixava-me guiar pelo trauma da rejeição paterna e materna; pelo abandono - algo que só vim a saber aos sete anos de idade. Sendo assim, vivi sob os auspícios desses acontecimentos e também dos espancamentos que passei a receber do padrasto que conheci nesse mesmo período, além de rejeições subsequentes que experimentei, ainda jovem, novamente dos pais biológicos. Algo ainda a ser considerado, além da rejeição, foi o sentimento de culpa em face de acontecimentos onde eu, por motivos alheios e até desconhecidos, pensava ter contribuído para os desfechos negativos.   Em síntese, tudo isso criou condições para que eu assumisse, mesmo que inconscientemente, posturas de vitimização e revolta perante a vida.

O fenômeno da transformação aconteceu depois que comecei o processo de ressignificação com o aprendizado e a autoanálise já citados. O ponto basilar teve início a partir do momento em que reconheci e trouxe à consciência a referência positiva esquecida, no que tange a acolhimento e afeto, vinda da família adotiva que tive durante cinco anos após o abandono, principalmente vinda da minha mãe Rosa. Lembram-se dos baús? Pois é: por força dos inúmeros acontecimentos traumáticos, eu tinha apagado das memórias da minha infância os acúmulos positivos. Como já narrei, tinha me fixado somente no baú da negatividade.

Enfim, sem me alongar nessa conclusão, posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que foi essa descoberta que me salvou de uma vida perene de infortúnios. Observado que ao estabelecer como referência afetiva a família de adoção, o panorama mudou: elevei minha noção de valor pessoal, minha autoconfiança, e consequentemente minha autoestima. Já não me via mais no papel de vítima, pois eu fora amado e querido por eles.

Afinal, libertar-se do passado não é apagar o que doeu, mas escolher quais memórias vão definir quem você é hoje e no futuro. É no tempo presente, no aqui e agora, que podemos expressar o nosso melhor, ancorados nas nossas melhores referências.




Assista o vídeo - sobre aprendizado - https://www.youtube.com/watch?v=K5J02Zlzt88





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Autor Willes S. Geaquinto   
Willes S. Geaquinto - Psicanalista,Psicoterapeuta, Consultor Motivacional. Trabalha com a Terapia do Renascimento promovendo o resgate da autoestima, o equilíbrio emocional e solução de transtornos, fobias,etc... Palestras e Cursos Motivacionais(relação de palestras no site). Contato: (35) 99917-6943 site: www.viverconsciente.com.b
E-mail: [email protected] | Mais artigos.

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