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Reaprendendo a ser feliz

Atualizado dia 9/23/2015 9:35:45 AM em Autoconhecimento
por Rodrigo Durante


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Tenho prestado muita atenção nas informações que recebo, nas expressões e diferentes linguagens. A sensação que tenho é que tudo que precisamos saber já foi tão exaustivamente falado mas que por algum motivo ainda não entendemos a mensagem. Isso acontece porque lemos ou ouvimos algo tendenciosamente, sempre esperando determinado resultado próximo daquilo que somos “bons”, do que enaltece nosso ego ou do que não nos machucará ouvir. Às vezes também quando recebemos uma informação que tem o propósito de nos ajudar a sair de determinado padrão, nós a processamos em nossa mente com o mesmo mecanismo mental que estamos acostumados, não dando abertura o suficiente para que a informação desconstrua este sistema e nos ajude na mudança que almejamos.

Vou dar um exemplo: existe um mecanismo mental atuante que busca referenciais externos para dizer se você deve se sentir bem ou mal com sua vida. Se algo externo (trabalho, financeiro, relacionamento, diversões etc.) está acontecendo conforme o que temos programado como sendo “bom”, então, produzimos emocional e quimicamente em nosso corpo um efeito de felicidade, que por ser de natureza mental e simulada, é frágil e efêmera, dependente de constantes estímulos para durar.

Em algum momento, inevitavelmente, acaba algum estímulo ou as situações externas mudam e ficamos sem esta pseudofelicidade que estávamos forjando e que passamos a nossa vida perseguindo. Sem o suprimento de referenciais externos de acordo com nossas crenças e programações sobre o que é bom na vida, sentimos “tudo está ruim, portanto, estou triste”. Até que alguém ainda na fase de repetir frases prontas aparece e nos diz “a felicidade vem de dentro, não de fora”. Como seres altamente programados que somos (e também pela pessoa que disse isso não viver isso em sua vida e consequentemente não transmitir a energia necessária), não permitimos que esta informação destrua nosso mecanismo de busca de felicidade em fatores externos, ao contrário, nós utilizamos o mesmo mecanismo para processá-la, buscando agora referenciais internos. “Ah, então agora vou buscar motivos dentro de mim para estar feliz”. E começamos um processo de dizer para nós mesmos todos os motivos que temos para estarmos de bem com a vida. “Ah, que bom, estou respirando!”, “Oh, que maravilha, sou capaz de amar”, “Oh, que máximo, sou filho de Deus!!” e por aí vai.

Porém, a infelicidade continua pois permanece condicionada a estímulos; agora, então, a insegurança quanto à felicidade de amanhã faz nossa instabilidade emocional até piorar, pois se baseia em crenças abstratas que precisam ser reforçadas a cada momento e que nos parecem mais falsas do que as de outrora, que pelo menos eram vistas na matéria. O que não percebemos quando estamos funcionando através deste mecanismo é que o não preenchimento de algum pré-requisito para a fabricação mental da felicidade é encarado como uma ordem para a fabricação de infelicidade e sofrimento, que infelizmente ainda é a vibração básica da maioria das pessoas. A partir destas vibrações infelizes, a pessoa toma um de dois rumos na vida: com uma boa dose de autoestima e autoconfiança ela parte para a conquista de sua falsa felicidade ou, com baixa autoestima e menos ainda autoconfiança parte para o vitimismo, para a culpa do próximo pelas próprias infelicidades e fracassos. Digo falsa felicidade pois o medo do não-suprimento de alguma condição para se permanecer naquele estado “feliz” estará sempre presente, a pessoa se torna uma escrava do que quer que acredite que esteja lhe suprindo daquilo, seja um emprego, seja de um meio social, seja da sua aparência física ou até mesmo de alguém que lhe supra a falta de si mesma.

É importante ressaltar que cada um destes caminhos escolhidos tem suas particularidades e não pretendo entrar em muitos detalhes aqui. Mas digo que é mais fácil perceber que algo não está bem quando temos uma postura de humildade com a gente mesmo e não estamos obstruindo nossa visão com nenhuma ilusão. Por isso, é tão difícil alguém que tem acesso a todo tipo de distrações perceber que tem algo errado com ele, mesmo que sofra de insônia, beba para se divertir e precise de “tarjas-pretas” para se equilibrar, a pessoa ainda é capaz de criar argumentos para dizer que o que lhe falta é dinheiro, que aqui ninguém está seguro, que o povo é vagabundo, que a culpa é do governo e assim por diante.

Outra coisa que fazemos que mantém o mecanismo ativo é vivermos de esperança: “amanhã será melhor que hoje” dizemos, no sentido que criamos um motivo no futuro para sermos felizes hoje, para nos mantermos motivados a acordar cedo, trabalhar em algo que não gostamos, enfrentar trânsito ou mesmo para permanecer vivos. Esta é uma fuga maior ainda da realidade, é viver de estímulos fictícios, reais apenas no mundo das ideias.

Mas o que significa então o termo “a felicidade vem de dentro”? A felicidade é o estado natural do Ser humano, não dependemos de nenhum pré-requisito para senti-la. Encontrar a felicidade dentro de si não significa encontrar algum motivo para ser feliz, muito pelo contrário, é ser feliz sem motivos. É simplesmente acordar de manhã e lembrar que pode ser feliz mesmo sem sua vida estar do jeito que você queria, que isso não vai causar nenhum dano ou prejudicar sua busca pelo sucesso. E o que é o sucesso senão a capacidade de preenchimento destes pré-requisitos de maneira constante e satisfatória?

Com esta prática de lembrar a nós mesmos que não dependemos de nenhuma circunstância para nos sentirmos bem, vamos aos poucos tirando o poder que alimenta este mecanismo infeliz, que no ritmo que é mais confortável para cada um aceitar esta nova condição de desprendimento vai se dissolvendo até deixar de existir. Isso pode ser estranho no começo, pois nossa mente e corpo estão viciados demais nesta forma de ser e na química gerada por este mecanismo. Existem sinapses específicas desta mecânica consumindo uma quantidade de energia absurda para sobreviverem. Além disso, nossos receptores estão muito condicionados a produzir infelicidade ou sensação de vazio quando não são alimentados, por isso, devem ser amorosamente lembrados que aquela falta ou carência afetiva sentida é uma ilusão, um vício.

É interessante que esta felicidade descondicionada não é eufórica ou “orgásmica” como a que estamos (mal) acostumados, não é um pico de felicidade que nos faz ir às alturas, mas ao mesmo tempo é infinitamente maior, mais segura e perene do que qualquer outra sensação sentida através do suprimento de carências. Ela é nosso estado natural, não é criada a cada momento, não consome energia alguma para existir. O chato é que não mais riremos de algumas piadas, talvez não sentiremos mais a necessidade de fazer coisas ou estar com pessoas que eram usadas como motivo para a produção de felicidade no passado. Mas o riso interno, a alegria e o contentamento estarão sempre presentes, o bom humor e o entusiasmo que faz a vida valer a pena vêm daí.

Com o tempo, vamos ficando mais seguros em aceitar esta nova realidade e vamos abrindo mão de muita coisa que não nos acrescenta mais. Pode ser um pouco difícil no começo pois os laços ainda abertos na região dos chakras sexual e gástrico suplicam por preenchimento como em uma crise de abstinência gerando medo e tentando de todas as formas não perder o controle sobre nossa mente que por tantos milênios nos escravizou.

O processo todo de perceber esta vibração sutil que sempre esteve aqui, e aceitá-la como nosso verdadeiro Eu, funciona como a cura de um vício, pois é exatamente isto que somos, viciados em criações mentais que chamamos de vida humana. Seremos constantemente tentados a nos sentirmos mal com a falta de alguma coisa, seremos ameaçados por nossos medos de não conquistar algo ou da exclusão social, seremos tentados a todo momento a pensar demais sobre este processo e criar novas regras de vida baseadas em máximas espirituais para outro Eu forjado mentalmente. Mas o importante é exatamente o oposto, é compreender que não precisamos fazer nada para sermos o que verdadeiramente somos, basta apenas aceitar a paz que não depende de nada para existir e que sempre esteve aqui.

Assim, aos poucos todas as facetas desta nova condição vão se revelando, o desprendimento em relação a pessoas, eventos, convenções e condições sociais, a liberdade de ser você mesmo sem precisar de aprovação ou corresponder a expectativas, a despreocupação com o dia de amanhã. Toda aquela prontidão em nos defender, aquele estado tenso de "ter que estar pronto para as lutas diárias" também deixam de ser necessários, tudo começa a fluir muito mais naturalmente. Dessa forma, passamos a perceber também nosso estado de relaxamento natural e a falta de esforço necessário para ser feliz. Não precisamos de nada do que sempre acreditamos que era importante, é uma mudança bem drástica do paradigma a partir do qual conduzimos a nossa vida.

É importante deixar bem claro que isto não significa a negação de nosso lado humano. A vida como um humano é importante e muitas coisas que fazemos aqui são prazerosas e benéficas, o dinheiro é bom também pois nos compra tempo e espaço. Nós podemos continuar fazendo tudo o que gostamos, porém, não seremos mais controlados por aquela condição de que se não tivermos ou fizermos algo de certa maneira não seremos felizes. O medo da perda também desaparece, pois neste estado ganho e perda não existem. Passamos a enxergar a liberdade e abundância sempre presentes em nossa vida e todos os momentos ganham agora um brilho de celebração.

Desta maneira, descobrimos, sentindo na própria pele, que onde quer que estejamos, estaremos bem. Esta é a verdadeira felicidade que vem de dentro, não de algum motivo interno, mas da abertura que damos para sentir o que sempre esteve aqui esperando por nós, nossa herança Divina como algumas linhas filosóficas colocam, a plenitude do Ser.

Namastê!

Rodrigo Durante
www.rodrigodurante.com.br

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