Minha experiência com Ayahuasca numa cerimônia do Santo Daime
Autor Eliana Guedes
Assunto AutoconhecimentoAtualizado em 6/22/2026 11:35:59 AM
Relato de 05 e 06 de janeiro de 2001 - Cerimônia de Reis do Santo Daime
Fui com uma amiga: "Dani" e um amigo dela: "Teco". Saímos da Faria Lima por volta das 20h e chegamos ao local às 21h30. A cerimônia já tinha começado quando chegamos, então fomos ao banheiro antes de nos juntarmos aos outros. Assim que entramos no salão, fomos convidadas a tomar Ayahuasca. Após tomarmos, seguimos para "nossos" lugares. Quero dizer, havia lugares específicos para cada pessoa, e o chão estava pintado de maneira a formar vários quadrados dentro de um grande círculo, e cada pessoa deveria ficar dentro de seu quadrado. Eu fiquei separada da Dani.
O ritual foi diferente dessa vez. Em vez de ser realizado sentados, como normalmente ocorre, foi um "bailado" em pé, no qual ficávamos dando dois passos para cada lado. Uma vela pequena foi distribuída a cada pessoa, acendemos as velas, tudo ao som dos hinos. Estávamos cantando (eu não, pois estava sem o hinário), bailando e segurando a velinha. A minha vela estava "infernal", pois não parava de gotejar e "chorava" nos meus dedos.
Nesse momento, a moça que estava ao meu lado caiu para trás com a vela, "bodiou" e ficou com a pele da cor de um papel. Foi assustador. Ela foi logo assistida pelos fiscais e parece que melhorou depois de vomitar... um vômito muito forte, inclusive dentro do salão. Pouco depois, outra pessoa caiu também. Eu percebi que a situação estava esquentando, principalmente para as mulheres, enquanto no ritual da lua cheia, parecia que a intensidade tinha sido maior para os homens.
Inicialmente, o ritual parecia mais forte para as mulheres, mas logo percebi que estava forte para todos.
De repente, comecei a me questionar: "O que estou fazendo aqui? Pô, estou cansada, poderia estar em casa..." Uma onda de cansaço e sofrimento tomou conta de mim. Foi quando percebi que eu não estava "normal", e então entendi que estava ali porque queria. Nesse momento, minha consciência se ampliou de uma maneira incrível. Passei a perceber e a captar tudo ao meu redor: sons, luzes, sensações, sentimentos, como se meu inconsciente estivesse vindo à tona. A sensação foi como se eu tivesse cruzado uma fronteira entre o inconsciente e a consciência, como se tudo que o inconsciente normalmente capta fosse agora acessível à minha consciência. Senti uma força imensa, como se fosse capaz de tudo. Todos os meus sentidos estavam ampliados, e eu percebia meu corpo em detalhes: a ponta da orelha, os cabelos... Era muita coisa acontecendo rapidamente! Senti meu chacra básico pulsando, e isso me assustou.
Olhei para o relógio e parecia que o tempo não passava, já quase meia-noite. Muitas imagens começaram a surgir na minha mente: família, amigos, cachorros... Cada imagem que eu via mentalmente parecia ganhar vida de uma forma profunda, indescritível. Foi nesse momento que senti um amor imenso... um AMOR profundo, incondicional, forte e suave, algo que eu não sabia que existia dentro de mim. Fiquei surpresa por estar sentindo aquilo, mas foi uma experiência linda.
Pensei sobre muitas coisas, sobre Psicologia, sobre eu e o todo, sobre a prece da Gestalt: "Será que estou neste mundo apenas para satisfazer minhas necessidades?" Senti que estava doando um pouco de amor, um amor que estava guardado dentro de mim. Chorei de amor, felicidade e emoção. Não consigo explicar ou controlar o que estava sentindo. Percebi o quanto me controlo e me isolo.
Em determinado momento, vi um velho de barba verde sorrindo para mim. Na verdade, ele estava ali, mas a forma como eu o via era distorcida pela minha percepção. Olhei para um quadro/foto e, de repente, ele se transformou em uma pessoa. As coisas começaram a se materializar e a distorcer, como se tudo estivesse se transformando. Isso tudo aconteceu depois da segunda dose do Ayahuasca.
Foi quando pensei: "Você está pronta para sair do corpo." E, com isso, comecei a me sentir cada vez mais distante de mim mesma.
Por volta da 1h da madrugada, foi dado um intervalo de uma hora para descanso. Estávamos todas muito alteradas, mal conseguíamos andar. A Dani estava bem alterada e disse que precisava sentar, então fomos para um murinho. Mal conseguíamos conversar, falávamos coisas desconexas, tipo filosofando, e eu estava com um sono absurdo. Eu não conseguia manter os olhos abertos. A Dani começou a falar sem parar e eu não conseguia prestar atenção em nada. Em determinado momento, "descobri" que podia fazer previsões e disse a ela que aconteceria uma mudança sentimental favorável para ela em março. Ela começou a me contar sobre sua vida sentimental, mas eu não queria saber de nada disso, só queria dormir.
Fomos ao banheiro, e, no caminho, olhei para as árvores e vi pequenas luzes saindo delas, como estrelinhas. Fiquei pensando: "Nossa, eu estou bem louca. Só faltava ver extraterrestres agora." A Dani, por sua vez, parecia ter uma "crise de abraço", abraçava todo mundo.
Às 2h da manhã, voltamos ao salão. Eu estava mais "normal", mas o sono ainda era muito forte. A sensação era de que eu tinha ficado dias sem dormir. Tentei fazer respirações profundas, mas não adiantava. Falei para a Dani que não queria mais tomar o Ayahuasca, pois o início do trabalho seria após a terceira dose. Eu não queria mais, mas só poderia ficar no grande círculo depois de tomar. Então, fui novamente.
Quando tomei a terceira dose, comecei a sentir uma sensação de anormalidade novamente. Queria manter os olhos fechados, mas, quando os fechava, tudo ficava ainda mais claro, com luzes fortes, muito douradas. De repente, olhei para uma fiscal e vi seus olhos faiscantes e seu rosto muito vermelho. Imediatamente, pensei que ela fosse um demônio e vi chifres nela. A sensação foi de pavor. Eu estava perdendo o controle do meu corpo, sentia medo e arrependimento de ter tomado a terceira dose. Meu tronco se movia sozinho, meus ombros davam solavancos. Senti náuseas e fui me afastando do círculo, para o jardim. Duas fiscais me acompanhavam, mas eu não conseguia falar. Estava totalmente desorientada, como se estivesse bêbada.
Sentei-me em um banco, muito enjoada, e vomitei. Quando vomitei, tive a visão de pequenas cabeças de demônio saindo de dentro de mim, o que foi aterrador. Só conseguia pensar em coisas ruins. Abaixei a cabeça e a fiscal me pediu para não fazer isso, pois isso poderia piorar. Havia muitas pessoas passando mal, alguns falavam sozinhos, outros dançavam em frente à cruz no jardim. As fiscais pediram para eu sentar lá dentro, pois estava muito frio no jardim. Me colocaram sentada dentro, mas comecei a tremer muito, sentindo um frio terrível, como se tivesse febre. Meus olhos se fechavam e eu só queria ficar "normal". Respirei desesperadamente, tentando acalmar a mente: "Vai passar."
Fiquei enjoada novamente, e, sem perceber como, quebrei a cadeira em que estava sentada. Fui de novo para o jardim. A fiscal que estava comigo, que eu tinha visto com aparência diabólica, foi um amor. Tentou conversar comigo, mas eu não conseguia falar. Vomitei novamente, desta vez parecia que saíam folhas. Vomitei muito, o que foi horrível, mas depois melhorei. Fiquei sentada um tempo e, quando já estava mais calma, juntei-me aos outros para o bailado, que continuou até as 7h da manhã.
Ah, durante aquela sensação de amor profundo, parecia que eu estava usando um véu na cabeça. Tive a sensação física de estar com um véu. Também houve outra situação estranha no intervalo, quando falei para a Dani, enquanto estava fazendo previsões, que o sino tocaria antes de voltarmos. Eu não sabia disso, mas, de fato, o sino tocou.
Foi uma experiência de ampliação da consciência muito intensa, e tudo parecia se amplificar dependendo daquilo que eu estava sentindo.
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Autor Eliana Guedes Realizo Atendimentos Online - Cel./WhatsApp: 9.9365-3322. E-mail: [email protected] | Mais artigos. Saiba mais sobre você! Descubra sobre Autoconhecimento clicando aqui. |









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